Pais divorciados: Como apoiar as crianças no primeiro Natal após a separação
O Natal é uma celebração muito associada à família, à união partilhada e aos rituais e tradições que passam de geração em geração. Por isso, esta época do ano pode ser particularmente sensível quando há um divórcio recente na família, despertando emoções intensas tanto nos adultos como nas crianças.
O primeiro Natal após a separação pode ser especialmente difícil, e é importante que os pais estejam atentos às necessidades emocionais dos filhos e saibam como apoiá-los neste momento de adaptação. Mas como? Tânia Gaspar, psicóloga, professora e diretora do Serviço de Psicologia, Inovação e Conhecimento da Universidade Lusófona, responde.
Como apoiar as crianças no primeiro Natal após o divórcio dos pais
Antes de mais, Tânia Gaspar explica que, quando do divórcio é recente, é natural os próprios pais sentirem “tristeza, tensão ou desconforto”, porque ainda estão a fazer o “luto do casamento e daquele projeto de vida”. No entanto, é fundamental que, mesmo assim, mantenham uma atitude “colaborativa, positiva e construtiva” e priorizem “o bem-estar dos filhos”.
A psicóloga lembra que, do ponto de vista pragmático, a separação dos pais leva a que, muitas vezes, tenha de haver um reajuste na preparação do Natal e uma série de decisões partilhadas sobre como serão feitas as celebrações.
Neste ponto, Tânia Gaspar defende que os pais devem “procurar, diplomaticamente, encontrar uma situação de consenso que faça com que estas mudanças tenham o menor impacto possível no bem-estar e naquele momento familiar”.
Por exemplo, explica, se a família da mãe der mais importância à véspera de Natal e a família do pai preferir o dia de Natal, pode fazer sentido que a criança passe a véspera com a mãe e o dia de Natal com o pai. Se essa hierarquia não existir, podem encontrar-se soluções, como, por exemplo, alternar essas datas de ano para ano ou dividir o tempo de forma equilibrada.
Além disso, a psicóloga consultada pelo Viral considera crucial garantir o contacto da criança com os dois lados da família e assegurar, junto dela, “a continuidade das culturas e dos rituais familiares”, seja a abertura das prendas, a ceia de Natal, as músicas, as histórias ou outras tradições a que esteja habituada.
Por outro lado, pode ser importante criar tradições e memórias novas, para fazer a criança sentir a alegria do Natal, mesmo quando há alterações na dinâmica familiar. Por exemplo, se a criança está habituada a ter a casa cheia na véspera de Natal, mas, no lado em que vai passar esse dia, a família for pequena e só com adultos, pode ser útil investir em novos momentos especiais, como “envolver a criança no ritual de preparação dos doces, ir dar um passeio ou fazer atividades diferentes”.
Tânia Gaspar defende que é fundamental, antes das celebrações, os pais falarem com as crianças e, sobretudo, com os adolescentes, sobre as mudanças que vão acontecer e mostrar-lhes que, apesar da separação, “continuam a ser pais e a querer o bem dos filhos”.
Assim sendo, os pais devem também evitar falar mal um do outro na presença das crianças ou deixar que as respetivas famílias façam comentários negativos sobre o outro lado.
Por fim, a separação não deve ser o tema central das conversas à mesa, mas também não é preciso “fingir que não aconteceu ou evitar o assunto”.
No fundo, conclui, “o ideal é as coisas serem tratadas de uma maneira natural, saudável e que se aproveite aquele momento de partilha e de estar em família sem que a separação tenha um peso muito grande”.