“Pinch test”: Técnica permite detetar o tipo de olheiras e que produtos deve utilizar? É eficaz?
Em vários vídeos partilhados no TikTok diz-se que é possível detetar o tipo de olheiras através do “pinch test”, uma técnica consiste em puxar levemente a pele da olheira e verificar o que acontece à cor. Se a cor escura da pele não desaparecer quando a belisca, supostamente, existe “um problema de pigmentação”. Caso a cor desapareça, quer dizer que a pele é fina e a olheira é “vascular”.
Segundo os vídeos, dependendo do resultado, é possível perceber que produtos se deve utilizar para tratar as olheiras. Por exemplo, caso as olheiras sejam hiperpigmentadas, aconselha-se a utilização de produtos com retinol. Mas será que esta técnica funciona? Como são tratados os vários tipos de olheiras?
Fazer o “pinch test” permite detetar o tipo de olheiras e que produtos deve usar?
Em declarações ao Viral, Alexandra Osório, dermatologista e diretora clínica da DermAge, explica que a técnica mostrada nos vídeos partilhados não é eficaz na deteção do tipo de olheiras.
Por norma, refere a médica, “esta técnica é utilizada para avaliar o grau de flacidez da pálpebra e não para detetar o tipo de olheiras”.
Ao puxar a pele, “se ela voltar ao lugar rapidamente, quer dizer que tem uma boa elasticidade e não tem flacidez”, esclarece.
Caso contrário, ou seja, “se a pele levar mais tempo” a voltar ao lugar, significa “que a pálpebra está flácida” e pode ser necessário “fazer tratamentos antiflacidez, que não é com cosméticos, mas, sim, com lasers adequados à situação”.
Nos vídeos alega-se que, ao seguir-se a técnica, se a cor escura desaparecer, quer dizer que a olheira é vascular e, se não desaparecer, é hiperpigmentada.
No entanto, mesmo que esta técnica funcionasse, há outro problema, na perspetiva de Alexandra Osório. “Há situações mistas”, isto é, uma olheira pode ser vascular e pigmentada. Ao usar-se esta técnica seria ainda mais difícil detetar este tipo de olheira.
Segundo a dermatologista existem, sobretudo, quatro tipos de olheiras: “a hiperpigmentada (tem uma mancha), a vascular, a mista e a depressiva (que tem uma concavidade)”.
Tal como explicava a dermatologista Diana Miguel, em declarações anteriores ao Viral, a olheira hiperpigmentada é “mais frequente em indivíduos de pele morena”, mas também pode aparecer em “doentes com patologias que promovem a hiperpigmentação pós-inflamatória”.
Já a olheira vascular, que tem uma cor “azulada-avermelhada” é “agravada pela falta de sono” e é mais visível “em pessoas de pele muito fina e clara”, estando associada “à congestão vascular à volta do olho”, informava.
Por outro lado, a olheira com concavidade “está relacionada com a própria estrutura anatómica da pessoa”, referia Diana Miguel. “São normalmente olheiras mais profundas, que associamos aos olhos ‘encovados’ e que aparecem escuras pelo efeito da sombra.”
Ao contrário do que se sugere nos vídeos, “o retinol não está indicado na hiperpigmentação da pálpebra”, salienta Alexandra Osório.
A médica explica que este tipo de olheira “trata-se com despigmentantes adequados à pele da pálpebra e lasers” específicos (ver também aqui).
Já as olheiras vasculares só são, de facto, tratadas com “laser vascular”, sendo que, quando se tratam de olheiras mistas, o ideal é recorrer aos “dois tipos de laser”.
Uma olheira que tenha “uma concavidade” trata-se “com preenchimento adequado à pálpebra” (e “não com os preenchimentos que se aplicam no resto da pele da cara”).
O diagnóstico do tipo de olheira só é feito, de forma eficaz e segura, através da “dermatoscopia digital”, realça Alexandra Osório.
Consiste em utilizar “um aparelho” que transmite “uma luz que projeta dentro da pele”. Essa luz permite “ver o pigmento e os vasos locais”, levando ao “diagnóstico mais preciso”, clarifica.
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