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Quem pode ser dador? Como é feita a colheita? Guia para doar medula óssea

20 Set 2025 - 08:45

Quem pode ser dador? Como é feita a colheita? Guia para doar medula óssea

Para algumas pessoas com doenças do sangue, o transplante de medula óssea é a única forma de chegarem à cura. Assim, todos os anos, no terceiro sábado de setembro, assinala-se o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, com o objetivo de prestar agradecimentos a todos os dadores, bem como incentivar à dádiva. Quem pode ser dador? Como é feita a colheita? Pode-se dar medula óssea mais do que uma vez?

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Em esclarecimentos enviados ao Viral, Maria Antónia Escoval, presidente do Conselho Diretivo do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), esclarece como doar medula óssea e sublinha a importância da dádiva.

Quem pode tornar-se potencial dador de medula óssea? 

Segundo Maria Antónia Escoval, a inscrição para a dádiva de medula óssea “está aberta aos residentes em Portugal que apresentem domínio da língua portuguesa ou inglesa”.

Para se tornar potencial dador de medula óssea, “uma pessoa tem de ter entre 18 e 35 anos no momento da inscrição, mantendo-se inscrita no registo, após avaliação de critérios imediatos de exclusão, até aos 55 anos”, adianta. 

O registo dá prioridade aos dadores mais jovens, porque “está clinicamente demonstrado que, quanto mais jovem for o dador, maior será a sobrevivência do doente transplantado, porque a medula transplantada será mais capaz de reconstituir o sistema imunitário do doente e terá maior eficácia na prevenção da recaída (no caso de transplante por doenças malignas)”, justifica-se no site do IPST.

De forma geral, o possível dador “deve ser saudável, ou seja, não ter história de doença grave (incluindo patologia oncológica ou autoimune)” e “não apresentar comportamentos de risco associados à probabilidade aumentada de contrair infeções sexualmente transmissíveis”, sublinha a presidente do Conselho Diretivo do IPST. 

Em situações específicas “de doença prévia (ou em estudo) poderá ser requerido um relatório médico ou exames comprovativos da elegibilidade para a dádiva”, acrescenta.

Onde e como é que uma pessoa se pode inscrever para ser dadora?

Até à data, “a inscrição pode ser realizada em qualquer um dos Centros de Sangue e da Transplantação (de Lisboa, Porto e Coimbra), em brigadas móveis do IPST, ou nos Serviços de Imunohemoterapia presentes nos hospitais nacionais”, explica Maria Antónia Escoval.

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Contudo, segundo a especialista, “em breve será implementado um registo online, através do qual os candidatos a potencial dador preenchem um formulário manifestando o seu interesse na inscrição, podendo posteriormente agendar a verificação dos dados e recolha de amostra, efetivando, desse modo, a sua inscrição”.

Importa ainda referir que a dádiva “é sempre anónima, voluntária e não associada a contrapartidas financeiras ou de outro tipo (sendo a potencial perda de rendimento e custos associados à dádiva totalmente cobertos pelo IPST, IP)”. 

Como é feita a colheita?

Depois do preenchimento e verificação do formulário de inscrição, “é feita uma colheita de sangue, para caracterização genética da pessoa dadora, que permitirá efetivar o registo”, esclarece a especialista do IPST. 

A colheita de progenitores hematopoiéticos – células presentes na medula óssea – “pode ser feita por dois métodos”, adianta.

O método mais utilizado “é através da punção de veias de grande calibre nos membros superiores (ou, excecionalmente, através da colocação de cateter venoso central) e da circulação do sangue por um aparelho de aférese, durante algumas horas”, explica Maria Antónia Escoval

Neste caso, para que a colheita seja possível, o dador deve fazer previamente, pelo período previsível de 5 dias, injeções subcutâneas de um medicamento chamado filgrastim, que é um fator de crescimento cujo objetivo é fazer com que as células passem da medula óssea para o sangue periférico”, esclarece-se no site do IPST.

O outro método “envolve a colheita direta de medula óssea através de punção direta dos ossos da bacia, realizada no bloco operatório”, prossegue a especialista do IPST.

Embora as equipas de transplante solicitem preferencialmente um método de acordo com a indicação clínica, “a escolha do mesmo recai sempre sobre a pessoa dadora”.

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A partir do momento em que é feita a colheita e a amostra é processada, “a pessoa fica automaticamente inscrita no CEDACE (Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão), estando o seu perfil genético acessível ainda na base de dados da WMDA (World Marrow Donor Association)”, refere ainda.

Quanto tempo demora a recuperação após a dádiva?

O tempo de recuperação “é variável de acordo com o método utilizado”, aponta Maria Antónia Escoval.

Quando a colheita é realizada por aférese, “a recuperação é rápida, com possibilidade de retoma de atividade normal cerca de uma semana após o procedimento”.

Por outro lado, “a recuperação total após colheita direta de medula óssea pode ser um pouco mais lenta, demorando de alguns dias a algumas semanas”, esclarece.

Pode-se dar medula óssea mais do que uma vez?

Uma pessoa que esteja inscrita como dadora no CEDACE pode ser contactada para uma dádiva, “no máximo, duas vezes, habitualmente para o mesmo doente, embora possa, em situações excecionais de ausência de outros dadores nos registos, doar uma vez por doente para dois doentes”. 

Além disso, a pessoa “pode ser contactada para colheita de linfócitos (sangue periférico) para um doente a quem tenha previamente doado, por método de aférese sem estimulação prévia, por um máximo de duas vezes”, acrescenta a mesma fonte.

Qual a importância da dádiva de medula óssea?

Na perspetiva da presidente do Conselho Diretivo do IPST, “a dádiva de medula óssea é essencial para permitir a realização do transplante de medula óssea, uma terapêutica crucial para o tratamento de doenças graves, de outro modo incuráveis ou com elevado risco de recaída (no caso de doenças malignas do sangue previamente tratadas)”. 

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As pessoas que beneficiam mais são doentes com “leucemias agudas, síndromes mielodisplásicas, neoplasias mieloproliferativas e alguns tipos de linfoma”, exemplifica. 

O transplante de medula óssea “pode também ser utilizado para tratar algumas doenças benignas graves adquiridas ou congénitas, como síndromes de falência medular (incluindo anemia aplásica) ou imunodeficiências congénitas”, acrescenta.

Como é determinada a compatibilidade entre dador e recetor?

Maria Antónia Escoval explica que “a compatibilidade entre dador e recetor é determinada através da análise de um conjunto de genes que se encontram no cromossoma 6, designados HLA – antigénios leucocitários humanos”. 

Embora “a compatibilidade ideal seja de 10 em 10 dos genes em questão, é possível aceitar compatibilidade de pelo menos 9 em 10 ou, em situações excecionais, até 8 em 10 destes genes”, explica. 

A probabilidade de cada irmão partilhar a totalidade destes genes com um doente é “de 25%”, “sendo necessário recorrer à pesquisa de dador não-relacionado na ausência desta compatibilidade”. 

Segundo a especialista, “a probabilidade de obtenção de um dador não-relacionado compatível é variável de acordo com a ancestralidade genética dos doentes e a composição dos diferentes registos de dadores”. 

Qual a necessidade atual de dadores em Portugal?

O CEDACE tem um dos “maiores registos de dadores voluntários do mundo per capita”, sublinha Maria Antónia Escoval. 

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Apesar disso, a instituição “enfrenta desafios” que fazem com que haja “uma necessidade constante de novos dadores”. 

Um dos principais desafios é “o envelhecimento dos dadores atualmente inscritos, condicionando uma ligeira curva descendente no número absoluto de dadores nos últimos anos”, aponta. 

Além disso, tem-se verificado “uma redução de ativações de dadores nacionais (por melhores resultados do transplante com menor idade dos dadores), bem como a baixa diversidade de ancestralidade no registo”.

Isto faz com que haja uma “menor probabilidade de obtenção de dadores para os doentes provenientes, por exemplo, dos países africanos de língua oficial portuguesa”, justifica.

Assim, defende, é necessária “a inscrição de todos os dadores jovens que puderem e o quiserem fazer, sendo crucial a compreensão que quanto mais dadores tivermos de determinadas regiões ou com determinadas características de ancestralidade, mais facilmente conseguiremos ajudar os doentes com essas mesmas características”.

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Hematologia

20 Set 2025 - 08:45

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