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Vai a pé a Fátima? Cuidados a ter antes, durante e depois da peregrinação

3 Mai 2024 - 02:58

Vai a pé a Fátima? Cuidados a ter antes, durante e depois da peregrinação

Todos os dias 13, desde maio até outubro, milhares de peregrinos chegam ao Santuário de Fátima para assistirem às celebrações religiosas, depois de percorrerem centenas de quilómetros a pé. 

Há quem faça um percurso muito extenso, por vezes, dificultado por imprevistos. O que fazer em caso de lesão durante a caminhada? É preciso haver uma preparação física prévia? O que levar? O Viral reuniu alguns cuidados importantes a ter antes, durante e depois da peregrinação.

Antes da peregrinação

Em esclarecimentos ao Viral, Cristina Sousa, especialista em Medicina Geral e Familiar da Unidade Local de Saúde (ULS) de São João, começa por salientar a importância de haver uma preparação física antes de uma peregrinação.

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O mesmo é defendido pela Ordem dos Fisioterapeutas que, num folheto informativo publicado no seu site, recomenda que essa preparação prévia seja feita, por exemplo, através da prática de “exercício físico diário”, nomeadamente caminhadas “em percursos variados”, incluindo “subidas, descidas, pisos regulares e irregulares”, e “treino de marcha em percursos curtos, aumentando progressivamente”.

No que diz respeito à alimentação, segundo o “Manual de Alimentação para Peregrinos” do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), três a quatro dias antes do início da caminhada, deve-se “seguir uma dieta rica em hidratos de carbono, presentes em alimentos como o pão, cereais, batata, arroz ou massa, por exemplo, que permitam o armazenamento de reservas energéticas do organismo”.

Para mais, antes da partida, é importante dedicar-se algum tempo na escolha do vestuário e calçado adequado. Na perspetiva de Cristina Sousa, deve-se utilizar “roupa leve, larga, clara e com mangas”.

Por outro lado, a médica recomenda a escolha de calçado “com algum uso e que proporcione um andar confortável”. Não esquecer também que as meias devem ser de algodão e “não deverão ter costura”, acrescenta.

Além disso, a proteção solar é indispensável. Nesse sentido, Cristina Sousa destaca a importância da utilização de chapéu, óculos escuros e protetor solar (que deve ser reaplicado com frequência, ao longo da caminhada).

No momento de “fazer a mala” deve-se ter atenção a três aspetos relevantes: a escolha da mochila adequada, a seleção dos bens necessários e a forma como são arrumados.

De acordo com a Ordem dos Fisioterapeutas, a mochila escolhida deve “respeitar o contorno da coluna”, de modo a evitar “zonas de fricção e pressão”. 

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No seu interior, refere-se no manual do PNPAS, deve ir “apenas o essencial” e “o peso e os objetos que vão dentro da mochila devem estar distribuídos de forma a promover o equilíbrio”. 

Além da comida e da bebida necessárias para a viagem, recomenda-se o transporte de um kit de primeiros socorros

Segundo Cristina Sousa, “as pessoas devem levar a sua medicação habitual” e, por precaução, devem incluir, por exemplo, “analgésicos (como o ibuprofeno e o paracetamol), anti-histamínicos, repelentes e pensos rápidos”. 

A Ordem dos Fisioterapeutas destaca ainda a importância de se ter cuidados acrescidos, no caso de peregrinos com alguma incapacidade ou condição física ou mental.

Pode ser necessário que determinadas pessoas sejam acompanhadas por alguém ou por uma viatura de apoio

Durante a caminhada

Para garantir a segurança dos peregrinos e dos restantes utentes da via pública, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) refere, num texto informativo, que os peregrinos devem “utilizar coletes refletores” (mesmo durante o dia) e “caminhar em fila única”, “no sentido contrário ao do trânsito” e, sempre que possível, “pelos passeios”.

Ao longo do percurso, fazer pausas é de extrema importância. Segundo Cristina Santos, a recomendação geral é “descansar a cada uma ou duas horas de caminhada, durante cerca de uns 10 minutos, para evitar a exaustão”.

No manual do PNPAS aconselha-se os peregrinos a elevarem as pernas e a movimentarem os pés durante as pausas, de modo a facilitarem “o retorno circulatório e o relaxamento dos membros inferiores”. 

Noutro plano, Cristina Sousa destaca que a hidratação adequada é fundamental em todos os momentos – antes, durante e depois da caminhada -, sendo que “é recomendado beber mais água antes e depois de cada etapa”.

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Em contrapartida, nunca se deve consumir álcool em nenhuma das fases. Isto porque, frisa a médica, fazê-lo “aumenta o risco de desidratação”.

No que toca à alimentação, nesta fase é crucial “preferir refeições ligeiras, mas que forneçam a energia”, optando por “alimentos frescos e calóricos para evitar a fadiga e as quebras de tensão”.

Durante o caminho, aponta-se no manual do PNPAS, deve-se manter “uma boa postura” para evitar lesões e tentar não se carregar nada nos braços.

Além disso, “o ritmo da caminhada deve ser ditado pela condição física” de cada um e deve-se manter constante, “mas nunca excedendo os 30 quilómetros de percurso por dia”, salienta-se no mesmo documento. 

Cristina Sousa destaca a importância de se ter “particular atenção ao cuidado dos pés”. Nesse sentido, “é recomendado, antes do início de cada etapa, usar um creme entre os dedos e nos calcanhares para evitar as bolhas”, esclarece.

Para mais, no manual da PNPAS considera-se fundamental “proceder à higienização dos pés e à troca de meias regularmente (pelo menos 2 vezes por dia)”. 

De acordo com a Ordem dos Fisioterapeutas, as lesões mais frequentes são “entorses, tendinites e pequenas ruturas musculares”. 

Nesse contexto, do ponto de vista de Cristina Sousa, deve-se parar, “elevar o membro afetado e aplicar gelo”.

Caso seja necessário, pode-se “tomar um analgésico ou um anti-inflamatório”, prossegue. Se a dor não diminuir ou se a lesão for grave, a médica recomenda procurar “assistência médica”.

Por esse motivo, é importante conhecer a linha do INEM que corresponde ao número europeu de emergência (112) e a linha SNS 24 (808 24 24 24) e saber em que circunstâncias deve ligar para cada uma delas (saiba em que situações deve ligar para cada uma destas linhas neste artigo do Viral).

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Quando se chega ao destino

Na visão de Cristina Sousa, após a peregrinação, é importante “verificar se há lesões”, sobretudo nos pés, manter uma “hidratação” adequada, comer e descansar.

Em relação às lesões, no manual do PNPAS deixa-se um alerta: “Se após a peregrinação subsistirem algumas lesões que não se resolvem nos primeiros dias (até uma semana), a procura de profissionais habilitados, de modo a prevenir sequelas provocadas pelo esforço a que foi exposto, é bastante importante”. 

Por fim, refere-se no mesmo documento, depois da caminhada, “o peregrino deverá dormir pelo menos 8 horas, de modo a recuperar e restabelecer bem-estar físico e psíquico”.

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3 Mai 2024 - 02:58

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