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Tragédia no Elevador da Glória. O que é o stress pós-traumático? 

4 Set 2025 - 02:57

Tragédia no Elevador da Glória. O que é o stress pós-traumático? 

O acidente já é considerado a maior tragédia em Lisboa do século XXI. Esta quarta-feira, o Elevador da Glória, que liga os Restauradores ao Príncipe Real, descarrilou e causou pelo menos 16 mortos e 21 feridos.

Em situações como estas, é comum as pessoas que vivenciaram ou testemunharam o acontecimento passarem por um período de stress pós-traumático, em que o medo é uma emoção predominante. Em alguns casos, os sintomas associados ao trauma podem permanecer a longo prazo e até agravar-se com o tempo. O que é a perturbação de stress pós-traumático? Quais os sintomas? Há tratamento?

O que é a perturbação de stress pós-traumático?

“É normal sentir medo durante e após uma situação traumática”, sublinha-se num texto do MedlinePlus (um site de informação sobre saúde que pertence aos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos).

Esse medo “desencadeia uma resposta de ‘luta ou fuga’” (fight-or-flight) como forma de ajudar o corpo “a proteger-se de possíveis danos”, explica-se no mesmo texto. 

Isto provoca alterações no organismo, “tais como a libertação de certas hormonas e o aumento do estado de alerta, da pressão arterial, da frequência cardíaca e da respiração”, mas, com o tempo, “a maioria das pessoas recupera naturalmente”. 

Se não houver essa recuperação natural e a pessoa continuar a ser afetada pela experiência traumática, pode indicar a presença de uma perturbação de stress pós-traumático (PTSD, na sigla inglesa).

Segundo um texto da Associação Americana de Psiquiatria (APA, na sigla inglesa), para uma pessoa ser diagnosticada com PTSD, “os sintomas devem durar mais de um mês e causar sofrimento significativo ou problemas no funcionamento diário do indivíduo”.

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Qualquer pessoa que testemunhou ou passou por um evento traumático ou pode desenvolver uma perturbação deste tipo.

Mas é importante salientar que “o que é ou não traumático é subjetivo e pessoal” e “podemos ter experiências semelhantes às de outras pessoas, mas vivê-las e sermos afetados por elas de forma muito diferente”, refere-se num documento da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). 

Alguns exemplos de situações traumáticas “incluem (mas não restringem)”: “atos de violência, ataques terroristas, acidentes, violações sexuais, atos criminosos, desastres e catástrofes (incêndios, inundações, sismos, furacões), morte violenta de um familiar/amigo, doença grave/internamento hospitalar, parto com complicações, guerra e conflitos armados”, lê-se no mesmo documento.

Quais os sintomas desencadeados pela perturbação?

Existem quatro categorias de sintomas associados à perturbação de stress pós-traumático, mas nem todas as pessoas com PTSD sentem os mesmos, nem na mesma intensidade.

Os sintomas de revivência, ou seja, “quando algo o faz lembrar-se do trauma e sente aquele medo novamente” são bastante comuns. Podem surgir em “flashbacks”, “pesadelos” e em forma de “pensamentos assustadores”, exemplifica-se no texto do MedlinePlus.

Pessoas com PTSD também costumam tentar “evitar situações ou pessoas que desencadeiam memórias do evento traumático”. A isso chama-se “sintomas de evitamento”. Por exemplo, uma pessoa que sofreu um acidente de carro pode parar de conduzir.

Verificam-se, também, alterações de reatividade e agitação que podem fazer com que a pessoa fique nervosa ou muito atenta ao perigo. Neste contexto, é comum a pessoa “assustar-se facilmente”, “sentir-se tensa ou, ‘no limite’”, “ter dificuldade em dormir” ou “ter explosões de raiva”, refere-se no site do MedlinePlus.

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Além disso, podem surgir sintomas cognitivos e relacionados com o humor (ver também aqui). A pessoa pode: ter “dificuldade em lembrar-se de coisas importantes sobre o evento traumático”; ter “pensamentos negativos sobre si mesma ou sobre o mundo”; “sentir culpa ou remorso”; deixar de ter interesse nas coisas que gostava; e ter “dificuldade em concentrar-se”.

Muitas pessoas desenvolvem sintomas logo após o trauma ou até três meses depois, mas os sintomas também “podem aparecer mais tarde e muitas vezes persistem por meses e, às vezes, anos”, sublinha-se no texto da APA.

Como se trata a perturbação de stress pós-traumático?

Segundo o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), existe tratamento eficaz para a perturbação de stress pós-traumático, que depende sobretudo “da gravidade dos sintomas e da rapidez com que eles ocorrem após o evento traumático”. 

Por norma, há um acompanhamento médico, com receita de antidepressivos, e um acompanhamento psicológico, através de um ou mais tipos de terapia.

A terapia mais frequentemente recomendada é a cognitivo-comportamental focada no trauma (ver aqui e aqui), cujo objetivo é ajudar a pessoa a lidar com o trauma e com as emoções e crenças provocadas pela situação traumática.

Outro tipo de terapia utilizada neste contexto é a “a terapia de exposição prolongada”, que “utiliza a imaginação repetida e detalhada do trauma ou exposições progressivas aos ‘gatilhos’ dos sintomas – de uma forma segura e controlada – para ajudar a pessoa a enfrentar e ganhar controlo sobre o medo e a angústia e aprender a lidar com eles”, explica-se no site da APA. 

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Também é possível que o doente seja aconselhado a fazer outro tipo de terapia chamada dessensibilização e reprocessamento através do movimento ocular. Esta psicoterapia é focada no trauma e pretende ajudar a pessoa “a reprocessar a memória do trauma para ser vivenciada de uma maneira diferente”, esclarece-se no mesmo site.

Em alguns casos, incentiva-se ainda a participação em terapia de grupo, em que um conjunto de sobreviventes a situações traumáticas semelhantes “partilham as suas experiências e reações num ambiente confortável”.

Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em conjunto com o tratamento, é fundamental aplicar estratégias de autocuidado, tais como: “conversar com pessoas de confiança sobre o que aconteceu”; “evitar ou reduzir o consumo de álcool e drogas ilícitas, que podem agravar os sintomas”; “praticar exercício físico regularmente, mesmo que seja apenas uma caminhada curta”; e “manter ou desenvolver hábitos de sono saudáveis”.

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4 Set 2025 - 02:57

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