Nuno Markl revela que teve um segundo AVC: O que distingue um AVC hemorrágico de um isquémico
Há cerca de um mês, o apresentador e humorista Nuno Markl sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Mas a recuperação não foi linear. No episódio mais recente do podcast “isso não se diz”, de Bruno Nogueira, o autor da rubrica “O Homem Que Mordeu o Cão” revelou que sofreu um segundo AVC enquanto estava internado no Hospital Egas Moniz, em Lisboa.
O novo acidente terá regredido a recuperação do primeiro. “Eu já me estava a mexer, já mexia a mão, já segurava o telemóvel com esta mão, já conseguia lavar a cabeça com as duas mãos. O que o segundo AVC fez, basicamente, foi não que regressasse a zero, mas a menos 30”, explicou Markl. O primeiro AVC que o humorista sofreu, a 20 de novembro, foi hemorrágico, e o segundo terá sido isquémico. O que distingue um tipo de AVC do outro?
O que distingue um AVC hemorrágico de um isquémico?
Num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24) explica-se que o acidente vascular cerebral (AVC) “é uma doença cerebrovascular que resulta de diferentes fenómenos que afetam a normal circulação cerebral, devido a um entupimento ou rotura de uma artéria cerebral”.
Existem dois grandes tipos de AVC: o AVC isquémico e o AVC hemorrágico. Tal como tinha esclarecido a neurologista Liliana Pereira, em declarações anteriores ao Viral, um AVC isquémico ocorre quando coágulos de sangue ou outras partículas bloqueiam os vasos sanguíneos do cérebro impedindo que este receba o aporte de sangue e oxigénio que necessita para as funções que desempenha.
Por outro lado, o AVC hemorrágico não acontece por um bloqueio das artérias, mas pela rutura de uma artéria no cérebro. O sangue derramado desse rompimento acaba por danificar as células cerebrais pela pressão exercida e também pela interrupção do fornecimento dos nutrientes necessários ao normal funcionamento do cérebro.
Sabe-se, ainda, que os AVC isquémicos ocorrem com maior frequência. Segundo Liliana Pereira, os isquémicos “em alguns estudos chegam a 85% dos casos, enquanto os hemorrágicos são menos comuns e representam cerca de 15% dos casos”.
Em termos de sintomatologia e de fatores de risco, não existem muitas diferenças entre os dois tipos de AVC. Aliás, sublinhava a neurologista, “a distinção entre o AVC isquémico e o AVC hemorrágico não pode ser feita apenas pela clínica, ou seja, pelos sintomas, porque o médico antes de fazer o exame de imagem nunca consegue ter 100% de certeza qual é o tipo de AVC em causa”.
As sequelas de um AVC dependem da área cerebral afetada, da rapidez de tratamento e podem passar por dificuldades na fala, dificuldades de locomoção e de deglutição, problemas na perceção dos espaços ou alterações comportamentais e emocionais.
Mas, regra geral, “o AVC hemorrágico é o grupo de doentes que tem um pior prognóstico, comparativamente com quem teve um AVC isquémico, sendo a percentagem de casos fatais maior e também costumam ser mortes mais precoces do que no AVC isquémico”, esclarecia a médica.
Tal como aconteceu com Nuno Markl, uma pessoa que tenha um AVC corre o risco de ter outro, seja hemorrágico ou isquémico (ver aqui, aqui e aqui).
Contudo, o tratamento de cada tipo de AVC é diferente. No caso do isquémico, refere-se no texto do SNS 24, o tratamento pode envolver a toma de medicamentos para baixar a pressão arterial ou os níveis elevados de colesterol e fármacos que consigam dissolver o coágulo e restaurar o fluxo sanguíneo.
“Pode ainda ser necessário fazer uma cirurgia de prevenção de novo AVC, através da expansão de artérias cerebrais ou da remoção de placas bloqueadoras do fluxo sanguíneo”, acrescenta-se.
Em relação ao AVC hemorrágico, por norma, “o tratamento envolve uma cirurgia para conter a hemorragia e a toma de medicamentos para, por exemplo, diminuir a pressão arterial ou prevenir convulsões”.
Em ambos os casos, “é essencial que o tratamento inclua um programa de reabilitação de habilidades e minimização de sequelas”, sublinha-se no mesmo texto.
Categorias:
Etiquetas: