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Química ou física? Um guia para esfoliar a pele

15 Dez 2025 - 08:45

Química ou física? Um guia para esfoliar a pele

Para muitas pessoas, a esfoliação é um passo fundamental na rotina de cuidados de pele (ou skincare). Ainda assim, persistem algumas dúvidas sobre como e quando se deve esfoliar a pele. Com que frequência é recomendado fazer a esfoliação da pele? Devo preferir a esfoliação química ou a física? Todas as pessoas podem esfoliar a pele?

Em declarações ao Viral, Ana Sofia Pereira, dermatologista no Hospital CUF Descobertas e na Clínica CUF Estádio José Alvalade – Lisboa, esclarece dúvidas comuns sobre a esfoliação da pele e os cuidados a ter.

Quais os benefícios da esfoliação da pele?

A dermatologista começa por explicar que a esfoliação “consiste em promover a remoção das células mortas da camada mais superficial da epiderme (camada córnea), através de um objeto ou produto com ação abrasiva”.

Esta ação tem potenciais benefícios, tais como: “melhorar a textura da pele, contribuindo para uma pele mais lisa, uniforme e luminosa”; e “promover a desobstrução dos poros e controlar o excesso de produção sebácea, o que poderá contribuir para a diminuição dos comedões abertos (designados vulgarmente como “pontos negros”) e dos surtos de acne”.

Além disso, esfoliar a pele também pode “melhorar o encravamento dos pelos”, “favorecer a penetração de outros produtos (cremes, séruns, loções) aplicados na pele, melhorando a sua eficácia”, e “ativar a circulação sanguínea e oxigenação das células, através da massagem de aplicação”, acrescenta.

Com que frequência é recomendado esfoliar a pele? 

A frequência é um dos cuidados essenciais na esfoliação da pele. Segundo Ana Sofia Pereira, “não é recomendado esfoliar a pele todos os dias, especialmente quando falamos de métodos de esfoliação física”.

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Em relação ao rosto, “a esfoliação deve ocorrer em média uma vez por semana, mas tal vai depender do método de esfoliação, do tipo de pele e até dos tratamentos que a pessoa está a aplicar naquele momento”, explica a médica. 

De modo geral, “uma pele mais oleosa ou espessa deve ser esfoliada mais vezes do que uma pele mais seca ou fina”. 

A esfoliação da pele do rosto pode ser integrada na rotina de skincare, “fazendo-o preferencialmente à noite”, sendo que se deve “aplicar o esfoliante depois da lavagem (ou lavar e esfoliar num só passo, se o produto utilizado assim o permitir) e antes de colocar os restantes produtos”, esclarece. 

Em termos práticos, “o esfoliante deve ser aplicado com movimentos circulares suaves distribuídos por toda a face, mas com maior incidência nas áreas mais oleosas como a zona T (testa, nariz e queixo)”.

Neste contexto é importante evitar o contorno de olhos, “bem como os lábios para os quais existem esfoliantes específicos”, sublinha a especialista.

Por outro lado, “o corpo pode ser esfoliado mais frequentemente do que a face, cerca de duas a três vezes por semana, sendo o esfoliante habitualmente aplicado no banho”.

Aqui, “a região genital deve ser evitada e é preciso cuidado redobrado com as pregas (axilas, virilhas)”.

Isto porque “são zonas de pele mais fina em que o esfoliante usado, por exemplo, para os cotovelos e para os joelhos (onde temos pele mais grossa) pode ser demasiado agressivo”, explica.

Devo optar por esfoliação física ou química?

Há dois tipos de esfoliação da pele: a física (ou mecânica) e a química. A esfoliação física “consiste no uso de um esfoliante com partículas abrasivas (grânulos) ou na utilização de uma ferramenta como uma esponja, para remover fisicamente as células mortas da pele”, explica Ana Sofia Pereira.

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Já a esfoliação química “consiste na aplicação de cremes ou outros produtos tópicos com substâncias químicas, que rompem as ligações intercelulares, causando o seu desprendimento sem necessidade de realizar fricção mecânica”.

Qualquer um dos tipos de esfoliação pode ser feito, tanto no rosto como no corpo. No entanto, “a espessura da pele é naturalmente muito diferente dependendo do local anatómico”.

Por exemplo, a pele do rosto é muito mais fina do que a pele das plantas dos pés. Por esse motivo, “os esfoliantes faciais e corporais são necessariamente diferentes, já que a capacidade abrasiva do produto utilizado deve ser menor na face e maior no corpo”, esclarece a dermatologista.

No que diz respeito à pele do rosto, sobretudo, “alguém que desconheça a tolerância da sua pele a esfoliação, será preferível começar por aplicar um esfoliante químico mais leve, com baixa concentração de alfa-hidroxiácidos ou de ácido salicílico, em vez de fazer uma esfoliação física, que tem maior risco de ser demasiado intensa”, defende.

Por outro lado, “pessoas com pele oleosa e mais espessa podem preferir tratamentos químicos mais fortes ou esfoliação mecânica”, refere-se num texto da Associação Americana de Dermatologia (AAD). 

Contudo, sublinha-se, pessoas com “um tom de pele mais escuro”, ou que notem “manchas escuras na pele após queimaduras, picadas de insetos ou surtos de acne”, devem evitar a esfoliação química ou mecânica forte.

Em termos de composição, estes produtos são muito variáveis. Os produtos de esfoliação física convém terem “partículas granulosas, que podem ser desde grânulos de sílica ou alumínio, até partículas de celulose ou de sementes naturais”, aponta Ana Sofia Pereira. 

Os ingredientes ativos mais habituais num esfoliante químico “são ácidos, como, por exemplo, o ácido glicólico, ácido lático, ácido mandélico, ou ácido salicílico”.

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Acima de tudo, o mais importante é “utilizar esfoliantes adequados ao tipo de pele que se quer tratar – por exemplo, não utilizar o esfoliante corporal na face ou vice-versa”, salienta a médica.

Quais os cuidados essenciais a ter com a pele após a esfoliação?

Depois de esfoliar a pele, deve-se lavá-la “com água morna, retirando todo o produto esfoliante usado, e de seguida aplicar um hidratante neutro”, recomenda Ana Sofia Pereira.

Tal como se explica no texto da AAD, “a esfoliação pode ressecar a pele” e aplicar um hidratante mantém “a pele saudável e hidratada”.

Além disso, “é recomendado evitar a exposição solar direta após a esfoliação, uma vez que a pele vai estar mais sensível à radiação e o risco de queimadura solar é maior”, sublinha Ana Sofia Pereira.

Também é importante não esfoliar em demasia. “Os principais sinais de excesso de esfoliação são pele vermelha ou irritada, com sensação de ardor e/ou picada”, aponta a médica (ver também aqui).

Esfoliar em excesso, com demasiada força, ou com um produto inadequado pode ainda “causar microfissuras na pele que interferem na integridade da barreira cutânea e desencadear um eczema irritativo”.

Em caso de doença de pele, “pode haver agravamento” de acne ou rosácea, por exemplo. Mais raramente, “há também a possibilidade de hiperpigmentação pós-inflamatória, ou seja, de a pele ficar com manchas escuras”, refere.

Todas as pessoas podem esfoliar a pele?

Depende. As pessoas sem qualquer tipo de doença de pele podem fazer esfoliação. Mas, mesmo neste contexto, deve-se ter alguns cuidados.

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“Pele vermelha, queimada do sol ou acabada de depilar, bem como uma pele muito fina, infetada ou com feridas, não deve ser esfoliada”, salienta Ana Sofia Pereira.

Por outro lado, “pessoas que sofrem de patologias cutâneas como acne, rosácea e/ou melasma não devem esfoliar a pele sem aconselhamento específico por parte do seu dermatologista”.

Por exemplo, “embora a esfoliação possa ter um papel benéfico quando bem realizada, é frequente que a pele com acne não só não melhore como até piore após a esfoliação, uma vez que a aplicação de agentes irritativos pode promover e perpetuar a inflamação da pele”. 

O mesmo acontece em doentes com rosácea, “que têm uma pele muito sensível e hiper-reativa, e também no melasma, cuja componente inflamatória não devemos ignorar”, acrescenta a dermatologista.

15 Dez 2025 - 08:45

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