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Prevê-se que, até 2050, os portugueses vivam menos quase dois anos devido a cancro?

7 Dez 2025 - 08:45
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Prevê-se que, até 2050, os portugueses vivam menos quase dois anos devido a cancro?

Em 2021, o cancro foi a segunda principal causa de morte (23%) em Portugal, de acordo com o perfil do cancro em Portugal de 2025, apresentado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e pela Comissão Europeia (CE). Só as doenças do sistema circulatório levaram à morte de mais pessoas (23%).

Com a deteção precoce e tratamentos mais eficazes, a taxa de mortalidade por cancro tem vindo a diminuir, ainda que a um ritmo mais lento do que na Europa. E os homens têm o dobro do risco de morte em relação às mulheres.

Entre 2010 e 2020, a prevalência da doença em Portugal aumentou 27%. Os dados mostram que na Europa, por minuto, cinco pessoas descobrem que têm cancro. 

“Embora próxima da média da União Europeia (UE), prevê-se que a incidência estimada do cancro em Portugal aumente 20% até 2040, com o país a registar atualmente as mais elevadas taxas de cancro do estômago e pediátrico da UE”, lê-se também no documento da OCDE e CE.

Tudo isto tem impacto na saúde pública. Mas que impactos concretos? O aumento de diagnósticos de cancro terá impacto na esperança média de vida dos portugueses, apesar da diminuição da taxa de mortalidade?

Está previsto que a esperança média de vida em Portugal diminua quase dois anos devido a cancro?

Sim. “Com a expectativa de aumento da incidência do cancro, o impacto na saúde pública tornar-se-á cada vez mais significativo”, lê-se no relatório que descreve o perfil do cancro em Portugal.

Entre 2023 e 2050, a OCDE e a CE estimam que o cancro seja responsável pela redução da esperança média de vida no país em 1.9 anos, quando comparado a um cenário sem cancro.

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A média da UE situa-se próxima de Portugal, mas em países como França, Dinamarca, Hungria e Países Baixos, estima-se que a esperança média de vida pode reduzir até 2.3 anos.

Além disso, o cancro diminui a esperança média de vida saudável — na UE, reduz em 1.6 anos, devido às limitações causadas por sintomas como fadiga, dor e náuseas — e a própria qualidade de vida.

O impacto na saúde mental também já foi estudado. A relação deve-se aos “sintomas associados e efeitos secundários do tratamento” e a eventuais mudanças “na vida quotidiana, nos papéis sociais e no trabalho”.

De acordo com a OCDE, estima-se que o cancro provoque 85 mil casos adicionais de depressão por ano na UE, o que corresponde a 17 casos por 100 mil pessoas.

E Portugal é um dos mais afetados — estima-se que o cancro seja responsável por 31 casos de depressão por cada 100 mil pessoas.


Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

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A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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7 Dez 2025 - 08:45

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