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Presidenciais: Como podem as emoções influenciar o voto? 

13 Jan 2026 - 08:15

Presidenciais: Como podem as emoções influenciar o voto? 

As eleições presidenciais estão marcadas para dia 18 de janeiro. Há sondagens diárias, campanhas e muita informação — tanta que, por vezes, pode parecer difícil decidir em quem votar e saber que características valorizar.

Afinal, como é que se decide em quem se vota? É uma decisão puramente racional? Que fatores importam no momento de pegar na caneta e desenhar uma cruz em frente ao nome do candidato?

Sofia Ramalho, bastonária da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), explica, em entrevista ao Viral, que a decisão costuma ser muito menos “racional e ponderada” do que aquilo que podemos pensar. “O voto é, acima de tudo, uma decisão emocional”, acredita. “Só depois dessa decisão emocional é que as pessoas procuram argumentos para justificar a sua escolha, e não o contrário”.

Quem procuramos num Presidente da República?

“As pessoas precisam de se identificar com a figura em quem vão votar”, adianta a psicóloga. Essa identificação pode cair sobre vários aspetos, como a confiança que o candidato transmite — pela forma como fala, o facto de ter um passado conhecido pelo público, entre outras características — e a própria personalidade.

“Talvez seja importante também ser uma pessoa que já apareça há algum tempo”, alguém que “acabou de aparecer” pode ser prejudicado por não ser ainda conhecido do público em geral. 

“A componente da história é uma componente importante, o percurso de vida pessoal e profissional do candidato” é relevante na construção da confiança.

Claro que “não nos identificamos todos com as mesmas pessoas”, logo os traços valorizados são muito variáveis, mas é importante que o eleitor sinta que o candidato o “respeita e representa”.

Ou seja, “o que está em causa não é a cor política, a ideologia, se é de esquerda, se é de direita” — isto, diz Sofia Ramalho, é particularmente notório no caso de eleições presidenciais, não tanto em legislativas.

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Os autores do livro “Emoções e Comportamento Eleitoral em Portugal”, que partem de um inquérito feito a mil portugueses depois das eleições presidenciais de 2021 para explorar o impacto das emoções no voto e na abstenção, afirmam que há perceções sobre candidatos “mais emocionais do que outros”. Ou seja, algumas “baseiam-se exclusivamente na avaliação das qualidades e outras num equilíbrio entre estas e as expressões emocionais”.

“A figura do candidato” é o que tem mais peso, diz a bastonária da OPP, mais do que qualquer programa eleitoral. Para a consolidação da ideia de uma figura forte parece ser relevante que o candidato tenha uma “trajetória de vitória”, que não haja uma ideia de si fragilizada por grandes derrotas anteriores, por exemplo.

E o “equilíbrio emocional” também parece ter algum impacto na perceção da figura. “A capacidade de resposta e de contenção de conflitos do candidato é importante. Por exemplo, candidatos que não são tão regulados do ponto de vista emocional, que tendem a dramatizar, que tendem a comunicar de uma forma mais agressiva, não transmitem confiança”.

Mas há exceções a essa tendência: “Muitas vezes, usa-se o medo para suscitar mais votos. O medo e a manipulação mexem com a dimensão emocional das pessoas”, e também é possível captar eleitores por essa via, ao “incitar mais à polarização e usar as emoções de uma forma negativa”, diz Sofia Ramalho.  

No sétimo capítulo do livro “Emoções e Comportamento Eleitoral em Portugal”, os autores afirmam que os resultados do inquérito contrariam as suas expectativas e “demonstram como até reações emocionais do espectro da ansiedade podem ser mobilizadoras, se forem suficientemente intensas”. Isto porque André Ventura, um candidato que os inquiridos associavam fortemente a emoções negativas, acabou por ficar em terceiro lugar.

Ainda assim, “à partida, a maior parte das pessoas tenderá a escolher um decisor mais estável”, disse a bastonária da OPP. E o mesmo inquérito mostrou que o vencedor das eleições de 2021, Marcelo Rebelo de Sousa, era de facto, de longe, aquele que mobilizava mais emoções positivas.

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As eleições presidenciais são, historicamente, das menos participadas no sistema político português. E só uma emoção parece afetar essa variável, mas “o seu efeito depende do candidato em causa” — no caso de Marcelo Rebelo de Sousa foi nulo, para Ana Gomes positivo e para André Ventura negativo. Isto quer dizer, segundo os autores do estudo, que “a ansiedade face a André Ventura reduz a probabilidade de um inquirido se ter abstido”.

13 Jan 2026 - 08:15

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