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Tem obstipação quando viaja? Entenda porquê e o que fazer

5 Jan 2026 - 08:45

Tem obstipação quando viaja? Entenda porquê e o que fazer

A mudança de rotina nas férias, e até durante pequenas viagens, pode desencadear obstipação em algumas pessoas. Mas porque é que há quem sofra com prisão de ventre neste contexto e quem não sinta efeito nenhum na frequência com que vai à casa de banho? O que fazer para prevenir? Como lidar com a obstipação nas férias ou em viagens?

Porque é que algumas pessoas têm obstipação quando viajam ou vão de férias? 

Há pessoas que sofrem com obstipação sempre que vão de férias ou que fazem uma viagem (ver aqui, aqui, aqui e aqui). Mas não há uma razão única que o justifique.

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Em declarações ao Viral, o gastroenterologista Ricardo Veloso explica que existem vários fatores que podem contribuir para episódios de obstipação nestes contextos, sendo que “o estilo de vida e os hábitos prévios” desempenham papel crucial na maioria dos casos.

Desde já, “mudanças nos hábitos diáriossono, horários de refeições, nível de atividade física” – podem afetar, por si só, “a motilidade intestinal”, sublinha o médico.

Por exemplo, explica, “pessoas com maior consumo de água têm menor risco de obstipação” e, “durante o período de férias, é habitual haver uma menor ingestão de água e uma substituição por outros líquidos, como sumos ou álcool”.

Ainda no âmbito da alimentação, durante as férias é comum haver uma “alteração na dieta”, tipicamente com uma “menor ingestão de fibras”.

Ricardo Veloso salienta que “diversas meta-análises demonstram que dietas com mais fibra se associam a menor prevalência de obstipação funcional”. 

Apesar de “não existir evidência direta de menos ingestão de fibras durante as férias e consequente agravamento da obstipação, a realidade é que os hábitos alimentares da maioria das pessoas são (empiricamente) piores durante o período de férias, com menor ingestão de água e fibras, provocando ou agravando a obstipação”, esclarece.

Algumas pessoas também podem sentir “ansiedade associada à viagem”, desencadeada, por exemplo, pelo “uso de casas de banho diferentes” ou por “atrasos que podem provocar alterações significativas no trânsito intestinal”.

A atividade física regular também é fundamental para a saúde gastrointestinal (e na consequente prevenção da obstipação) e, por norma, “existe uma diminuição” dessa atividade durante o período de férias, o que também pode contribuir para o agravamento ou início da obstipação”, aponta.

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Além disso, alterações na rotina de sono podem afetar significativamente o intestino e contribuir para episódios de obstipação.

O intestino também “tem ciclos de funcionamento que seguem o ritmo de luz/escuro e sono/vigília” (ritmo circadiano), por isso, “mudanças de fuso horário (jet lag), ou mudanças de horário de sono ou atividade alimentar podem ‘desajustar’” o nosso relógio biológico. 

Sabe-se ainda que as mulheres e os idosos “têm maior probabilidade de ter obstipação crónica, sendo que este grupo de pessoas estará particularmente suscetível ao agravamento da obstipação durante o período de férias pela alteração de hábitos”, explica o médico.

Também em pessoas com síndrome do intestino irritável (SII) com predomínio de obstipação, em que “o trânsito intestinal está alterado e a motilidade reduzida”, há uma maior probabilidade de “as mudanças de rotina agravarem os sintomas”, refere.

“Doenças como a diabetes, o hipotiroidismo, doenças neurológicas, e o uso de opioides ou medicamentos que diminuem a motilidade também aumentam o risco” de episódios de obstipação.

Que estratégias práticas ajudam a prevenir a obstipação durante as férias? 

Segundo Ricardo Veloso, “com base nas evidências de meta-análises e diretrizes clínicas internacionais”, uma das medidas mais importantes na prevenção de obstipação é “aumentar a ingestão de fibra alimentar: incluir alimentos com fibras solúveis e insolúveis — frutas, vegetais, cereais integrais”. 

Alimentos como “psílio, ameixas, kiwis, sementes de linhaça, entre outros, podem ser muito importantes na regularização do trânsito intestinal”, por isso, podem ser uma boa estratégia ingerir estes alimentos “em período de férias, especialmente em pessoas com obstipação de base”, explica.

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A hidratação adequada também é muito importante. “É fundamental beber bastante água (1,5 a 2 litros) ao longo do dia, especialmente antes e durante a viagem”, recomenda o médico.

Manter ou promover atividade físicacaminhar, fazer alongamentos e estar menos tempo sentado” – ajuda na prevenção de episódios de obstipação.

Deve-se “tentar preservar os horários de refeições e sono semelhantes aos de casa: fazer refeições em horários regulares, dormir bem e evitar desregulações extremas”, prossegue o gastroenterologista.

Ricardo Veloso recomenda ainda que se tente “evacuar no mesmo horário, preferencialmente nas primeiras horas da manhã, após acordar”.

Para quem já tem antecedentes de obstipação, “levar consigo laxantes ou suplementos de fibra para usar preventivamente, de preferência sob orientação médica”, é fundamental.

Como lidar com a obstipação?

Se sofrer com obstipação durante uma viagem ou durante as férias, em primeiro lugar, deve “rever os seus hábitos” e, caso seja necessário, aumentar “a ingestão de fibras e líquidos e manter ou iniciar a atividade física”, aconselha Ricardo Veloso.

O médico também recomenda adotar “técnicas de relaxamento” para tentar reduzir a ansiedade que a viagem ou as férias poderão estar a causar.

Se essas mudanças não resolverem o problema, pode “usar laxantes osmóticos (macrogol), que têm bom perfil de segurança, para reter água nas fezes”, aconselha o especialista.

Caso ainda não tenha sentido um alívio dos sintomas, pode recorrer a “laxantes estimulantes e, se necessário, em conjugação com os laxantes osmóticos”.

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Na maioria das vezes, a obstipação durante as férias “é um incómodo temporário que se resolve com medidas simples”, sublinha o médico.

Muito raramente “poderá haver riscos se esta permanecer por muito tempo ou se houver causas subjacentes”.

Caso a obstipação se mantenha durante muito tempo pode haver uma “acumulação de fezes endurecidas que pode causar dor intensa, sensação de plenitude e até obstrução parcial”.

Além disso, a “tensão e o esforço para evacuar” pode causar “dor, fissuras anais, e hemorroidas”, acrescenta.

Em casos raros ou severos, pode surgir “retenção urinária, complicações urinárias pela pressão abdominal aumentada”.

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Por isso, se a obstipação não se resolver, é importante consultar um médico

Existem ainda outros sinais de alerta que devem levar a uma avaliação médica, nomeadamente a obstipação ser “acompanhada de sangue nas fezes ou fezes muito escuras”, refere.

Uma “dor abdominal intensa ou progressiva, sobretudo se não melhorar após as medidas simples”, também é motivo de preocupação.

No mesmo sentido, a pessoa deve procurar ajuda médica se a obstipação for associada a: “vómitos ou sensação de obstrução intestinal (sem passagem de ar ou gases)” e “perda de peso involuntária, sem explicação”.

Uma pessoa que tem um “início súbito de obstipação a partir dos 45 anos” ou que sofre com obstipação e tem “história familiar de patologia gastrointestinal, sobretudo cancro colorretal”, deve contactar um profissional de saúde.

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Gastrenterologia

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Obstipação

5 Jan 2026 - 08:45

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