Madeira vs plástico: Qual a tábua de corte mais segura para a saúde?
As tábuas de corte são objetos essenciais em qualquer cozinha. Seja por questões estéticas ou de segurança alimentar, há duas correntes na hora de escolher o material destas tábuas: a dos que preferem as de madeira e a dos que defendem que as de plástico são mais seguras por, supostamente, acumularem menos bactérias. Mas, afinal, qual a melhor opção em termos de segurança alimentar?
Qual a melhor opção: tábua de madeira ou de plástico?

Em esclarecimentos ao Viral, Paula Teixeira, professora e investigadora na área de segurança alimentar na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto (UCP), adianta que não é possível garantir que uma tábua de plástico seja melhor do que uma de madeira, e vice-versa, já que ambas cumprem a sua função e, à partida, também têm o mesmo nível de segurança.
O mesmo ponto de vista é partilhado por Armando Venâncio, diretor do departamento de Engenharia Biológica, e investigador do Centro de Engenharia Biológica da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho), que considera que não há “uma resposta simples e direta, pois há inúmeros fatores a considerar”.
Em primeiro lugar, destaca Armando Venância, “os materiais usados no fabrico destes utensílios têm de ser adequados ao uso alimentar”.
Seja qual for o utensílio de cozinha em causa, “a legislação protege o consumidor, determinando os materiais que podem ser usados e obrigando o fabricante a provar a conformidade dos materiais”, realça.
Tal como o Viral já verificou anteriormente, na hora de comprar qualquer utensílio que vá estar em contacto com alimentos, deve procurar na embalagem ou no objeto o símbolo do copo e do garfo.
Este símbolo certifica que o objeto em questão segue as boas práticas de fabrico para materiais destinados a entrar em contacto com os alimentos determinadas pela legislação da União Europeia (UE).
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) alerta, num texto publicado no seu site, que “o contacto dos alimentos com os materiais é um aspeto essencial da segurança dos alimentos, porque pode ocorrer uma migração dos constituintes do material para o género alimentício”.
Esta “migração” pode “causar ou não perigo para a saúde pública, modificar inaceitavelmente a composição dos alimentos ou alterar-lhe as características organoléticas”, dependendo “do tipo e da quantidade de constituintes que migram”.
Como, à partida, os materiais das tábuas são adequados, o risco para a saúde associado à utilização destes objetos vai depender da “boa prática do consumidor”, ou seja, dos cuidados que se têm com as tábuas, defende o investigador da UMinho.
Cuidados a ter na utilização de tábuas de corte

Tanto na utilização de tábuas de corte de plástico como de madeira, os especialistas contactados pelo Viral destacam dois cuidados essenciais a ter com estes utensílios: garantir a integridade da tábua e fazer uma higienização adequada.
Segundo Armando Venâncio, a tábua “deve ser devidamente lavada após cada utilização, para evitar a contaminação de um alimento com perigos oriundos de outros alimentos”.
Por exemplo, refere, “usar a tábua para preparar um frango e não a lavar de forma adequada antes de a usar para preparar uma salada vai contaminar seriamente a salada”.
Isto porque, esclarece, “as bactérias do frango vão ser eliminadas durante a confeção tornando-o mais seguro”, mas a salada “não vai sofrer tratamento térmico”. Por isso, o risco de ficar contaminada é maior.
Outro passo fundamental na higienização é a secagem. Segundo Paula Teixeira, “uma tábua húmida favorece o crescimento de microrganismos”.
É preciso ter especial atenção às tábuas de madeira, porque “são mais difíceis de secar”, acrescenta a especialista.
Para mais, adianta, “o design” de uma determinada tábua (de plástico ou madeira) pode “criar zonas de difícil acesso ao detergente”, dificultando a lavagem.
Também se deve ter mais cuidado com tábuas constituídas “por materiais porosos”, porque o próprio material pode “absorver água e sujidade” mais facilmente.
Noutro plano, é importante perceber que “as tábuas têm um tempo de vida” e só devem ser utilizadas enquanto estiverem “num bom estado de conservação”, assinala Paula Teixeira.
É normal estes utensílios serem danificados durante a utilização. No entanto, aponta Armando Venâncio, “estes maus tratos – como cortes, fissuras e rachaduras – vão acumular sujidade e dificultar a tarefa de higienização entre utilizações”.
Mais uma vez, “nestas situações, o risco de contaminação aumenta”, salienta o especialista.
Além disso, menciona Paula Teixeira, quando as tábuas já estão muito utilizadas podem “contaminar os alimentos” com “farpas de madeira” ou pedaços de plástico.
Assim, “o perigo também é físico, porque pode causar danos ao consumidor”, realça.
Uma boa forma de evitar o desgaste rápido de uma tábua e de prevenir “a contaminação cruzada” é ter, pelo menos, duas tábuas: “uma para os alimentos crus” e outra para os que não vão ser cozinhados.
Se for possível, ter “uma tábua para preparar o pão e outra para cortar a carne ou o peixe” é também “uma boa prática”, conclui Paula Teixeira.
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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.
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