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O seu filho vai para o 5º ano? Como lidar com a mudança de ciclo escolar

11 Set 2025 - 09:00

O seu filho vai para o 5º ano? Como lidar com a mudança de ciclo escolar

Entre 11 e 15 de setembro, começa mais um ano letivo. Para algumas crianças e adolescentes, estas datas marcam apenas o regresso às aulas, depois de cerca de três meses de férias. No entanto, para outras, marca a mudança de um ciclo. A transição do 4º para o 5º ano, sobretudo, pode despertar alguns receios tanto nas crianças como nos pais. 

É uma mudança com “um conjunto de novidades”: “uma nova escola, na maior parte das vezes”; “novos professores”, “novos amigos e aprendizagens”, adianta Raquel Raimundo, especialista em psicologia da educação e membro da direção da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP).

Nesta fase escolar, as crianças “passam a ter mais disciplinas, com uma organização ou divisão diferente” e também “passam a ter horários mais complicados” e “mais salas de aula”.

Perante este conjunto de mudanças, típico desta transição de ciclo escolar, algumas crianças (e até pais) podem sentir receios e dúvidas. Como é que a família pode lidar com a mudança do 4º para o 5º ano?

Que estratégias ajudam as crianças (e os pais) a lidar com a mudança de ciclo?

A mudança de ciclo, nomeadamente do 4º para o 5º ano, pode ser motivo de receios e inseguranças, tanto para as crianças, como para os pais. Apesar de grande parte das crianças eventualmente se adaptarem à mudança, existem algumas estratégias que podem ajudar no processo (ver também aqui).

Desde já, refere Raquel Raimundo, se a criança que vai mudar de ciclo “tiver a ajuda de alguém que está a passar ou que já passou pelo mesmo – como primos da mesma idade, vizinhos, colegas, irmãos mais velhos -, torna esta transição um bocadinho mais fácil”.

Muitas vezes, essa ajuda na mudança também parte das escolas. “Há escolas com programas de transição do 4º para o 5º ano”, sublinha a psicóloga.

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Nesses programas, “quando as crianças ainda estão no 4º ano, fazem uma visita à escola nova” e “os alunos de 5º ano são os anfitriões”.

Havendo ou não esses programas escolares, “é importante a criança ter algum apoio inicial por parte da família”, defende. Esse apoio pode estar nas pequenas coisas, como “na organização da mochila”, exemplifica.

Acima de tudo, é importante os pais perceberem que “os miúdos não têm todos o mesmo ritmo” e que “cada criança – ou adulto – tem ritmos diferentes até em diferentes fases da vida”. Enquanto alguns não sentem dificuldade em adaptar-se imediatamente, outros “podem levar algum tempo”, explica.

Por exemplo, no caso da preparação da mochila, algumas crianças precisam de alguma ajuda, na fase inicial, e é importante que os pais deem esse apoio.

Outras crianças “já querem ser elas a preparar a mochila e ficam entusiasmadas” com isso. Se assim for, “há que incentivar, até porque é uma fase em que eles ganham mais autonomia”, esclarece Raquel Raimundo.

Na perspetiva da psicóloga, é fundamental, nesta mudança de ciclo, proporcionar pequenos momentos de autonomia às crianças e adotar “uma postura de supervisão”. A correr bem, “essa supervisão acaba por deixar de ser tão necessária”.

A maturidade que as crianças vão adquirindo nesta fase permite-lhes “planear o dia”, “organizar melhor as tarefas e os materiais” e até ter a capacidade de “olhar para o horário”, perceber que disciplinas vão ter naquele dia e preparar a mochila.

Os pais, ao fazerem “questões para as crianças resolverem por elas” – como “o que precisas de pôr na mochila?” – ajudam-nas a perceber o que têm de fazer. 

Por outro lado, além de os pais terem um papel fundamental nestas questões práticas, também é importante darem apoio emocional

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Os pais devem “ajudar os filhos a identificarem e reconhecerem sentimentos que possam ser ambivalentes” (opostos).

É igualmente importante que conversem com as crianças sobre esses sentimentos e “tentem promover formas saudáveis de lidar” com eles. 

Por exemplo, “conversar sobre o que a criança gostaria que acontecesse na nova escola” faz com que “os pensamentos da criança se orientem mais para os aspetos positivos”, explica Raquel Raimundo.

Também é necessário “conversar sobre mudanças esperadas”, como a alteração de escola ou o horário (se já se souber). Falar sobre as mudanças previstas “também ajuda a perceber quais são os receios” da criança.

Além disso, segundo Raquel Raimundo, é fundamental “os pais sentirem e transmitirem confiança na escola”, porque “é muito importante para os miúdos sentirem” essa confiança.

Durante a mudança, na fase em que as crianças já estão a frequentar a escola, deve-se tentar perceber “como está a ser a adaptação e se há alguma questão que eventualmente possa preocupar”, aconselha a psicóloga.

Isto pode ser feito de forma simples, ao “conversar” e ao “perguntar como correu o dia”, “não focando em nenhum aspeto em particular, para não direcionar a conversa”.

No fundo, sumariza, ao longo deste processo de mudança, é fundamental que as crianças “se sintam felizes, seguras, acompanhadas (por colegas e adultos)” e que “a escola é um lugar seguro em que os pais confiam”.

Mais, é importante “sentirem que têm uma rede e que podem pedir ajuda se precisarem, seja na escola ou em casa”, acrescenta.

Os pais devem estar atentos a que sinais?

As crianças não reagem todas da mesma forma à mudança de ciclo. Para algumas, a mudança pode ser algo entusiasmante, para outras “pode ser assustador”, e para outras crianças pode desencadear “uma mistura de sentimentos”, explica Raquel Raimundo.

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Por um lado, é comum sentirem “alegria e entusiasmo com toda esta mudança”, que poderá significar “conhecer novos colegas, fazer novos amigos, ter mais liberdade, conhecer e explorar coisas novas”.

Por outro lado, “também é natural que possam sentir tristeza, receio, dúvidas”. Sobretudo nos primeiros dias, é comum as crianças “sentirem-se um pouco confusas e até perdidas”, precisamente porque “está tudo a mudar”.

Algumas crianças podem ter a “sensação de que não sabem por onde começar”, porque, de repente, vão para uma escola nova, “com professores que não conhecem” e “com horários complicados”, exemplifica.

Os receios iniciais, à partida, não são motivo de preocupação, apesar de, às vezes, poderem deixar “os pais um bocadinho ansiosos”.

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No entanto, se “se prolongarem no tempo” (durar semanas ou meses) ou “se forem muito intensos, poderá haver motivo de preocupação”, sublinha a psicóloga.

Por exemplo, quando uma criança “diz de forma reiterada no tempo que não quer ir à escola”. Nestes casos, é comum a criança projetar no corpo “o mal-estar psicológico que a está a afetar” e começa a queixar-se de “uma dor de barriga ou de cabeça permanente”, esclarece.

Nesta fase, “deve-se procurar ajuda e um psicólogo, inclusive, poderá ajudar”.

11 Set 2025 - 09:00

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