Infeções sexualmente transmissíveis: Quando fazer testes de rastreio?
As infeções sexualmente transmissíveis (IST) são, muitas vezes, doenças silenciosas, com impacto direto na saúde sexual e reprodutiva e podem ter consequências graves, como cancro e complicações na gravidez.
Segundo os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), “mais de 1 milhão” de IST curáveis “são contraídas todos os dias em todo o mundo em pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos, a maioria das quais são assintomáticas”. Quem deve fazer testes de rastreio de IST? Com que frequência devem ser feitos? Que testes estão disponíveis?
Quando se deve fazer testes de rastreio de IST?
Em declarações ao Viral, Cândida Abreu, médica infecciologista e professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), começa por explicar que a necessidade de fazer testes de rastreio de IST depende de vários fatores e que “não há uma regra universal para todas as pessoas”.
A única recomendação geral é que “todas as pessoas sejam rastreadas, pelo menos uma vez na vida, para o VIH [vírus da imunodeficiência humana] e para a hepatite C”, refere a médica.
Ambos os vírus podem ser contraídos por via sexual, têm um impacto negativo na saúde e são doenças silenciosas. “Uma pessoa pode ter VIH há muitos anos sem ter qualquer sintoma”, avisa Cândida Abreu.
Tal como o Viral já tinha esclarecido, noutro artigo, o mesmo acontece com a hepatite C. É comum um doente não apresentar sintomas até que o fígado esteja significativamente danificado.
Além disso, “pessoas que tenham comportamentos sexuais de risco devem fazer testes de rastreio com mais frequência”, aconselha a infecciologista.
“Não utilizar preservativo” e “ter vários parceiros sexuais” são alguns comportamentos de risco que devem levar à realização mais frequente de testes de rastreio de IST.
Descobrir que o seu parceiro sexual tem uma infeção sexualmente transmissível também é um motivo que deve levar a pessoa a fazer um rastreio.
“A questão é que, muitas vezes, esses comportamentos de risco são omitidos, ou seja, as pessoas não informam os médicos”, explica Cândida Abreu.
Com o objetivo de “diminuir o cunho negativo associado a estas doenças” e de “rastrear e tratar quadros de infeção de forma mais precoce”, o ideal é que “um jovem sexualmente ativo” faça testes quando tem um novo parceiro sexual.
No caso das grávidas, fazer testes de rastreio de IST “é imperativo”, defende a professora da FMUP. Por norma, “faz-se rastreio de sífilis e VIH”, porque há o risco de a grávida infetar o feto.
Num texto publicado no balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), explica-se que estas IST, sobretudo, “acarretam complicações graves para a grávida e para o bebé”.
Por outro lado, “pessoas que têm uma infeção sexualmente transmissível diagnosticada devem ser rastreadas para outras IST, porque quem tem uma está em risco de ter outras”, alerta Cândida Abreu.
Por exemplo, um doente que tenha VIH “corre um risco maior de contrair outra IST”, por isso, deve ser testado “para a sífilis”, “a gonorreia”, “o herpes” e, por vezes, para “a clamídia”, refere-se num texto informativo MedlinePlus (um site de informação sobre saúde que pertence aos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos).
Noutro plano, certos sintomas também devem levar ao rastreio de IST. “Por exemplo, exsudação [secreção] no pénis ou na vagina, úlceras ou dor na relação sexual são sinais de que alguma coisa não está bem e de que é preciso fazer rastreio”, defende Cândida Abreu.
Outros sintomas importantes, destacados no texto do MedlinePlus, são: dor ao urinar, “odor invulgar no corrimento vaginal”, comichão ou dor na vagina, no pénis ou no ânus, “feridas ou inchaços na zona genital ou retal” e “sangramento anal”.
Cândida Abreu reforça a importância de “falar e pensar nestas doenças” e, “nas situações em que se justifica, fazer um rastreio”.
Um diagnóstico precoce significa não só “um tratamento mais fácil e eficaz” de doenças com um grande impacto na saúde, mas também impede “a transmissão de uma IST a outras pessoas”, defende.
Infeções sexualmente transmissíveis: Quais os testes de rastreio disponíveis?
Segundo Cândida Abreu, existem vários tipos de testes, “que são utilizados conforme a necessidade”.
Tal como se explica no texto do MedlinePlus, “algumas IST podem ser diagnosticadas durante um exame físico, análises ao sangue ou um exame microscópico de uma ferida ou de um líquido recolhido da vagina, do pénis ou do ânus”.
As análises ao sangue são utilizadas sobretudo para “diagnosticar sífilis, VIH, hepatite B e, por vezes, herpes”, lê-se no mesmo texto.
Por outro lado, fazem-se análises à urina “para diagnosticar a tricomoníase, a clamídia e, por vezes, a gonorreia”.
Além disso, também são comuns os testes de rastreio com zaragatoas, utilizadas para “recolher uma amostra do local da infeção”, em caso de suspeita de “HPV [vírus do papiloma humano], clamídia, gonorreia e herpes”.
Nas mulheres, “as amostras podem ser colhidas na vagina ou no colo do útero” e, nos homens, “as amostras podem ser colhidas no pénis ou na uretra”, acrescenta-se.
Há ainda a opção de se realizar “testes rápidos”, tal como se esclarece noutro texto do SNS 24. Estes testes “detetam, rapidamente, os anticorpos do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), Vírus da Hepatite B (VHB) e Vírus da Hepatite C (VHC), através de algumas gotas de sangue após uma picada num dedo”, informa-se.
Os testes rápidos podem ser feitos “nas farmácias comunitárias e nos laboratórios de patologia clínica/análises clínicas”.
Os resultados de qualquer teste de rastreio de IST (incluindo os testes rápidos) devem ser discutidos com um médico.
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