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Péptidos injetáveis: Tendência do TikTok é arriscada e não tem fundamento

14 Set 2026 - 08:15

Péptidos injetáveis: Tendência do TikTok é arriscada e não tem fundamento

Nas redes sociais, multiplicam-se vídeos em que os péptidos injetáveis são apresentados como uma suposta solução para vários objetivos: estimular a produção de colagénio, combater os sinais do envelhecimento, aumentar a energia ou até melhorar a recuperação física. Mas o que se sabe sobre estes produtos? Existe evidência que sustente estes benefícios? Há riscos associados à utilização de péptidos injetáveis?

O que são péptidos?

Os péptidos são cadeias curtas de aminoácidos, ou seja, “são unidades mais pequenas do que uma proteína e maiores que aminoácidos”, começa por explicar Sara Fernandes, farmacêutica especializada em dermocosmética e autora do blog  Make Down, em declarações ao Viral.

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Além disso, são “substâncias biomiméticas”, isto é, são desenvolvidas em laboratório para imitar a estrutura, a função e o comportamento de componentes presentes naturalmente no organismo.

 A insulina (produzida pelo pâncreas para regular o açúcar no sangue) e as endorfinas (libertadas pelo sistema nervoso central para bloquear os sinais de dor e aliviar o stress) são exemplos de péptidos que o corpo produz (ver aqui).

Nesse sentido, existem medicamentos – aprovados pelas autoridades de saúde nacionais e internacionais – que são compostos por péptidos, como, por exemplo, “a insulina injetável para o controlo da glicemia” e “os medicamentos à base de GLP-1” (como o Ozempic, o Mounjaro e o Wegovy), que “tratam a obesidade e a diabetes tipo 2”, lê-se num texto da Harvard Medical School.

Na cosmética, também existem, “há muitos anos, produtos com péptidos legais e aprovados para uso tópico”, sublinha Sara Fernandes. Servem sobretudo para “ajudar na prevenção do envelhecimento da pele”. Outros também “atuam nas manchas”, acrescenta.

Os péptidos injetáveis
têm benefícios comprovados?

Não existe evidência científica de que os péptidos injetáveis (promovidos no TikTok e noutras redes sociais) sejam eficazes e seguros (ver também aqui e aqui). Até porque estes produtos não são regulamentados, nem estão aprovados pelas autoridades competentes.

Muitas vezes, “as pessoas que vendem, de forma indiscriminada, frascos de péptidos provenientes da China estão a extrapolar resultados obtidos em estudos de aplicação tópica”, adianta Sara Fernandes.

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Além disso, alguns destes péptidos têm ainda muito pouca evidência científica e, em certos casos, tratam-se de substâncias diferentes das que foram estudadas para uso tópico.

Uma das alegações mais partilhadas é que os péptidos injetáveis estimulam a produção de colagénio, mas este potencial benefício só se verifica nas versões tópicas.

Mesmo os produtos de uso tópico “são moléculas que não são usadas assim há tanto tempo na cosmética”. Apesar de existirem alguns estudos, não há tanta evidência como “no caso dos retinoides”, aponta a farmacêutica.

Não quer dizer que os péptidos tópicos “não sejam eficazes, quer apenas dizer que são mais recentes e que não temos tanta evidência como temos de moléculas mais antigas”, esclarece.


Quais os riscos da utilização destes produtos?

“Para começar, ninguém sabe o que está dentro destes frascos, se são péptidos sequer”, adianta Sara Fernandes. Isto porque não são produtos regulamentados e são comercializados de forma ilegal.

Mesmo que sejam péptidos, há outro problema: “não sabemos se a solução é estéril para ser injetada”. O produto pode estar contaminado com alguma bactéria, fungo ou vírus.

Além disso, “a maioria das pessoas não sabe administrar um injetável, não tem esse conhecimento”. A farmacêutica explica que “injetar num grande músculo é diferente de injetar num músculo mais pequeno, que é diferente de injetar na veia”. 

Nos medicamentos, existem “indicações muito precisas relativamente a que zona é que podemos injetar”.
Por exemplo, “os agonistas de GLP-1 são intramusculares, por isso, devem ser aplicados na zona abdominal, na zona dos membros inferiores ou nos membros superiores”. Essa informação vem descrita no RCM (Resumo das Características do Medicamento). Mas nesse caso estamos a falar de medicamentos, não de produtos que não têm aprovação legal para comercialização.

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Assumindo que se tratam de péptidos, que se trata de uma solução estéril e a pessoa sabe administrar um injetável, “não há evidência suficiente de que este produtos tenham os benefícios” partilhados nas redes sociais.

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Pele

14 Set 2026 - 08:15

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