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Como criar um kit de emergência para catástrofes e situações de crise? 

3 Abr 2025 - 09:31

Como criar um kit de emergência para catástrofes e situações de crise? 

A Comissão Europeia (UE) divulgou recentemente um plano de estratégia comum para situações de ameaça e crise nos Estados-membros. Num dos pontos do plano, incentiva-se a população a “adotar medidas práticas, tais como ter mantimentos essenciais para um período mínimo de 72 horas, em caso de emergência”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirma que as “novas realidades requerem um novo nível de preparação na Europa”. Com este plano, a UE pretende melhorar a capacidade de resposta perante crises climáticas (inundações ou incêndios), ciberataques ou conflitos.

Mas como preparar um kit de emergência? Quais os mantimentos essenciais? Que cuidados ter após montar o kit? João Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros (APE), deixa recomendações sobre como criar um kit adequado a situações críticas.

O que incluir no kit de emergência?

O kit de emergência deve acautelar as necessidades básicas do indivíduo durante, pelo menos, 72 horas (equivalente a três dias). “É a minha sobrevivência que está em causa e, por isso, devo ter em conta as minhas necessidades ao criar um kit de emergência”, afirma João Fernandes.

Com este kit, o indivíduo deverá garantir a hidratação, a alimentação, a temperatura corporal e a medicação diária (se tiver). É importante incluir também alguns objetos úteis em situação de catástrofe, tais como um estojo de primeiros socorros, uma lanterna, um rádio a pilhas, um apito, documentos pessoais e algum dinheiro.

Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), o kit deve conter:

  • Estojo de primeiros socorros;
  • Medicação habitual;
  • Água e comida não perecível;
  • Produtos de higiene pessoal;
  • Muda de roupa;
  • Rádio, lanterna e apito;
  • Powerbank para telemóvel;
  • Contacto de familiares e amigos;
  • Cópia de documentos importantes;
  • Dinheiro.

No estojo de primeiros socorros deverá colocar “compressas, pensos, tesoura e luvas descartáveis”, enumera o enfermeiro, lembrando que poderá ser necessário tratar de ferimentos próprios ou de outras pessoas.

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É muito importante “não esquecer a medicação que a pessoa toma habitualmente”, acrescenta. Poderá também acrescentar paracetamol para “ajudar nas dores e nas hipertermias”.

O rádio a pilhas permite ao indivíduo acompanhar informações importantes e ouvir as recomendações das autoridades. O apito pode servir para chamar a atenção das equipas de emergência.

“Estamos muito habituados aos telemóveis, mas, durante a catástrofe, poderá haver problemas na rede de comunicação e o apito pode ser um bom recurso”, diz o presidente da APE.

A par com a muda de roupa e os produtos de higiene, pode incluir no kit um saco de cama ou uma manta térmica para ajudar a “proteger do frio”. Um canivete suíço, um abre-latas e uma caixa de costura são extras que “poderão dar jeito”, acrescenta João Fernandes.

A Cruz Vermelha recomenda um kit de sobrevivência maior, com alimentos e água “suficientes para cinco dias”. Os alimentos devem ser, preferencialmente, “de prazo alargado” e não exigir “refrigeração, preparação ou água”:

  • Conservas;
  • Barras energéticas;
  • Cereais;
  • Frutos secos;
  • Bolachas;
  • Bebidas energéticas.

A quantidade de água deve ser suficiente para garantir a hidratação do indivíduo e a higiene pessoal. A Cruz Vermelha contabiliza cerca de quatro litros por dia por pessoa, ressalvando que grávidas, lactantes ou pessoas doentes têm maior necessidade de beber água.

Kit familiar ou kit individual? E se houver animais?

Na hora de montar um kit de emergência, é importante pensar em algumas questões: primeiro, ser prático e ter um peso adequado para transportar; segundo, garantir que cada pessoa tenha consigo o necessário para sobreviver durante os três dias.

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Nada garante que a família irá ficar junta durante a catástrofe. Se houver um kit familiar e um dos membros da família se separar, este poderá ficar desprotegido”, afirma João Fernandes, considerando que a ideia de um kit familiar “pode ser pouco funcional”.

Sempre que houver uma alteração do agregado, o kit deve também ser ajustado para contemplar as necessidades dos novos elementos da família. Se tiver um bebé na família, deverá incluir fraldas, leite em pó e toalhetes no kit de emergência; se houver um idoso ou um familiar com problemas de saúde específicos, estes também devem ser tidos em conta.

Se tiver animais de estimação, deve incluir no kit os mantimentos necessários para garantir a sobrevivência do animal, tais como alimentação (ração ou latas), água e medicação (caso seja necessário).

Já tenho o kit montado: E agora?

Um kit de emergência deve ser “uma coisa dinâmica”, afirma João Fernandes. Não basta preparar o kit, é necessário verificar regularmente se os produtos continuam em condições de consumo

Tenha em conta os prazos de validade dos alimentos e dos medicamentos, verifique se os aparelhos estão a funcionar corretamente. O enfermeiro aconselha a examinar os produtos perecíveis no kit “de três em três meses”.

“Ter o kit de emergência é bom, mas é importante renovar os produtos periodicamente para que, quando fizer falta (e esperemos que não faça falta), o kit seja realmente útil”, sublinha o enfermeiro.

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A ANEPC recomenda que o kit de emergência seja “preparado atempadamente” e “adaptado às necessidades de cada pessoa”. Aconselha também rever e atualizar o kit “com regularidade”, mantendo-o “acessível em casa, na escola, no local de trabalho ou no automóvel”.

João Fernandes lembra que “uma catástrofe não é planeada e faz sentido ter um kit nos locais onde as pessoas passam mais tempo”.

3 Abr 2025 - 09:31

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