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Konjac: Massa viral do TikTok emagrece? Tem benefícios para a saúde?

29 Dez 2024 - 09:16

Konjac: Massa viral do TikTok emagrece? Tem benefícios para a saúde?

A massa konjac está a ganhar fama no TikTok. Segundo vários utilizadores da rede social, este alimento é um aliado no processo de emagrecimento, por ser rico em fibra e baixo em calorias. O autor de um dos vídeos partilhados sugere ainda que a massa konjac “emagrece”, porque “tem zero calorias”. Será mesmo assim? O que é a massa konjac? Este alimento emagrece?

O que é a massa konjac?

Em esclarecimentos ao Viral, Ana Maria Gomes, professora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) no Porto e investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), começa por explicar que esta massa “é produzida a partir da farinha de konjac, uma planta perene da família Araceae e do género Amorphophallus”. 

Segundo a investigadora, “as plantas do género Amorphophallus têm uma longa história de utilização na Ásia tropical e subtropical, quer como fonte de alimento (culinária japonesa), quer na medicina tradicional chinesa”. 

Em Portugal, “o konjac está presente maioritariamente em suplementos alimentares, mas também na forma de massas”, prossegue.

A massa konjac “apresenta uma baixa densidade energética e nutricional”, sendo composta, sobretudo, por “glucomanano (uma fibra solúvel), água” e, dependendo da marca, pode ter “alguns minerais, predominantemente cálcio” (ver também aqui e aqui).

Ao contrário do que se afirma em algumas publicações partilhadas no TikTok, apesar de a massa konjac apresentar “um baixo valor calórico, não é verdade que tenha zero calorias”, salienta Ana Maria Gomes.

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Por 100 gramas, a densidade energética (valor calórico) varia entre 10 e 25 quilocalorias, consoante a existência de mais algum ingrediente (soja, tapioca), além da farinha de konjac”, explica.

Esta massa emagrece ou pode ser útil num processo de emagrecimento?

Em primeiro lugar, Ana Maria Gomes considera importante esclarecer que a massa konjac, por si só, não emagrece

Não são os alimentos que emagrecem, mas, sim, o padrão alimentar no seu todo”, ou seja, “a escolha do tipo e quantidade de alimentos a consumir ao longo de um dia, acompanhado da prática regular de exercício físico”, sustenta.

De facto, a fibra presente na massa konjac tem “uma elevada capacidade de absorção de água, podendo atingir 200 vezes o seu volume original quando colocado em água, originando uma elevada viscosidade”. 

Isto “pode resultar na expansão do estômago contribuindo para um aumento da saciedade, além de aumentar o tempo de esvaziamento gástrico”, explica.

Além disso, “os alimentos ricos em fibras têm uma densidade energética menor em comparação aos alimentos ricos em gorduras”, acrescenta. 

Contudo, destaca, “não existe evidência científica suficiente para poder afirmar que a massa konjac contribuirá ativamente para a perda de peso” e para a consequente perda de gordura

Aliás, “os estudos disponíveis têm sido realizados sobretudo com o glucomanano isolado, na forma de suplemento, sem estar incorporado numa matriz alimentar”, e não com a massa konjac. 

Uma revisão recente “analisou a evidência científica existente sobre a suplementação de glucomanano no controlo de peso, tendo avaliado igualmente os riscos para a saúde inerentes ao seu consumo”. 

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Os principais resultados deste estudo revelaram que a dose recomendada com potenciais efeitos benéficos em adultos é de 3 g de glucomanano de konjac por dia.

Apesar de algumas investigações indicarem uma perda de peso significativa a curto prazo, outras não verificaram “resultados positivos neste aspeto”, refere Ana Maria Gomes.

Por exemplo, num estudo que pretendeu investigar a segurança e eficácia do glucomanano na perda de peso em adultos com sobrepeso e com obesidade moderada conclui-se que os suplementos “foram bem tolerados, mas não promoveram perda de peso nem alteraram significativamente a composição corporal, fome/plenitude ou parâmetros lipídicos e de glicose”. 

Para mais, realça Ana Maria Gomes, “em crianças e adolescentes, os estudos são escassos não mostrando efeitos significativos na redução de peso (ver aqui e aqui).

Assim, não só são necessários “mais estudos de melhor qualidade” sobre o efeito do glucomanano na perda de peso e no emagrecimento, como também são necessárias investigações sobre “a massa konjac como elemento de estudo, para se poder aconselhar o seu consumo com potenciais benefícios para a saúde”, salienta.

Incluir a massa konjac na alimentação: Vale a pena?

Na perspetiva de Ana Maria Gomes, uma alimentação saudável deve ser “completa, variada e equilibrada, proporcionando a energia adequada e o bem-estar físico ao longo do dia”. 

“A ingestão de calorias adequadas, mais alimentos ricos em fibra, vitaminas e minerais (produtos hortícolas, frutos, cereais e leguminosas), menos açúcar, menos gorduras e menos sal são recomendações base para assegurar uma alimentação saudável”, prossegue.

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A massa konjac pode ser incluída numa alimentação saudável, tendo sempre em atenção que, tal como os outros alimentos, deve ser consumida com moderação e na perspetiva de adicionar variedade à dieta.

É importante não esquecer, no entanto, que, apesar de a massa konjac ser “um bom veículo de fibra solúvel”, não tem “aporte de outros nutrientes importantes”, salienta a investigadora do CBQF.

Segundo Ana Maria Gomes, o seu “conteúdo vitamínico e mineral é geralmente pobre ou mesmo ausente e dependerá do grau de refinação da farinha de konjac utilizada na produção”.

Para mais, “cada 100 g de massa konjac” tem “entre 2,5 a 5 g de fibra”, o que corresponde apenas “a 10-20% do aporte diário recomendado”.

No que diz respeito a possíveis efeitos adversos associados ao consumo de massa konjac, “a evidência disponível” só diz respeito “à glucomanano enquanto suplemento”. 

Segundo a professora da UCP, a literatura relata em diferentes artigos que dada a capacidade de formação de géis do glucomanano de konjac, a sua ingestão pode causar engasgamento”.

Por outro lado, também é relatada a possibilidade de surgirem “problemas gastrointestinais”, dependendo da dose ingerida (ver aqui e aqui).


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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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Alimentação

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