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Costuma sentir sono depois do almoço? Perceba porquê

28 Mai 2024 - 02:27

Costuma sentir sono depois do almoço? Perceba porquê

Depois de almoço, há quem tenha uma sensação de perda de energia e, por vezes, de uma certa sonolência. Com esta quebra, pode ser difícil voltar ao trabalho, sobretudo quando se tem uma função pouco ativa fisicamente, mas exigente do ponto de vista cognitivo. É normal sentir sono depois de almoço? Como combater essa sonolência? 

Porque sentimos sono depois do almoço?

Em esclarecimentos ao Viral, Vânia Caldeira, pneumologista e especialista da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPN), começa por adiantar que “ter alguma sonolência após o almoço é normal”.

Segundo a médica, existem vários fatores que contribuem para a sensação de sono depois do almoço. Por um lado, “há alguns fatores mais biológicos que têm que ver com a génese do sono”. 

De manhã, “quando despertamos, o nosso ritmo circadiano, ou seja, o nosso relógio biológico, favorece a vigília”. Por isso, “se dormimos bem e conseguimos recuperar, de manhã, a nossa pressão de sono está em níveis mínimos” e “a tendência a adormecer é baixa”.

No entanto, prossegue a especialista, “à medida que o dia avança, vamos perdendo o estado de vigília”.

Do mesmo modo, também se vai “acumulando a pressão de sono ao longo do dia”, devido ao facto de “se estar acordado há muito tempo”.

Além disso, “pensa-se que, para poupar energia para a digestão, o próprio processo de digestão parece diminuir o fluxo cerebral”, acrescenta.

Portanto, frisa, parece haver “um menor funcionamento cerebral no momento pós-refeição”, o que também pode contribuir para a sonolência neste contexto.

Para mais, conclui, “a alimentação também tem impacto”. Por exemplo, “se a pessoa comer uma refeição mais copiosa, com mais carboidratos e mais gorduras, vai ter tendência a ter mais sonolência” (ver também aqui).

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Como lidar com a sonolência após o almoço?

Em primeiro lugar, salienta-se num texto informativo publicado no site da Sleepfoundation.org, uma organização americana, é importante “adotar práticas saudáveis de higiene do sono”, porque “a sonolência após as refeições pode ser significativamente pior se não se dormir o suficiente e com qualidade”.

Além disso, do ponto de vista de Vânia Caldeira, “tudo o que nos estimula pode contrariar esta sonolência”.

Por um lado, o exercício físico pode ser uma boa forma de combater a sensação de sono após o almoço. 

“Muitas pessoas conseguem encaixar o exercício físico na hora do almoço, o que, do ponto de vista de qualidade de sono à noite, é bom”, pois o ideal é que o exercício seja feito “de manhã ou à hora do almoço”, defende a especialista.

A exposição à luz também é uma estratégia eficaz e recomendada. Segundo a médica, contrariamente ao que se recomenda à noite, durante o dia é benéfico haver uma pequena exposição ao sol.

Isto pode ser feito, exemplifica, num simples “passeio perto do trabalho, mas com exposição solar, que no nosso país é uma coisa relativamente fácil de fazer”.

Por outro lado, “o café também ajuda, se a pessoa não tiver insónias, ou se não houver outra contraindicação”, acrescenta.

No texto da Sleepfoundation.org ainda se considera importante ter uma ingestão de água adequada ao longo do dia, porque fazer isto “pode melhorar o estado de alerta e manter a sonolência sob controlo”.

Por fim, recomenda-se a adoção de uma dieta nutritiva rica “em vegetais e frutas” e pobre “em gorduras saturadas” e “alimentos processados”.

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Quando é que a sonolência pode ser um sinal de alerta?

Segundo Vânia Caldeira, alguma sonolência após o almoço pode ser normal, mas é preciso ter atenção aos sinais de alerta.

“Depois do almoço, se uma pessoa tem uma reunião e tem de estar atenta e a assistir, mas não está a fazer nada de ativo, pode ser difícil manter-se acordada”, exemplifica.

No entanto, a partir do momento em que “a sonolência impacta, de facto, a vida da pessoa, é importante procurar ajuda”.

Se começa a ser habitual “a pessoa adormecer numa reunião, enquanto trabalha, numa sala de espera” ou até em situações de alguma atividade, como enquanto conduz, “é preciso perceber a causa dessa sonolência”, que “não é normal”, aponta.

A especialista adianta que podem existir várias causas para uma sonolência excessiva, sendo que “provavelmente a mais comum é a privação de sono”. 

Outra causa muito prevalente é a apneia do sono. “Nem todas as pessoas com apneia do sono têm sonolência durante o dia, mas, de facto, é um sintoma muito frequente”, neste contexto.

Além disso, na perspetiva de Vânia Caldeira, também é comum os adolescentes sentirem sonolência durante o dia.

Isto deve-se, não só “ao seu cronotipo mais tardio” (ou seja, só começam a ter sono mais tarde), mas também “a mecanismos comportamentais”.

O facto de estarem muito expostos à luz (e durante mais tempo) dos dispositivos eletrónicos leva a que tenham tendência a adormecer ainda mais tarde.

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Por fim, “existem ainda algumas doenças do sono raras, como, por exemplo, a narcolepsia”, que consiste em “ataques de sono”, refere a médica. Estes doentes sentem “um sono completamente incoercível, que não conseguem controlar, mesmo que se esforcem”, explica.

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Sono

28 Mai 2024 - 02:27

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