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Quais são as vacinas obrigatórias para cães e gatos? E como atuam?

16 Fev 2025 - 08:30

Quais são as vacinas obrigatórias para cães e gatos? E como atuam?

As vacinas são importantes para garantir a saúde dos animais de companhia e protegem-nos contra várias doenças, mas o plano de vacinação é diferente para cães e gatos. 

No caso dos felinos, explica Tomás Magalhães, médico veterinário e investigador, “não há nenhuma vacina obrigatória”. Os cães, no entanto, têm obrigatoriamente de tomar a vacina contra a raiva.

“Em Portugal, a raiva é considerada uma doença indemne, ou seja, não temos casos reportados desde os anos 60, justamente porque houve esta vacinação em massa de todos os animais. Mas é importante que todos os cães continuem a ser vacinados, porque volta e meia aparece um ou outro caso em Espanha e, dada a proximidade, corremos o risco de o vírus voltar a circular em território nacional”, sublinha em declarações ao Viral.

Segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), ocasionalmente, são detetados casos de cães com raiva em países da União Europeia, pelo que é necessário manter o protocolo vacinal para evitar que se torne novamente num risco para a saúde pública. Agressividade e salivação excessiva são os sintomas mais frequentes.

Os últimos casos foram detetados em 2021 e 2022 na Eslováquia, Hungria França e Polónia (com 12 casos), em cães oriundos da Ucrânia, Marrocos e, no caso polaco, de cães e gatos do próprio país que contactaram “com animais silvestres infetados, sobretudo raposas”, lê-se no site desta entidade.

De acordo com a mesma fonte, “todos os anos morrem cerca de 59 mil pessoas infetadas com raiva”, a maioria crianças que vivem em zonas rurais mordidas por cães portadores deste vírus. Estes casos, salienta a mesma entidade, poderiam ser evitados com a vacinação dos animais.

Com que idade devem os animais tomar a vacina contra a raiva?

De acordo com o médico veterinário, os cães devem tomar esta vacina a partir dos três meses, sendo que a mesma deve ser reforçada a cada três anos.

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“Sempre que administramos uma vacina da raiva a um cão colocamos no SIAC – ou seja, no sistema de identificação de animais de companhia que é onde todos os cães estão registados, – o tipo de vacina que administramos, o lote e a validade para que o veterinário seja informado quando é que o animal deve ser novamente vacinado”, acrescenta Tomás Magalhães.

Tomás Magalhães clarifica que, no caso dos gatos, apesar de não ser obrigatória, a vacina contra a raiva pode ser necessária caso o animal viaje para outro país.

Tem efeitos secundários?

Efeitos secundários não é o nome mais indicado, mas tal como acontece com os humanos, os animais também podem ter reações à vacina. 

Nestes casos, continua o médico veterinário, o sintoma mais comum nos cães é o mesmo que se manifesta nas crianças: febre e prostração. Em certos casos, pode surgir uma espécie de nódulo na zona do corpo onde a vacina foi administrada que, garante o investigador, “é benigno e desaparece por completo no espaço máximo de três semanas”.

“Com esta vacina estamos a provocar uma resposta imunitária no animal e uma estimulação do organismo. A formação deste nódulo acaba por ser uma resposta inflamatória local”, esclarece.

Em último caso, e ainda que seja muito raro, o animal pode apresentar reações alérgicas à vacina no corpo. 

Prurido e comichão são os primeiros sinais, sendo que também pode ficar com o focinho inchado. Neste caso, alerta Tomás Magalhães, é necessário que seja visto imediatamente pelo veterinário, uma vez que pode comprometer a parte respiratória.

No entanto, sublinha o investigador, estas reações são poucos frequentes, sendo mais comum um animal ter outro tipo de reações alérgicas (como, por exemplo, após a picada de um inseto) do que após uma vacina.

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Leptospirose, esgana e leucemia felina entre as vacinas recomendadas

Aliado ao protocolo vacinal obrigatório, o médico veterinário aconselha a administração de outras vacinas para cães e gatos de forma a evitar o surgimento de doenças cada vez mais comuns nestes animais.

No caso dos cães, reforça Tomás Magalhães, é importante que tomem anualmente a vacina contra a leptospirose, doença provocada pela bactéria leptospira que vai afetar o funcionamento dos rins e fígado do animal e é transmissível aos humanos.

“Geralmente, é transmitida através da urina dos ratos e há que ter cuidado se o cão andar por terrenos baldios e cursos de águas paradas. Os sintomas são vómitos, diarreia, com as mucosas amareladas devido à icterícia, problemas a nível renal e dor abdominal. É uma doença que leva a insuficiência renal aguda e a insuficiência hepática. As pessoas têm de ter muito cuidado com as secreções e adotar medidas de proteção para não contrair também a bactéria”, alerta.

A esgana é igualmente importante, desde logo, porque pode afetar os sistemas respiratório, gastrointestinal e nervoso. Restam as vacinas contra o adenovírus canino tipo 1, que protege contra a hepatite infecciosa canina, parvovírus canino (que afeta o sistema gastrointestinal e tem como principal foco de contágio a salva e as fezes) e o parainfluenza, mais conhecido como a tosse do canil.

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Tomás Magalhães recomenda também a administração vacina da leishmaniose a todos os cães, a partir dos seis meses.

Para os gatos, é recomendada a toma da vacina contra a leucemia felina, mais conhecida como FeLV, que afeta o sistema imunitário destes animais e é facilmente contraída através da saliva. “Basta pensarmos numa colónia de gatos que comem ou bebem água das mesmas taças. É um foco de transmissão.”

Normalmente, o protocolo vacinal inicia-se entre as seis e as oito semanas com reforços a cada quatro semanas até aos quatro meses.

As vacinas contra a panleucopenia felina e as doenças respiratórias calicivírus e herpesvírus felino são as outras indicadas, mesmo para os gatos que estão num ambiente protegido.

16 Fev 2025 - 08:30

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