Incêndios: O que fazer quando há fogo próximo? Qual o impacto do fumo na saúde?
Todos os verões, o cenário é o mesmo. E este ano não é exceção. Nos últimos dias, deflagraram vários incêndios em Portugal, com destaque para a zona centro e norte do país. Segundo os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o perigo de incêndio rural varia entre “elevado” e “máximo” em quase todo o continente, devido à previsão de tempo seco e quente nos próximos dias, com regiões a ultrapassarem os 40 graus. O que fazer quando há fogo próximo? Qual o impacto do fumo dos incêndios na saúde?
O que fazer quando há fogo próximo?
Em contexto de incêndio, é fundamental evitar ao máximo a exposição ao fumo. Se vive numa zona com risco elevado, é particularmente importante adotar medidas preventivas para uma situação de incêndio.
É nesse sentido que surgem as recomendações recentes da Direção-Geral da Saúde (DGS) relativas à exposição ao fumo de incêndios.
Pessoas que vivem perto de zonas onde estão a decorrer incêndios devem, desde já, “evitar exposição ao fumo, mantendo-se dentro de casa, com janelas e portas fechadas, em ambiente fresco”.
Se tiverem ar condicionado, devem ligá-lo, sempre que possível, “no modo de recirculação de ar”, lê-se nas recomendações da DGS.
Além disso, é importante que tenham “alguns produtos em stock, para evitar saídas ao exterior desnecessárias”, como “alimentos que não precisem de refrigeração”, sublinha-se num guia explicativo do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).
O SNS 24 recomenda ainda que as pessoas que vivem em zonas de risco definam “um plano de evacuação em caso de agravamento da situação” e que o partilhem com as pessoas com quem vivem.
No texto da DGS aconselha-se, também, “evitar a utilização de fontes de combustão dentro de casa (aparelhos a gás ou lenha, tabaco, velas, incenso, entre outros)”, bem como “evitar atividades no exterior”.
Pessoas especialmente vulneráveis neste contexto, como doentes com asma e doença pulmonar crónica, devem “manter a medicação habitual” e “seguir as indicações do médico perante o eventual agravamento das queixas”.
Além disso, deve-se manter “informado, hidratado e fresco”, sublinha-se no mesmo texto. Sempre que a exposição ao fumo for inevitável, recomenda-se utilizar máscaras de proteção N95.
Se uma pessoa inalar o fumo de um incêndio é essencial agir de imediato. Em primeiro lugar, deve-se “retirar a pessoa do local e evitar que respire o fumo ou esteja exposta ao calor”, refere a DGS.
Depois, deve procurar-se por sinais de alarme, como a “presença de queimaduras faciais”, “sinais de dificuldade respiratória” e “alteração do estado de consciência”.
Caso precise de mais informações gerais, deve ligar para o SNS 24 (808 24 24 24). Se precisar de esclarecimentos no caso de intoxicação, deve ligar para o CIAV – Centro de Informação Antivenenos (800 250 250). Em caso de emergência, o número a contactar é o do INEM (112).
Qual o impacto do fumo dos incêndios na saúde?
No guia explicativo do SNS 24 explica-se que os riscos da exposição ao fumo dos incêndios dependem de vários fatores, “como o nível e a duração da exposição, a idade da pessoa e a suscetibilidade individual”.
De modo geral, “a exposição e inalação do fumo de incêndios florestais pode provocar alterações respiratórias, cardíacas, neurológicas e oftalmológicas”, sendo que estas alterações podem ocorrer por duas vias: “devido ao calor (queimaduras) ou à irritação/toxicidade causada pelos componentes químicos do fumo” (ver também aqui e aqui).
Tal como se esclarece noutro texto da DGS, “a composição do fumo é dependente, igualmente, do tipo de combustível, teor de humidade, temperatura e duração da combustão, condições de vento ou outros fatores climáticos”.
Substâncias como as partículas suspensas, o monóxido de carbono, o formaldeído e a acroleína, presentes no fumo dos incêndios, têm um impacto negativo na saúde.
Segundo o guia do SNS 24, podem provocar complicações como: “irritação dos olhos, do nariz e da garganta”; “aumento das secreções/expetoração”; “tosse persistente”; e “inflamação e estreitamento das vias respiratórias (edema)”.
A inalação do fumo também pode causar “doenças respiratórias, como a bronquite” e agravar “doenças do coração e respiratórias” (ver também aqui e aqui).
Pode, ainda, provocar “alterações do estado de consciência (fraqueza, sonolência, desmaio)” e, em casos extremos, “pode afetar os níveis de oxigénio no sangue e causar insuficiência respiratória”, acrescenta-se.