Há mais mortes na estrada devido a álcool e drogas. Como é que estas substâncias prejudicam a condução?
O número de mortes na estrada associadas ao consumo de álcool e drogas ilícitas aumentou em 2024. Tal como avança o Jornal de Notícias, as autópsias feitas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) revelaram que mais de um terço dos condutores que morreram na estrada tinha uma taxa de álcool no sangue igual ou superior ao limite legal para poder conduzir.
De facto, sabe-se que o consumo de álcool e outras drogas reduz as habilidades necessárias para conduzir com segurança (ver aqui, aqui, aqui e aqui). Mas de que forma?
Como é que o consumo de álcool e drogas prejudica a capacidade de conduzir?
Álcool
Segundo o artigo 81.º do Código da Estrada, “considera-se sob influência de álcool o condutor que apresente uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5 g/l ou que, após exame realizado nos termos previstos no presente Código e legislação complementar, seja como tal considerado em relatório médico”.
No comunicado da campanha “Taxa Zero ao Volante” da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), sublinha-se que “os acidentes que decorrem da condução sob a influência do álcool são particularmente graves” e “com uma taxa de álcool no sangue de 0,5 g/l, o risco de sofrer um acidente grave ou mortal duplica”.
À medida que o consumo de álcool aumenta, o risco de acidente mortal sobe. Segundo um texto da Segurança Rodoviária, numa taxa de álcool no sangue de 0,80 g/l o risco aumenta 4 vezes, numa taxa de 0,90 g/l aumenta 5 vezes e numa taxa de 1,20 g/l (considerada crime, em caso de condução) o risco aumenta 16 vezes.
Quando o álcool chega ao cérebro afeta, de forma progressiva, “as capacidades sensoriais, percetivas, cognitivas e motoras, incluindo o controlo muscular e o equilíbrio do corpo”, o que, por sua vez, interfere negativamente na condução segura.
“Um dos primeiros efeitos do álcool é o frequente estado de euforia, sensação de bem-estar e de otimismo, com a consequente tendência para sobrevalorizar as próprias capacidades, quando, na realidade, estas já se encontram diminuídas”, refere-se no mesmo texto.
Estas alterações de comportamento “aumentam de forma significativa o risco de envolvimento em acidentes rodoviários”, salienta-se no comunicado da ANSR.
Neste contexto, também se verifica a “perda de vigilância em relação ao meio envolvente”, ou seja, “as capacidades de atenção e de concentração do condutor ficam diminuídas”, refere-se no site da Segurança Rodoviária.
Por outro lado, as capacidades sensoriais, em particular as visuais, ficam perturbadas (mais lentas, sobretudo). “A presença de álcool no sangue reduz a acuidade visual, quer para perto, quer para longe e leva à alteração dos contornos dos objetos, quer estáticos, quer em movimento”, explica-se.
Além disso, “a visão estereoscópica é prejudicada (ficando o condutor incapaz de avaliar corretamente as distâncias e as velocidades)”, bem como “a visão noturna” e “o tempo de recuperação após encadeamento”.
O álcool diminui ainda o campo visual, provocando a visão em túnel, que impede a perceção clara do ambiente envolvente.
Verifica-se também, em contextos de condução sob o efeito de álcool, o “aumento do tempo de reação”, a “lentificação da resposta reflexa” e a “diminuição da resistência à fadiga”.
A situação pode agravar-se em casos em que o condutor, além de ter ingerido bebidas alcoólicas, tomar certos medicamentos que atuam ao nível do sistema nervoso (saiba mais sobre o tema neste artigo do Viral).
Ao contrário do que se possa pensar, a eliminação do álcool do organismo é um processo muito lento. Por isso, mesmo que tenham passado várias horas após a ingestão de bebidas alcoólicas, a pessoa pode não estar nas condições adequadas para conduzir.
Outras drogas
No caso das drogas ilícitas, tal como está explícito no nome, o seu consumo é proibido por lei, inclusive antes e durante a condução.
Os efeitos que o consumo de drogas tem nas capacidades dos condutores depende do tipo de substância.
As drogas estimulantes – como cocaína, anfetaminas, ecstasy e metanfetamina – aumentam os comportamentos de risco, como velocidade excessiva, mudanças bruscas de fila e de direção e condução agressiva (ver aqui).
Além disso, podem provocar: sonolência, estado depressivo, falta de atenção (após fase eufórica), perda de coordenação e dilatação das pupilas (com consequente diminuição da adaptação à luz).
O consumo de drogas alucinogénicas – como canábis, haxixe, quetamina, cogumelos mágicos, LSD – causa dificuldade: de concentração, de atenção ao ambiente rodoviário, em manter uma trajetória em linha reta, em circular a uma velocidade constante e em avaliar as distâncias.
Nestes casos também há: o aumento do tempo de reação, reflexos mais lentos e condução hesitante; perda de noção da realidade e risco de alucinações; problemas de coordenação; e visão alterada.
O consumo conjunto de álcool e de outras drogas aumenta ainda mais o risco de acidente rodoviário grave e morte (ver aqui, aqui e aqui).
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