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Medicamentos para obesidade reduzem a eficácia da pílula? Médico explica

6 Jul 2025 - 08:45

Medicamentos para obesidade reduzem a eficácia da pílula? Médico explica

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla inglesa) emitiu um alerta em que refere que “o Mounjaro (nome comercial da tirzepatida) pode reduzir a eficácia dos contracetivos orais nas pessoas com excesso de peso”. 

O tema já não é novidade nas redes sociais. No TikTok, antes do alerta da MHRA, já se publicavam vídeos a alegar que os medicamentos para tratar a obesidade – como o Ozempic, o Wegovy e o Mounjaro – podem diminuir a absorção de medicamentos orais, como a pílula, porque atrasam o esvaziamento gástrico. Será mesmo assim? O que sabe até agora?

É verdade que os medicamentos para a obesidade reduzem a eficácia da pílula?

Em declarações ao Viral, Francisco Sousa Santos, endocrinologista e autor da página Hormonas em Bom Português, explica que ainda “não há provas” suficientes de que estes medicamentos (como o Ozempic, o Wegovy ou o Mounjaro) comprometam diretamente “a eficácia contracetiva da pílula”.

O médico começa por explicar como se distinguem estes fármacos. Por um lado, o Ozempic e o Wegovy são medicamentos cuja substância ativa é a semaglutide, “um agonista dos recetores GLP-1”, ou seja interage com estes recetores.

Já o Mounjaro “é uma molécula” chamada “tirzepatida”, que “é agonista dos recetores GLP-1 e GIP”, portanto, “é ligeiramente diferente” do Ozempic e do Wegovy.

Segundo Francisco Sousa Santos, “não há propriamente uma desconfiança em relação à interação” direta “entre a pílula e estes medicamentos”.

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A questão é que algumas pessoas, ao tomarem estes fármacos, “podem ter efeitos adversos conhecidos”, como “náuseas, vómitos e diarreia” (ver também aqui e aqui).

Esses sintomas gastrointestinais podem ser intensos ao ponto de “poderem afetar a absorção da pílula”, esclarece o endocrinologista.

Se “a pílula não for absorvida, a eficácia contracetiva, naturalmente, também vai baixar ou, em certos casos, pode-se mesmo perder”, prossegue.

O mesmo acontece quando se tem uma gastroenterite comum. Nesses casos, temporariamente, também se recomenda a utilização de “outros métodos contracetivos”, além da pílula, porque o contracetivo oral “pode perder a eficácia”, explica o especialista.

Noutro plano, todos “estes medicamentos, sobretudo na fase inicial da toma, atrasam a absorção e o esvaziamento do estômago”. Isto “também pode atrasar a absorção da pílula”, sublinha. 

Foi nesse sentido que surgiu o alerta da MHRA. Em relação especificamente ao Mounjaro, a agência britânica sublinha que este fármaco “pode reduzir a eficácia dos contracetivos orais nas pessoas com excesso de peso”. 

Por isso, as pessoas que tomam Mounjaro “e que utilizam uma forma oral de contraceção são aconselhadas a utilizar também uma forma não oral”, referem.

“Isto aplica-se apenas a quem está a tomar Mounjaro e é especialmente importante durante as quatro semanas após o início do Mounjaro e após qualquer aumento da dose”, acrescentam.

Contudo, Francisco Sousa Santos lembra que ainda “não se sabe ao certo” se o atraso da absorção e do esvaziamento gástrico, causado pelo Mounjaro (ou qualquer outro medicamento semelhante), é significativo “ao ponto de poder implicar a eficácia contracetiva da pílula”.

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Os estudos que existem (como esta revisão sistemática) apenas mostram que “o tirzepatida, principalmente na fase inicial da toma, provoca um atraso do esvaziamento do estômago” mais significativo e que isso também pode atrasar a absorção da pílula.

No entanto, os próprios investigadores sublinham a necessidade de mais estudos que avaliem melhor essa interação.

Não havendo certezas, também “não há uma recomendação oficial”, nem se aconselha um “cuidado especial nas primeiras semanas em relação à contraceção”, realça Francisco Sousa Santos.

Aliás, no Resumo das Características do Medicamento (RCM) do Ozempic e do Wegovy não há qualquer menção a uma possível redução da eficácia da pílula durante a toma destes fármacos.

No RCM do Mounjaro, refere-se a questão do atraso na absorção da pílula. No entanto, salienta-se, “esta redução na exposição após uma dose única de tirzepatida não é considerada clinicamente relevante”, não sendo “necessário ajustar a dose dos contracetivos orais”.

Na perspetiva de Francisco Sousa Santos, isso não quer dizer que esta questão “não possa vir a ser revista” e que “não possa mudar no futuro, se sair nova evidência que refira, mais comprovadamente”, que “há uma diminuição da eficácia contracetiva da pílula”. 

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Aliás, perante esta incerteza, apesar de não haver uma recomendação oficial, no primeiro mês da toma destes medicamentos, “alguns médicos recomendam que as pessoas utilizem outros métodos de contraceção (não orais) para além da pílula, para terem a certeza de que a contraceção não fica afetada de alguma forma”, explica o médico (ver também aqui).

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6 Jul 2025 - 08:45

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