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O seu filho vai para o 1º ano? Como lidar com a entrada no primeiro ciclo

6 Set 2026 - 08:15

O seu filho vai para o 1º ano? Como lidar com a entrada no primeiro ciclo

A entrada no 1º ano da escola marca uma etapa importante na vida das crianças e das famílias. Para os mais pequenos, significa deixar para trás a rotina do pré-escolar e adaptar-se a um novo ambiente, com novas regras, aprendizagens e responsabilidades. Para os pais, esta mudança pode trazer dúvidas e alguma ansiedade. Mas como ajudar a criança a lidar com os desafios da transição para o primeiro ciclo? 

Em declarações ao Viral, Inês Guiomar, psicóloga no contexto escolar e membro da direção da delegação do centro da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), reúne algumas estratégias que ajudam a tornar a entrada no 1º ano mais tranquila, tanto para as crianças como para os pais.

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Que estratégias ajudam as crianças (e os pais) a lidar com a entrada no primeiro ciclo?

A entrada das crianças no primeiro ciclo do ensino básico é um marco importante, quer a nível escolar, quer “em termos de desenvolvimento infantil”, começa por explicar Inês Guiomar.

Como tal, é natural que, nesta fase, certas crianças sintam “alguma insegurança, ansiedade e angústia”, embora isso dependa das “características temperamentais de cada uma” (ver também aqui).

Na perspetiva da psicóloga, ter este tipo de sentimentos é, “em certo sentido, positivo e normativo, porque é o que lhes vai permitir ter a capacidade de reagir e de se ajustarem aos novos ambientes escolares”.
 E, tratando-se de uma transição, “não acontece num momento específico e único no tempo, vai ocorrendo ao longo do tempo”.

Uma das estratégias mais importantes, que ajuda os pais e as crianças a lidar com esta transição, é “haver alguma preparação”, sublinha. No caso das crianças que já frequentavam o ensino pré-escolar, muitas vezes, antecipou-se esta transição, aproximando-as dos espaços físicos e dos novos contextos que vão encontrar nesta nova etapa escolar.

Esta prática é comum, sobretudo, “em alguns locais em que há uma maior proximidade entre os ambientes educativos”.

Quando não há essa aproximação, na fase pré-escolar, os próprios pais podem levar as crianças a “visitarem, nem que seja a parte exterior da escola, ou pedirem para conhecer a escola”.

Este tipo de estratégia permite “que os miúdos façam uma associação mais direta e concreta àquilo que vai ser o novo espaço, as novas pessoas, os novos ambientes que eles vão encontrar”, defende Inês Guiomar.

No verão antes do início das aulas, a transição para o primeiro ciclo “também deve ser um tema presente, mas não excessivamente presente”.

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Uma estratégia fundamental é “ouvir a criança, perceber a curiosidade e a antecipação dela” e, ao mesmo tempo, “criar algum equilíbrio”, porque se houver “demasiada antecipação, alguns miúdos criam um hiperfoco na temática e isso gera mais ansiedade”, aponta a psicóloga.

Incluir a criança em pequenas tarefas relacionadas com a escola, como, por exemplo, “na escolha dos materiais escolares, na tarefa de ir buscar os livros, tudo isso são formas também de os preparar e de os pôr mais focados naquilo que os aguarda”.


Depois, um pouco antes do início das aulas, deve-se “começar a criar horários de deitar e rotinas de higiene e de alimentação mais estruturadas, para depois não haver muitas mudanças em simultâneo”.

Segundo Inês Guiomar, importa ter em conta que esta transição “não termina depois do primeiro dia de aulas, a criança vai passar por um período de adaptação progressiva”.

Durante todo este processo, “o papel dos cuidadores principais das crianças é fundamental”. A forma como “os próprios pais encaram esta mudança e como falam dela com a criança” também tem um impacto significativo.

É importante que os cuidadores tenham e transmitam “expectativas positivas” sobre esta fase e que a encarem “com normalidade”. Na perspetiva da psicóloga, “os pais até podem, inclusive, falar das suas próprias experiências, e incentivar os miúdos a contactar com familiares e amigos que tiveram esta experiência há pouco tempo”. No fundo, pode ajudar “tornar mais familiar aquilo que, para eles, ainda representa algo muito desconhecido”.

Além disso, quanto maior for “a ligação entre as famílias, os cuidadores, e o contexto educativo, os professores, quem coordena a escola, melhor”, defende a psicóloga. Havendo esta proximidade, torna-se mais fácil para os pais “compreenderem melhor como é que aquele ambiente funciona e perceber o que é expectável para o filho, em termos de perceção de mudança”, explica.

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A entrada no primeiro ano deve ser encarada como “um assunto e não o assunto”

Em primeiro lugar, a transição para o primeiro ciclo deve ser encarada pelos pais “com expectativas positivas” e, ao mesmo tempo, como “um assunto e não ‘o’ assunto” da vida dos filhos.

Isto porque, na perspetiva de Inês Guiomar, tornar este acontecimento o centro da vida da criança pode trazer “muita pressão e muito nervosismo, e, em vez de ser promotor de crescimento, pode ser bloqueador”.

Por isso é que estratégias como as mencionadas pela psicóloga – “conhecer os espaços e as pessoas, bem como falar com os colegas que vão transitar com eles” – ajudam neste processo.

É comum os pais preocuparem-se com “a questão das competências” que as crianças devem ter antes de entrarem no primeiro ciclo, mas a psicóloga defende que o essencial, nesta fase, é estimular “o interesse pela aprendizagem, pela curiosidade para aprender e promover a autonomia”. Enquanto cuidadores, ao fazermos isso, “estamos a dar os principais ingredientes para eles estarem bem preparados para outro tipo de aprendizagens mais formais”.


A linguagem e a forma como se fala das mudanças que vão acontecer também são fatores importantes. “Às vezes, o que torna esta transição muito exigente para os miúdos é os pais criarem algum corte, quando, na verdade, as melhores transições são feitas e geridas de modo gradual”.

Dizer coisas mais negativas, como “vais deixar de poder brincar” ou “agora é que vai ser”, torna a adaptação das crianças mais difícil e até pode gerar receio e angústia.

Quanto mais se falar “dos fatores de entusiasmo e de crescimento, melhor”, até porque, “tipicamente, os miúdos querem ser grandes, querem fazer as coisas sozinhos e têm curiosidade pelas coisas dos mais crescidos”.

Por outro lado, também é importante não ignorar a questão. “Bloquearmos o assunto ou minimizarmos potenciais angústias e ansiedades que os miúdos manifestem gera mais ansiedade”, sublinha. 

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As observações e preocupações das crianças devem ser acolhidas e “se elas estiverem muito centradas nessa temática, de forma espontânea, a nossa estratégia não deve ser: ‘não, deixa lá isso, ainda falta muito tempo’”.


Quais são os sinais a que os pais devem estar atentos no início do ano escolar?

Na perspetiva de Inês Guiomar, “a individualidade de cada criança é muito importante” neste contexto. “Há miúdos que se adaptam muito rapidamente a ambientes novos e há outros que tendem a fazer adaptações tipicamente mais lentas”, explica.

É importante “não fazer comparações”, porque “o que interessa é percebermos o bem-estar da criança e como ela se adapta ao longo do tempo”.

Se existirem “alguns sinais de evitamento em relação ao ambiente escolar, a questão da assiduidade e da frequência escolar é muito importante, ou seja, não se deve ceder a esse nervosismo, fazendo com que a proteção seja: ‘então, ficamos mais um tempo com a criança’, ou ‘chega mais tarde à escola’”.

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Por exemplo, “quando as crianças têm uma angústia de separação maior”, alguns pais, quando deixam as crianças na escola, “saem às escondidas”. Não se deve fazer isto, porque “gera mais angústia e uma maior perceção de abandono”, esclarece.

“Há pais que ficam muito angustiados, porque, por exemplo, há miúdos que ficam a chorar quando são deixados na escola, mas, muitas vezes, o que o professor relata é que passado pouco tempo a criança já estava tranquila”.

O ideal é que as crianças “sintam previsibilidade”. No momento em que se chega à escola, dizer algo como “tu agora vais estar aqui, mas eu depois venho-te buscar” pode sossegar a criança.

É essencial que este trabalho e esta atenção ao bem-estar da criança não acabe no primeiro dia do 1º ano, “tem de ser continuado ao longo do tempo”. As primeiras experiências “são efetivamente um marco muito importante, isso está estudado”. “Não é determinante, mas é marcante”, conclui Inês Guiomar.

Categorias:

Saúde mental

Etiquetas:

Parentalidade

6 Set 2026 - 08:15

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