OMS recomenda uso alargado de medicamentos para tratar obesidade
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou, pela primeira vez, o alargamento da utilização de medicamentos agonistas de recetores de GLP-1, uma classe de fármacos que inclui medicamentos como Ozempic e Mounjaro, para tratar a obesidade.
Os medicamentos agonistas de recetores de GLP-1 foram desenvolvidas, inicialmente, para o tratamento da diabetes tipo 2, mas “demonstraram reduções clinicamente significativas e duradouras no peso corporal em ensaios clínicos, juntamente com uma série de benefícios para a saúde”, lê-se no guia publicado esta segunda-feira pela OMS.
“A obesidade é um grande desafio global de saúde que a OMS está empenhada em enfrentar, apoiando países e pessoas em todo o mundo para controlá-la de forma eficaz e equitativa. As novas diretrizes reconhecem que a obesidade é uma doença crónica que pode ser tratada com cuidados abrangentes e ao longo da vida”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em comunicado.
“Embora a medicação sozinha não resolva essa crise global de saúde, as terapias com GLP-1 podem ajudar milhões de pessoas a superar a obesidade e reduzir danos e ela associados”.
Em Portugal, até junho deste ano, o Infarmed dava conta da venda de 37 mil embalagens por mês de semaglutido (a substância ativa do Ozempic) — um aumento de 10% face às vendas em 2024, que têm vindo a crescer de ano para ano. Estas terapias apenas são comparticipadas pelo Serviço Nacional de Saúde se usadas para doentes diabéticos.
O guia publicado pela OMS pretende “apoiar a tomada de decisões a nível nacional para promover a integração segura, equitativa e adequada” destas terapias no tratamento da obesidade.
“A obesidade afeta pessoas em todos os países e foi associada a 3,7 milhões de mortes em todo o mundo em 2024. Sem medidas decisivas, prevê-se que o número de pessoas com obesidade duplique até 2030”, lê-se no comunicado da OMS.
A diretriz publicada pela OMS apela a “ações em relação à produção, à acessibilidade e à prontidão dos sistemas para atender às necessidades globais”. Porque “mesmo com a rápida expansão da produção, prevê-se que os agonistas de recetores de GLP-1 alcancem menos de 10% das pessoas que poderiam se beneficiar delas até 2030”.
Em setembro de 2025, este medicamentos tinham sido incluídos na lista de medicamentos essenciais da OMS — aqueles que a organização considera que devem ser “universalmente acessíveis” — para regular diabetes tipo 2 em grupos de alto risco.