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Medir a pressão arterial em casa: Quando e como fazer? Quais os erros mais comuns?

17 Mai 2026 - 08:15

Medir a pressão arterial em casa: Quando e como fazer? Quais os erros mais comuns?

A hipertensão arterial (pressão arterial elevada) é uma condição comum, mas pode ser grave se não for tratada. É considerada um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular e de morte precoce em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que a prevalência de hipertensão na população adulta seja de 42,6%. Em alguns contextos, pode ser necessário fazer a medição da pressão arterial em casa. Como deve ser feita? Quais os cuidados a ter?

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No Dia Mundial da Hipertensão, que se assinala todos os anos a 17 de maio, Fernando Martos Gonçalves, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), esclarece quando é necessário medir a pressão arterial em casa, como fazê-lo e quais os principais erros durante a medição.

Quando é aconselhado medir a pressão arterial em casa?

A medição da pressão arterial (PA) em casa pode ser aconselhada em várias situações. É recomendada, sobretudo, “para confirmar o diagnóstico de hipertensão arterial, habitualmente identificado no consultório”, adianta Fernando Martos Gonçalves, em declarações ao Viral (ver também aqui, aqui e aqui).

Segundo o médico, medir a pressão arterial em casa “é particularmente útil quando existe suspeita de ‘hipertensão da bata branca’ – situações em que os valores estão elevados no consultório, mas normais fora desse contexto” – ou em situações de “‘hipertensão mascarada’, quando a pressão arterial é normal no consultório, mas elevada em casa”.

Fazer esta medicação também é importante “para avaliar a eficácia da medicação, sobretudo após alterações terapêuticas”. De modo geral, os doentes com hipertensão são aconselhados a fazer “medições regulares em casa, uma vez que isso promove maior envolvimento no controlo da doença, melhor adesão à terapêutica e um controlo tensional mais eficaz”, explica o presidente da SPH.

Quais os cuidados a ter na medição? 

O primeiro cuidado a ter é na escolha do aparelho para medir a pressão arterial. Segundo Fernando Martos Gonçalves, “o aparelho deve cumprir alguns requisitos fundamentais”. Idealmente, “deve tratar-se de um aparelho automático eletrónico de braço, validado clinicamente e com uma braçadeira adequada ao perímetro do braço do utilizador”.

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No site Stride BP, uma iniciativa conjunta da Sociedade Europeia de Hipertensão, da Sociedade Internacional de Hipertensão e da Liga Mundial de Hipertensão, pode ser consultada uma lista de aparelhos validados.

“Não se recomenda a utilização de monitores de pulso e de dedo”, porque estes aparelhos “fornecem leituras menos fiáveis”, sublinha-se num texto da American Heart Association.

Antes de medir a PA, “nos 30 minutos anteriores à medição, deve evitar exercício físico, café, tabaco e bebidas alcoólicas”, adianta Fernando Martos Gonçalves. 

Também é importante “estar num ambiente calmo, esvaziar a bexiga e repousar cerca de cinco minutos antes da medição”.

No momento da medição, esta deve ser feita “na posição sentada, com os pés assentes no chão, pernas descruzadas e o braço apoiado à altura do coração”, e “não se deve falar durante o procedimento”, prossegue o médico.

Deve-se medir a pressão arterial em dois momentos distintos. “De manhã, antes do pequeno-almoço e da toma da medicação” e fazer “duas medições com intervalo de um minuto”, refere o presidente da SPH.

Além disso, a medição deve ser feita “à noite, antes de deitar”, com “novamente duas medições separadas por um minuto”.

O ideal é que estas medições sejam feitas “durante três a sete dias consecutivos”, acrescenta.

Quais os erros mais frequentes na medição da pressão arterial em casa?

Segundo Fernando Martos Gonçalves, “os erros mais comuns resultam de uma técnica incorreta”, que pode “alterar os valores obtidos”.

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O médico destaca os seguintes erros: “não respeitar o período de repouso antes da medição; falar durante o procedimento”, “estar mal sentado”, “cruzar as pernas”, “não apoiar corretamente o braço”, “utilizar uma braçadeira inadequada” e “medir sobre a roupa” (ver também aqui)

O que fazer se os valores estiverem elevados?

As recomendações atuais indicam que se considera normal “uma pressão arterial inferior a 135/85 mmHg nas medições realizadas em casa e inferior a 140/90 mmHg quando medida no consultório”, sublinha Fernando Martos Gonçalves.

Contudo, “em doentes com elevado risco cardiovascular, pode ser desejável atingir valores mais baixos, desde que bem tolerados, nomeadamente uma pressão arterial sistólica [máxima] entre 120 e 129 mmHg” (ver também aqui).

Apesar disso, aponta, “os objetivos devem sempre ser individualizados, tendo em conta as características de cada doente”. Por exemplo, “em idosos frágeis, os valores-alvo poderão ser diferentes”.

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Importa ainda referir que “um valor isoladamente elevado não significa, necessariamente, uma situação de urgência”. A pessoa “deve repetir a medição após um a dois minutos, garantindo que a técnica está correta”, aconselha.

Deve-se contactar um médico “se os valores se mantiverem repetidamente acima de 135/85 mmHg, se houver dificuldade no controlo da pressão arterial ou se surgirem efeitos adversos da medicação”.

Fernando Martos Gonçalves esclarece ainda que, “em situações raras, mas potencialmente graves, com valores muito elevados (>180/120 mmHg) – sobretudo se associados a sintomas como dor no peito, falta de ar, alterações neurológicas (por exemplo, desvio da boca ou perda de força), dor de cabeça intensa ou tonturas incapacitantes -, poderá tratar-se de uma emergência médica e deve procurar-se assistência médica imediata”.

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Saúde cardiovascular

17 Mai 2026 - 08:15

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