Gravidez e hipotiroidismo: Qual a relação? Grávidas correm risco acrescido?
O hipotiroidismo ocorre quando a tiroide não produz hormonas tiroideias suficientes para satisfazer as necessidades do organismo. Esta doença é mais comum nas mulheres e em pessoas com mais de 60 anos. Será que a gravidez também é um fator de risco para o hipotiroidismo? Qual a relação entre a gravidez e esta doença da tiroide?
É verdade que as grávidas correm um risco acrescido de ter hipotiroidismo?
Sim, tanto a gravidez como o pós-parto são fatores de risco para desenvolver hipotiroidismo (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
Tal como se explica num texto da Sociedade Portuguesa Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), a função da tiroide é produzir hormonas tiroideias, que “são essenciais para múltiplas funções do organismo, tendo um papel particularmente relevante no metabolismo”.
Em contexto de gravidez, estas hormonas “são fundamentais no desenvolvimento do sistema nervoso fetal”, daí existirem “alterações associadas à gravidez” que incluem “um aumento de cerca de 50% na produção” das hormonas tiroideias.
Nas primeiras 18 a 20 semanas de gestação, “o feto depende totalmente da produção materna” de hormonas tiroideias. “A partir das 20 semanas de gestação a tiroide do feto começa a produzir as suas próprias” hormonas tiroideias, “embora dependa da ingestão materna de iodo para a sua produção”, explica-se no mesmo texto.
O hipotiroidismo ocorre quando a tiroide não produz hormonas tiroideias suficientes para satisfazer as necessidades do organismo. É uma patologia comum nas mulheres em idade fértil e a tiroidite de Hashimoto (uma doença autoimune) é a causa mais frequente do hipotiroidismo (ver aqui e aqui).
Na gravidez, o hipotiroidismo pode dever-se “à manifestação inicial da tiroidite de Hashimoto, ao tratamento inadequado de uma mulher já diagnosticada com hipotiroidismo por diversas causas”, ou ao tratamento medicamentoso excessivo de uma mulher com hipertiroidismo, explica-se num texto da American Thyroid Association.
É importante destacar ainda que o défice de iodo pode contribuir para o desenvolvimento de hipotiroidismo na gravidez. Por esse motivo, é recomendado suplementar com 250 mg de iodo por dia durante a gravidez (ver aqui, aqui e aqui).
Além do hipotiroidismo, o défice de iodo na gravidez está associado a “mortalidade perinatal, malformações congénitas, hipotiroidismo neonatal e comprometimento do desenvolvimento neurocognitivo fetal”, sublinha-se num documento sobre alimentação e nutrição na gravidez da Direção-Geral da Saúde (DGS).
No entanto, existem exceções. Por exemplo, “as grávidas com história de determinado tipo de carcinoma da tiroide não devem ser suplementadas com iodo”, refere-se no texto da SPEDM.
Além disso, é importante ter atenção às doses de iodo. No documento da DGS explica-se que “níveis elevados de iodo” podem induzir “os mesmos efeitos que a deficiência”.
Quais os riscos do hipotiroidismo para a grávida e para o bebé?
O hipotiroidismo não tratado ou tratado de forma inadequada acarreta vários riscos para a saúde da grávida e do bebé.
Num texto do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK), destacam-se: pré-eclâmpsia (um aumento perigoso da pressão arterial na fase final da gravidez); anemia; aborto espontâneo; baixo peso à nascença; natimorto; e insuficiência cardíaca congestiva, em casos raros.
Além disso, há o risco de o bebé nascer prematuro e/ou com problemas neurológicos e do desenvolvimento (ver aqui e aqui).
Como se trata o hipotiroidismo durante a gravidez?
O tratamento passa sobretudo pela toma de levotiroxina oral (LT4), um medicamento à base de hormonas normalmente produzidas pela tiroide.
“No caso das mulheres com hipotiroidismo prévio à gravidez, já tratadas com LT4, aconselha-se avaliar a função tiroideia assim que se confirma a gravidez bem como um ajuste imediato da dose do fármaco”, refere-se no texto da SPEDM.
Nas mulheres com diagnóstico durante a gravidez, “a dose inicial deverá ser superior à dose inicial das mulheres não grávidas”, para haver “uma normalização mais rápida dos níveis” de hormonas tiroideias. Deve-se fazer avaliações periódicas para eventuais ajustes na dose.
Após o parto, “as necessidades de LT4 voltam às necessidades basais”, por isso, “as mulheres com hipotiroidismo diagnosticado antes gravidez” devem retomar a dose prévia e as que tiveram o diagnóstico durante a gravidez, na maioria dos casos, pode-se suspender a terapêutica.