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Novo medicamento para tratar obesidade: 7 perguntas e respostas sobre o Wegovy

1 Abr 2025 - 09:43

Novo medicamento para tratar obesidade: 7 perguntas e respostas sobre o Wegovy

Acabou de ser aprovado um novo medicamento para o tratamento da obesidade e do excesso de peso. Chama-se Wegovy e prevê-se que chegue a Portugal no dia 1 de abril e que passe a ser comercializado a partir de dia 7. No entanto, não está previsto que seja comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde. O que é o Wegovy? Como atua no organismo? Tem efeitos secundários?

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Em declarações ao Viral, Francisco Sousa Santos, endocrinologista e autor da página Hormonas em Bom Português, esclarece sete dúvidas sobre o Wegovy.

O que é o Wegovy?

Francisco Sousa Santos começa por explicar que o Wegovy é um fármaco, cuja substância ativa é a semaglutide (como acontece com o Ozempic), que é “um agonista dos recetores GLP-1”, ou seja, interage com estes recetores e estimula a sua ação.

“O GLP-1 é uma molécula (ou substância) produzida naturalmente no nosso intestino”, informa. Por isso, o que este fármaco faz “é replicar alguns dos efeitos desta substância”, do GLP-1].

No fundo, ficamos, “artificialmente, com maior quantidade dessa substância, e durante mais tempo, no organismo”.

O Wegovy “é um fármaco de administração injetável subcutânea de toma semanal, tal como o Ozempic, por exemplo”, avança o endocrinologista.

Segundo a informação disponível no site da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla inglesa), o medicamento pode ser administrado pelos próprios doentes e deve ser “injetado uma vez por semana sob a pele, na barriga, na coxa ou na parte superior do braço”.

Como atua no organismo?

Francisco Sousa Santos explica que “o efeito principal do Wegovy é no centro do controle do apetite do cérebro”.

A administração desta substância faz com que “a pessoa se sinta mais cheia, com menos fome e que fique saciada mais rapidamente”, esclarece.

O Wegovy também tem algum efeito “na velocidade do esvaziamento gástrico”, ou seja, faz com que “a comida fique mais tempo no estômago, podendo dar uma sensação de enfartamento”, prossegue o médico.

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Além disso, refere-se no site da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla inglesa), pensa-se que este medicamento pode reduzir os “cravings, ou seja, a vontade de comer certos alimentos. Francisco Sousa Santos explica que a pessoa pode “sentir menos desejos por alimentos doces” ou ricos em gordura.

O Wegovy só é receitado em contexto de obesidade e excesso de peso?

Sim, o objetivo do Wegovy é ajudar no tratamento da obesidade e do excesso de peso. A semaglutide (substância ativa do Wegovy) já era vendida em Portugal “para o tratamento da diabetes tipo 2” através “do nome comercial Ozempic”, lembra o endocrinologista.

No caso do Ozempic, “as doses utilizadas são 0,25, 0,5 e 1 miligramas [mg]” (ver também aqui). Segundo Francisco Sousa Santos, a diferença entre o Ozempic e o Wegovy é “a dose” de semaglutide utilizada.

Além das doses comercializadas através do Ozempic, o Wegovy tem ainda uma dose de 1,7 mg e outra de 2,4 mg (ver aqui). Estas doses mais elevadas “têm sido estudadas para o tratamento da obesidade e do excesso de peso”, refere o médico.

Em termos concretos, uma pessoa com um “IMC [índice de massa corporal] maior do que 30 kg por metro quadrado ou um IMC maior do que 27 kg por metro quadrado na presença de pelo menos uma comorbilidade (como tensão arterial elevada ou colesterol alto)” pode ser aconselhada a fazer tratamento com o Wegovy.

O que acontece, muitas vezes, é “uma pessoa ter diabetes tipo 2 e obesidade ou excesso de peso”, aponta o especialista.

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Nesses casos, “pode-se e deve-se utilizar doses mais elevadas” (como as comercializadas com o Wegovy) para se “atingir certos objetivos”, porque “sabemos que doses superiores têm um maior potencial”, defende.

O Wegovy substitui uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico?

No tratamento da obesidade e do excesso de peso, as alterações de estilo de vida, como a adoção de uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercício físico, são fundamentais.

A toma de Wegovy, ou de qualquer outro medicamento semelhante, serve como “adjuvante”, ou seja, “ajuda na diminuição do peso”, explica Francisco Sousa Santos.

Aliás, sublinha, “todos os estudos mostram isso mesmo, que esta medicação tem bons resultados quando é aliada a medidas de estilo de vida”, isto é, “cuidados alimentares e exercício físico”.

Por um lado, “uma dieta equilibrada é importante, porque, se a pessoa come menos, é fundamental escolher bem o que come para não ficar com défices nutricionais”, explica.

A prática de exercício físico também é importante, “porque, quando se perde peso, perde-se massa gorda mas também massa muscular”, refere o médico.

Sobretudo quando existem “perdas de peso muito rápidas ou em grande quantidade, é muito importante preservarmos a massa muscular, que é uma massa saudável”.

O medicamento deve ser tomado durante quanto tempo?

Não existe “uma resposta certa”, informa Francisco Sousa Santos. O especialista adianta que, de facto, de acordo com os estudos, “pode haver perdas de peso significativas, em decréscimo progressivo, durante um ano, um ano e meio”.

Depois dessa perda significativa fica-se na dúvida, muitas vezes, sobre se a pessoa deve parar a toma ou não. O problema é o mesmo de muitos outros medicamentos: “funciona enquanto se toma”.

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“Tal como um medicamento para a hipertensão, se a pessoa deixar de tomar, a tensão arterial volta a subir, tanto quanto sabemos, se a pessoa deixar de tomar semaglutide, o apetite volta a aumentar”, explica.

Neste contexto, “a tendência é para um aumento do peso quando há suspensão deste fármaco”. No entanto, cada caso é um caso e há situações em que se pode justificar deixar de tomar a medicação.

“Uma pessoa que fez o medicamento durante muito tempo, diminuiu de peso, está mais ativa fisicamente, com mais mobilidade, se calhar, quando parar consegue manter um maior grau de exercício físico, por isso, tem mais dificuldade em aumentar de peso”, exemplifica o médico.

O médico dá outro exemplo: “Se a pessoa ganhou uma rotina melhor em termos alimentares, mesmo parando o medicamento e aumentando o apetite, pode conseguir, de qualquer forma, manter essa rotina alimentar”.

De facto, “a tendência é aumentar o apetite e voltar a aumentar de peso” quando se deixa de tomar o fármaco, mas existem variantes que “têm de ser vistas caso a caso”, defende.

Há efeitos secundários ou riscos para a saúde associados à toma de Wegovy?

Tal como em qualquer medicamento, existem efeitos secundários associados à toma de Wegovy. Neste caso, “são muito semelhantes aos outros medicamentos desta classe” que são, sobretudo, “efeitos gastrointestinais”, adianta Francisco Sousa Santos.

Uma pessoa que toma este medicamento pode sentir “enjoos, náuseas, vómitos, diarreia, obstipação e dores abdominais”, principalmente “nas primeiras semanas da terapêutica” (ver também aqui e aqui).

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Para reduzir o risco de efeitos secundários, por norma, “a dose semanal é aumentada de forma gradual ao longo de 16 semanas”, refere-se no site da EMA.

No que diz respeito a riscos para a saúde associados à toma prolongada, sabe-se que, se não houver cuidados com a alimentação e com a prática de exercício físico, “pode haver perdas de massa muscular e de massa óssea”, lembra o médico.

De uma perspetiva de (muito) longo prazo, “ainda é muito cedo para responder, porque são fármacos relativamente novos”, sublinha.

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No entanto, até à data, “parecem ser medicamentos seguros a longo prazo”. Aliás, salienta o endocrinologista, “existem trabalhos a mostrar potenciais benefícios em termos cardiovasculares” associados à toma de Wegovy, ou seja, “semaglutide em doses de 2,4 mg” (ver aqui).

Assim, defende o especialista, “os potenciais benefícios parecem ser maiores do que os potenciais riscos”.

Existem contraindicações?

Sim. Segundo Francisco Sousa Santos, “embora sejam situações relativamente invulgares”, a toma deste medicamento pode estar contraindicada para algumas pessoas. 

Em primeiro lugar, “pessoas intolerantes ou alérgicas a este tipo de medicamentos” (o que é raro) não podem tomar Wegovy.

Além disso, a toma deste fármaco também “deve ser muito bem ponderada” em casos de “pessoas que já tiveram pancreatites” (inflamações dos pâncreas).

Também doentes “com carcinoma medular da tiroide (um tipo de cancro da tiroide)” podem ser aconselhados a não utilizar o Wegovy.

1 Abr 2025 - 09:43

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