Alimentação, sono e bem-estar: Um guia para cuidar da saúde no Natal
O convívio, a partilha e confeção de comida típica e a troca de presentes fazem do Natal a celebração mais esperada do ano para muitas pessoas. Mas, como em qualquer altura do ano, é importante cuidar da saúde. Que precauções se deve ter a cozinhar no Natal? Como evitar infeções respiratórias? É possível sentir tristeza no Natal?
Neste guia, expomos algumas dicas para cuidar da saúde na época festiva, desde a alimentação ao sono.
Incluir alimentos saudáveis nas refeições natalícias sem demonizar outros
Existem alimentos tipicamente consumidos no Natal que têm benefícios especiais para a saúde, tal como duas nutricionistas disseram ao Viral, em declarações anteriores.
O bacalhau, a couve portuguesa e o polvo, por exemplo, são alimentos com baixo valor calórico e boas fontes de vitaminas e minerais. Por outro lado, o grão-de-bico e as amêndoas são ricos em fibra, uma característica importante para o controlo do apetite.
Apesar de ser importante valorizar alimentos mais ricos do ponto de vista nutricional, não se deve demonizar os outros alimentos. Deve-se dar valor “à partilha e a refeições em família”, com alimentos “que nos fazem felizes”, defendia Helena Trigueiro.
Perceber se alguém tem alergias e intolerâncias alimentares
Para as pessoas que cozinham para um grupo na altura do Natal, pode ser um desafio confecionar pratos que agradem a todos e a dificuldade aumenta quando há alguém que tem alergias ou intolerâncias alimentares.
Nesse caso, é muito importante ter alguns cuidados. Deve-se perceber quem tem alergias ou intolerâncias alimentares (e a que alimentos), qual o nível de gravidade de possíveis reações e quais os cuidados específicos a ter.
Estes cuidados são particularmente importantes em caso de alergias alimentares, porque “podem ocorrer reações muito graves, que podem ser fatais, se não forem tratadas atempadamente”, explicava a imunoalergologista Ana Reis Ferreira, em declarações anteriores ao Viral.
Para tirar algumas dúvidas sobre como detetar uma reação alérgica e o que fazer nesse contexto, pode ler este artigo do Viral.
Ter cuidado com o consumo de bebidas alcoólicas
Para muitas pessoas, as festividades do final de dezembro, como o Natal e a passagem do ano, estão muito associadas ao consumo de bebidas alcoólicas.
Apesar de se saber que deixar de beber álcool tem vários benefícios para a saúde e que “nenhum nível de consumo de álcool é seguro para a saúde” (tal como sublinha a OMS), há quem não quebre a tradição.
Nesse contexto, o Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos (NIAAA, na sigla inglesa), por exemplo, recomenda que “planeie com antecedência” antes de comemorar.
Isto significa adotar algumas estratégias que minimizem os efeitos indesejados do álcool e evitem o consumo excessivo, como disponibilizar “uma variedade de bebidas sem álcool” e ter “uma variedade de alimentos e lanches saudáveis”, de forma “retardar a absorção do álcool e reduzir o nível máximo de álcool no organismo”.
É ainda fundamental estabelecer previamente que quem vai conduzir não deve ingerir álcool.
Evitar problemas de segurança alimentar
A preparação das refeições na altura do Natal pode ser desafiante, devido ao número de pessoas e de receitas. Para garantir boas práticas de higiene e evitar contaminação cruzada – e consequentemente intoxicações alimentares – deve-se ter alguns cuidados.
É fundamental:
– Planear as tarefas na cozinha e organizar o espaço, sobretudo o frigorífico;
– Lavar as mãos, os utensílios e as superfícies;
– Demolhar o bacalhau dentro do frigorífico;
– Se fizer viagens grandes, não deve levar alimentos perecíveis.
No fim das refeições, é importante ter atenção à forma como se conservam as sobras de comida (ver aqui). A temperatura ambiente é propícia ao desenvolvimento de microorganismos, por isso qualquer alimento cozinhado deve ser refrigerado o mais rápido possível, no máximo, até duas horas depois.
No frigorífico, as refeições confecionadas só devem ser conservadas, em média, até três dias. No congelador, a comida dura mais tempo, mas é importante considerar que os alimentos com gordura estragam-se mais rápido.
- Ler mais: Do bacalhau aos doces: 7 cuidados a ter para evitar intoxicações alimentares na época festiva
Apostar na prevenção de infeções respiratórias
No inverno, o número de infeções respiratórias, como a gripe e a Covid-19, aumentam. É nesse sentido que, todos os anos, a Direção-Geral da Saúde (DGS) realiza campanhas sazonais de vacinação contra a gripe e contra a Covid-19.
Durante a altura do Natal e da passagem de ano, é comum os casos de infeções subirem. É importante manter a etiqueta respiratória, lavar as mãos com frequência (sobretudo após tossir e/ou espirrar) e utilizar máscara quando for necessário – por exemplo, quando uma das pessoas tem sintomas respiratórios (ver também aqui, aqui e aqui).
Tentar não negligenciar o sono
Em épocas festivas, o sono é um dos pilares da saúde que fica mais comprometido. Para evitar, ao máximo, prejudicar o sono, deve-se tentar aplicar, dentro do possível, as regras básicas da higiene do sono (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
É importante tentar: dormir num quarto escuro, sem ruído e com uma temperatura confortável; tentar dormir e acordar à mesma hora; evitar o álcool e o tabaco à noite e evitar beber café a partir do início da tarde; e reduzir o uso de ecrãs perto da hora de dormir.
Tomar um banho quente antes de dormir também pode ajudar algumas pessoas a adormecer mais rápido e a dormir melhor.
Não comentar o corpo ou o prato de alguém durante a ceia de Natal
Dita a boa educação que não se deve comentar o que os outros comem. Seguir este ensinamento poderia evitar muito stress e sofrimento, principalmente durante os momentos festivos e de reunião familiar, e especialmente em relação a pessoas com perturbações do comportamento alimentar.
Tal como explicava a psicóloga Filipa Menano Almeida, em declarações anteriores ao Viral, as críticas ao corpo e à alimentação podem gerar um “aumento da fome emocional” ou levar a pessoa a ter “comportamentos extremos de restrição, compulsão, ou exagero na realização de exercício físico”.
Caso a pessoa criticada já tenha sido diagnosticada com uma perturbação e esteja em processo de recuperação, estes comentários podem fazer com que sinta que “está a falhar” no tratamento, o que provoca também “frustração”. Poderá ainda sentir “vergonha, mágoa, constrangimento ou culpa”, esclarecia a psicóloga.
Gerir uma possível “tristeza natalícia”
A ideia de ficar triste no Natal causa estranheza a muitas pessoas. No entanto, ter vivido um ano atribulado, perdido um familiar, um trabalho ou ter terminado uma relação pode tornar esta época mais difícil de viver e provocar os chamados “christmas blues” ou “tristeza natalícia”.
Para ajudar a combater a tristeza natalícia é importante aplicar quatro medidas: aceitar que está triste; apostar no autocuidado; encontrar conforto nas pessoas mais próximas; e pôr as coisas em perspetiva ao pensar que “este natal” não define uma vida inteira.
Ler mais: Christmas blues. Como combater a “tristeza natalícia”?