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Maria José foi diagnosticada com cancro colorretal, mas foi “tudo tão rápido” que nem pensa que teve a doença

6 Fev 2026 - 08:15

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Maria José foi diagnosticada com cancro colorretal, mas foi “tudo tão rápido” que nem pensa que teve a doença

Em 2022, com 62 anos, Maria José Gonçalves começou a sentir uma dor estranha — “parecia uma ‘dor de burro’, mas do lado esquerdo” — e ficou preocupada. A pandemia de Covid-19 era ainda muito recente e, depois dos confinamentos, tinha ido a poucas consultas. Já não ia ao ginecologista há algum tempo e decidiu marcar e falar-lhe da tal dor que sentia. Fez vários exames e, por não encontrar nenhuma justificação para aquela dor, o médico sugeriu que fosse vista por um gastroenterologista.

Numa das colonoscopias que fez, o médico encontrou e retirou um pólipo e foi feita uma biópsia. Maria José diz que o gastroenterologista já sabia o que era, mas não lhe quis dizer nada até ter a certeza. Só quando chegaram os resultados foi possível confirmar o diagnóstico: cancro colorretal. 

Em Portugal, este é o segundo cancro mais frequente nas mulheres, depois do cancro da mama.

A dor, afinal, não parecia ter nada que ver com a doença, Maria José continua a tê-la de vez em quando e ainda não sabe o que a provoca. “Mas foi essa dor que me salvou”, disse, em declarações ao Viral e ao Polígrafo. Isto porque foi graças a ela que foi possível diagnosticar o cancro numa fase relativamente inicial e a cirurgia foi o único tratamento necessário para o tratar.

“Cerca de 30% — um bocadinho mais — dos doentes que têm diagnóstico de cancro colorretal são assintomáticos”, disse José Azevedo, cirurgião digestivo e colorretal da Fundação Champalimaud, em conversa com o Polígrafo e com o Viral. Nesses casos, o diagnóstico costuma ser feito através de colonoscopias de rotina ou outros exames.

O facto de grande parte dos doentes serem diagnosticados com sintomas significa que “não temos um rastreio que funcione bem no nosso país”, de acordo com José Azevedo.

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Os sintomas mais comuns são sangue nas fezes, anemia, alterações de hábitos intestinais e dor abdominal.

Quando soube que era cancro, Maria José não conseguiu “interiorizar” de imediato: “São coisas que levam tempo”, diz. “A única coisa que pensei foi que tinha de ir para Lisboa”. A consultora jurídica de 65 anos vive na Madeira e diz não ter muita confiança nos serviços de saúde da ilha. Por isso, juntou um “acervo de exames” e enviou para a Fundação Champalimaud, onde acabou por ser acompanhada.

O tratamento foi “tão rápido que não tive tempo de pensar em muita coisa”

Comprou o voo para Lisboa, cidade onde o filho trabalha, e rapidamente foi encaminhada para cirurgia. “Nos tumores do cólon, se a doença estiver localizada, se for uma doença que não tem metástases, à partida, o tratamento inicial, falando de um modo geral, é cirúrgico”, explica José Azevedo, médico que acompanha, até hoje, Maria José.

A cirurgia consiste em “remover a área do intestino e todo o mesocólon, o tecido de gordura, tecido adiposo, e os gânglios linfáticos e alguns depósitos de tumor que possam existir em toda a área”.

Depois da cirurgia pode ser necessário, em alguns casos, fazer quimioterapia. Não foi o que aconteceu com Maria José e talvez por isso diga que, até hoje, três anos depois do diagnóstico, não pensa que teve cancro. “Foi tudo tão rápido que não tive tempo de pensar em muita coisa”. Depois da cirurgia, esteve hospitalizada muito pouco tempo e teve uma recuperação rápida e tranquila, conta. 

Atribui o pós-operatório “tranquilo” ao estilo de vida que leva: “Como saudável, não fumo, não bebo [álcool]”.

Quando foi diagnosticada, perguntou a José Azevedo como era possível ter acontecido, se fazia “tudo certo”. O médico respondeu que não tinha uma resposta, mas que os hábitos saudáveis iam ser muito úteis depois da cirurgia porque iam permitir que a recuperação fosse mais rápida — e assim foi.

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A idade e a predisposição genética são dois fatores de risco não modificáveis para este tipo de cancro.

A alimentação também pode ter algum papel. “Sabemos que o sedentarismo, a obesidade e o consumo excessivo de álcool também contribuem [para o aumento do risco de cancro colorretal]”, sublinha José Azevedo.

No sentido contrário, para prevenir o aparecimento ou, pelo menos, detetar o cancro numa fase inicial em que traz menos complicações, “a atividade física regular é muito importante, assim como uma dieta rica em fibras e realizar os rastreios de forma regular, sempre”.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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6 Fev 2026 - 08:15

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