Osteoblastoma: 5 perguntas e respostas sobre o tumor benigno que Julio Iglesias teve em jovem
A saúde do cantor Julio Iglesias ganhou destaque nos últimos dias, quando foi levantada a possibilidade de o cantor ter sido diagnosticado com osteoblastoma, um raro tumor benigno. A doença estaria, alegadamente, a deteriorar de forma progressiva a sua saúde física, chegando ao ponto de lhe causar dificuldade em andar.
No seguimento das alegações, Julio Iglesias esclareceu o assunto ao explicar que, de facto, teve um osteoblastoma na coluna vertebral quando era um jovem adulto, mas, na altura, foi submetido a uma cirurgia e, passado um ano e meio, já estava recuperado. Mas o que é um osteoblastoma? Quais os sintomas e como é tratado?
Neste artigo do Viral, respondemos a cinco perguntas sobre o tumor benigno diagnosticado a Julio Iglesias.
O que é um osteoblastoma?
Segundo a informação disponível nos sites de várias organizações e instituições internacionais de saúde, um osteoblastoma é um tumor benigno (não é cancro) raro que afeta os ossos (ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
Tal como se refere num texto da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS, na sigla inglesa), o osteoblastoma pode desenvolver-se “nos ossos da coluna vertebral” – como foi o caso de Julio Iglesias – ou nos ossos das pernas, mãos e pés.
Importa salientar que, apesar de poder desenvolver-se em qualquer osso, “cerca de 40% dos osteoblastomas” ocorrem “nos ossos da coluna vertebral”, salienta-se num texto do Centro Médico da Universidade de Columbia (CUIMC, na sigla inglesa).
O tumor é “de crescimento lento”, mas pode atingir “mais de 2 cm de diâmetro”, refere-se no texto da AAOS.
Quando se tem um osteoblastoma, o osso normal e saudável dissolve-se e o tumor “produz um novo tipo de material ósseo anormal”, que se acumula “à volta do osso normal”, explica-se.
Como este material “é mais fraco do que o osso normal, a área em redor do tumor torna-se mais vulnerável a fraturas”, acrescenta-se no mesmo texto.
Quais os sintomas?
Embora sejam benignos, “os osteoblastomas da coluna vertebral podem causar sintomas graves”, realça-se no texto do CUIMC.
Dado que os osteoblastomas “têm um crescimento lento, os doentes têm normalmente sintomas durante cerca de 2 anos antes de o tumor ser detetado”, aponta-se no site da AAOS.
O sintoma mais comum do tumor é, sobretudo, “uma dor incómoda que se agrava com o tempo”, refere-se no mesmo texto.
Os restantes sintomas vão depender da localização específica do osteoblastoma. “Se o tumor estiver localizado numa extremidade (braço ou perna), o doente pode sentir inchaço, fraqueza ou coxear”, salienta-se.
Por outro lado, lê-se no texto do CUIMC, “os osteoblastomas da coluna vertebral podem causar espasmos musculares que provocam escoliose”, “geralmente dolorosa”.
À medida que o tumor cresce, pode também “colidir com estruturas próximas, como a medula espinhal”, danificando “esses tecidos delicados”, explica-se.
Isto pode causar “dor que irradia para os braços ou pernas”, “fraqueza”, “dormência”, “falta de coordenação nos braços e pernas” e “perda de controlo do intestino e da bexiga”, acrescenta-se.
Quem corre maior risco?
De acordo com a informação disponibilizada pelo CUIMC e pela AAOS, as causas dos osteoblastomas não são conhecidas, mas sabe-se que são mais frequentes em adolescentes e jovens adultos (entre os 10 e os 30 anos).
Além disso, são tumores mais comuns em homens do que mulheres.
Como se trata um osteoblastoma?
Em muitos casos, diagnostica-se um osteoblastoma pela localização, tamanho e aspeto que o tumor apresenta numa radiografia. Podem ser necessários outros exames, como uma tomografia computadorizada (TAC) e uma ressonância magnética (RM).
Por norma, um diagnóstico só é considerado definitivo através de uma biópsia, “um procedimento em que parte do tumor é removida para ser estudada num laboratório”, refere-se no texto do Centro Clínico da Universidade de Columbia.
Feito o diagnóstico, “a cirurgia é o tratamento de eleição”. No entanto, mais uma vez, o sucesso do tratamento pode depender da localização do tumor.
“O objetivo da cirurgia é a remoção completa do tumor”, mas “este é um processo mais difícil para os osteoblastomas da coluna vertebral”, porque “pode não ser possível remover todo o tumor em segurança”, sublinha-se no mesmo texto.
Ainda assim, garante-se, “o resultado é muito bom para a maioria dos doentes”.
Segundo a AAOS, no caso de o osteoblastoma se desenvolver na coluna vertebral, depois de ser removido, “pode ser necessária uma fusão espinhal para apoiar a área”. Em termos práticos, tenta-se “realinhar e fundir os ossos enfraquecidos da coluna vertebral, de modo que estes se transformem num único osso sólido”, esclarece-se.
Após a cirurgia, o tumor pode voltar “em cerca de 15 a 25%” dos casos”. Isto porque pode não ter sido possível removê-lo completamente “sem causar danos nas estruturas”. Se voltar, pode ser outra vez removido.
O tumor pode tornar-se maligno?
Num texto do Instituto Nacional do Cancro (NCI) dos Estados Unidos, explica-se que “vários tipos de tumores ósseos benignos podem, em casos raros, tornar-se malignos e espalhar-se para outras partes do corpo”.
Nestes tipos de tumores incluem-se os osteoblastomas, que têm “um pequeno risco de se tornarem cancerígenos”, salienta-se no site da Sociedade Canadiana do Cancro.