Passa depois do parto? 7 perguntas e respostas sobre a diabetes gestacional
A gravidez é um momento particularmente vulnerável. O corpo passa por várias mudanças e é necessário ter cuidados específicos para preservar a saúde da grávida e do bebé. Mesmo tendo todas as precauções, podem surgir problemas, como o desenvolvimento de diabetes gestacional.
Mas o que é a diabetes gestacional? Como é tratada? Passa depois do parto? Neste artigo do Viral, encontra sete perguntas e respostas sobre a diabetes gestacional.
O que é a diabetes gestacional?

A diabetes, em si, é uma doença metabólica caracterizada por níveis elevados de glicose (açúcar) no sangue, tal como se explica num texto publicado no MedlinePlus, um site de informação sobre saúde que pertence aos Institutos Nacionais da Saúde (NIH, na sigla inglesa) dos Estados Unidos.
Pessoas que não têm diabetes têm os seus níveis controlados pela insulina, uma hormona que “ajuda a glicose a entrar nas células para lhes dar energia”.
Quando se tem diabetes tipo 1, “o corpo não produz insulina”. Já no que diz respeito à diabetes tipo 2, “o corpo não produz ou não utiliza bem a insulina” e “sem insulina suficiente, a glicose permanece no sangue”, esclarece-se no mesmo texto.
Algumas pessoas, mesmo não tendo a doença previamente, “podem desenvolver diabetes durante a gravidez”, conhecida como “diabetes gestacional”.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “a diabetes gestacional é uma hiperglicemia com valores de glicose no sangue acima do normal, mas abaixo dos valores de diagnóstico de diabetes”.
Por norma, a diabetes gestacional “desenvolve-se por volta da 24.ª semana de gravidez”, salienta-se no texto do MedlinePlus.
Quais as causas?

Por si só, a gravidez proporciona certas condições para o desenvolvimento de diabetes gestacional. “A gravidez é um estado fisiológico da vida da mulher que implica alterações endócrinas e metabólicas que propiciam o aumento dos níveis médios da glicemia (açúcar no sangue), sobretudo a partir do 2.º trimestre”, lê-se num texto da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM).
Além disso, refere-se num documento da Associação Americana de Diabetes, “durante a gravidez, a placenta produz muitas hormonas” e algumas “impedem a insulina de transportar a glicose para as células”.
Quando o corpo “não consegue manter o açúcar no sangue num intervalo saudável” pode desenvolver-se diabetes gestacional.
Em conjunto, “fatores genéticos e de estilo de vida” também contribuem para esta condição (ver aqui).
Quem tem maior risco de desenvolver diabetes gestacional?

Em primeiro lugar, salienta a SPEDM, mulheres que já tenham diabetes antes da gravidez têm tendência para o agravamento da condição.
Mesmo que a mulher não tenha diabetes, há um conjunto de fatores de risco que podem torná-la mais suscetível.
Ter “idade superior a 35 anos”, “excesso de peso ou obesidade”, “hipotiroidismo” ou fazer “terapêutica com fármacos como corticoides” são alguns dos fatores de risco relevantes para desenvolver diabetes gestacional.
Para mais, realça-se no texto do MedlinePlus, quem “tem um historial familiar de diabetes” ou quem já “teve diabetes gestacional numa gravidez anterior” também corre um risco acrescido.
No mesmo sentido, mulheres com síndrome do ovário poliquístico são mais suscetíveis a ter diabetes gestacional.
Como muitos dos fatores de risco são controláveis, a melhor forma de reduzir o risco de doença é fazer “mudanças no estilo de vida”, defende-se num texto dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglesa) dos Estados Unidos.
Estas mudanças “incluem a perda de peso (se tiver excesso de peso), uma dieta saudável e a prática regular de atividade física”, acrescenta-se.
Causa sempre sintomas?

Por norma, a diabetes gestacional não causa sintomas (ver aqui, aqui e aqui). Caso se verifiquem, “podem ser ligeiros, como ter mais sede do que o normal ou ter de urinar mais vezes”, lê-se no texto dos CDC.
No entanto, estes sintomas “são comuns durante a gravidez e não são necessariamente um sinal de diabetes gestacional”, alerta-se num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).
Por esse motivo, “a maioria dos casos só é descoberta quando os níveis de açúcar no sangue são testados durante o rastreio da diabetes gestacional”, clarifica-se.
Como é que a diabetes gestacional afeta a gravidez?

Segundo a OMS, “as mulheres com diabetes gestacional correm um risco acrescido de complicações durante a gravidez e no parto”.
Algumas dessas complicações são: “aumento excessivo de peso, pré-eclampsia e eclampsia [aumento da pressão arterial], traumatismos de parto, necessidade de cesariana, polihidrâmnios (líquido amniótico em excesso)” e “parto pré-termo”, assinala-se no texto da SPEDM.
Em relação ao bebé, em específico, a diabetes gestacional “associa-se a maior risco de macrossomia [excesso de peso no nascimento], atraso da maturação pulmonar” e “distócia de ombros (traumatismo por incompatibilidade fetopélvica)”.
O bebé pode ainda ter “complicações metabólicas no período neonatal como hipoglicemia, hipocalcemia ou icterícia neonatal [coloração amarela da pele e dos olhos] e risco aumentado de obesidade e diabetes no futuro”, acrescenta-se no mesmo texto.
Ainda assim, aponta o NHS, estes riscos “podem ser reduzidos se a doença for detetada precocemente e bem gerida”.
Qual o tratamento?
Na perspetiva das organizações e instituições nacionais e internacionais de saúde, a base do tratamento da diabetes gestacional é a alimentação adequada ao longo da gravidez.
Segundo a SPEDM, o plano alimentar “deverá ter em conta o peso inicial da grávida, as suas necessidades nutricionais, os seus gostos, os seus hábitos, o seu estilo de vida e a sua cultura”.
Se não houver contraindicação médica, “a manutenção de atividade física regular também ajuda a controlar” a doença.
Para garantir que “os níveis se mantêm num intervalo saudável”, é igualmente importante “verificar o açúcar no sangue” de forma frequente, realça o NHS.
Em alguns casos, é possível que as mudanças na alimentação sejam insuficientes para controlar a doença. Nessas circunstâncias, deve-se recorrer a uma “terapêutica farmacológica”, recomenda a SPEDM.
“O fármaco de primeira linha para a diabetes na gravidez é a insulina, mas a metformina (que é um medicamento administrado por via oral) também é usado com segurança, sobretudo nos 2.º e 3.º trimestres de gravidez”, explica a mesma fonte.
A diabetes gestacional passa sempre depois do parto?

A diabetes gestacional, tal como o nome indica, “só está presente durante a gravidez”, adianta-se no texto da Associação Americana de Diabetes.
Contudo, segundo a OMS, é importante ter em conta que mulheres com diabetes gestacional, “e possivelmente os seus filhos, correm também um risco acrescido de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro”.
Por esse motivo, “é fundamental que se mantenham hábitos de vida saudáveis e peso controlado com plano nutricional e de atividade física adequados”, aconselha a SPEDM.
As mulheres que tiveram diabetes gestacional devem ser testadas novamente “entre 4 a 12 semanas após o parto”, refere-se no texto do MedlinePlus.
“Mesmo que os níveis de glicose no sangue tenham voltado ao normal, terá de os testar a cada 1 a 3 anos”, acrescenta-se (ver também aqui).
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