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Euro 2024: As lesões mais comuns nos jogadores de futebol

5 Jul 2024 - 03:49

Euro 2024: As lesões mais comuns nos jogadores de futebol


Há um tema que, nas últimas semanas, domina as discussões nas redes sociais e as conversas entre amigos, família e colegas de trabalho:
o Euro 2024, o campeonato europeu de futebol da UEFA, que conta com a participação de 24 seleções e de alguns dos melhores jogadores do mundo.

No dia em que Portugal enfrenta a França nos quartos de final da competição, Paulo Amado, especialista em Medicina Desportiva que já trabalhou em clubes como o Leixões Sport Clube, o SC Salgueiros e o Vitória Sport Clube, explica quais as lesões mais comuns (e as mais graves) nos jogadores de futebol, como são tratadas e que fatores podem aumentar o risco de lesão.

Quais as lesões mais comuns nos jogadores de futebol?

Em declarações ao Viral, Paulo Amado adianta que as lesões mais comuns nos jogadores de futebol são as musculares e as tendinosas, ou seja, as que afetam os músculos e os tendões.

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Durante um jogo de futebol, é frequente acontecerem lesões musculares, como “contraturas, distensões e ruturas”, sendo as mais comuns “as ruturas dos gémeos e as dos músculos da coxa”.

O especialista em Medicina Desportiva lembra que, no final do jogo em que Portugal enfrentou a Eslovénia, nos oitavos de final do Euro 2024, que foi a prolongamento, havia vários atletas a queixarem-se de “contraturas musculares, por cansaço, porque já estávamos a ultrapassar os 90 minutos, o tempo que foi definido como um tempo normal no futebol”.

Apesar de serem as mais comuns, estas lesões são também, regra geral, menos graves e têm, atualmente, “um tratamento melhor e mais rápido do que tinham antes”, aponta Paulo Amado.

Esses tratamentos mais recentes passam, por exemplo, pela utilização de “células estaminais ou células sanguíneas do próprio atleta que são centrifugadas para ajudar na cicatrização e diminuir o tempo de recuperação”.

São também frequentes nos jogadores de futebol dois tipos de lesões que podem ser mais graves e exigir maior tempo de recuperação: as lesões do joelho e do tornozelo.

“Quando pensamos no futebol, pensamos muitas vezes nas lesões do joelho, mas temos mais lesões no tornozelo – como entorses e ruturas ligamentares – do que propriamente no joelho, embora as do joelho sejam, em regra, mais graves, e impossibilitam mais”, esclarece o médico.

No caso das lesões no tornozelo, exemplifica Paulo Amado, até pode acontecer, por vezes, um atleta “ter uma lesão ligamentar do tornozelo” durante o jogo e, após aplicar gelo e receber uma “pequena massagem”, voltar ao campo, só se apercebendo no final da partida que “a lesão é um bocadinho maior do que o que se esperava”.

Por outro lado, lesões do joelho, como “a famosa rutura do ligamento cruzado anterior”, são mais graves e, quando surgem, “o atleta não pode continuar o jogo, tem de ser substituído”.

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A rutura do ligamento cruzado anterior é uma lesão muito típica no futebol, e dá-se, por exemplo, “quando o atleta dá um salto e cai mal, ou fica com a chuteira presa, a correr ou a fazer uma finta, e, muitas vezes, “nem há contacto com outro atleta”.

Neste caso, é necessário cirurgia, que, na perspetiva do especialista em Medicina Desportiva, só deve ser feita “15 dias a um mês depois de ter surgido essa lesão, para que os fenómenos inflamatórios estejam diminuídos” no momento da operação. 

O tempo de recuperação ronda os “quatro a seis meses” e, sublinha Paulo Amado, “mesmo que um atleta esteja a recuperar muito bem não deverá voltar antes dos quatro meses, pelo menos, porque há o aspeto cicatricial, biológico, do ligamento que tem que ser respeitado”.

Outro exemplo de lesão que também pode acontecer sem haver, necessariamente, um embate com outro jogador é a rutura do tendão de Aquiles, situado na zona do tornozelo.

O médico lembra o caso de David Beckham que, em 2010, sofreu uma rutura no tendão de Aquiles esquerdo, quando jogava pelo AC Milan num jogo da Série A italiana.

“Se formos ver as imagens do vídeo desse jogo, vemos que o Beckham olha para trás para ver se houve alguém que lhe deu algum trauma, que lhe deu um pontapé, e não está lá ninguém”, começa por contar.

E porque é que isso aconteceu? Porque, acrescenta Paulo Amado, quando um atleta rompe o tendão de Aquiles “sente um estalo brutal, com dor, fica logo impossibilitado, e atira-se para o chão”.

Aliás, salienta o especialista, o facto de o jogador estar isolado no momento em que isto acontece pode levar alguns árbitros “à confusão” e a ponderar se o jogador poderá “estar a fingir”.

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É também por isso que Paulo Amado defende que os “árbitros devem ter informação” sobre como acontecem as diferentes lesões, para que consigam distinguir melhor uma simulação de um problema real.

Noutro plano, quanto às lesões típicas em jogadores de futebol com um pendor mais crónico, o médico destaca aquilo a que chama impingement (anterior ou posterior) do tornozelo”, uma “patologia do tornozelo com calcificações que se vão ganhando ao longo das múltiplas entorses, múltiplos traumas que os jogadores vão tendo”.

Que fatores influenciam o risco de lesão?

Existem vários fatores que podem aumentar ou minimizar o risco de um jogador ter uma lesão, nomeadamente o tipo de aquecimento, o tempo de jogo e a condição física e o estado nutricional do jogador.

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Quanto ao aquecimento, Paulo Amado lembra que os preparadores físicos têm cada vez mais interferência nas equipas, com a definição de exercícios de aquecimento adaptados às necessidades dos atletas e do jogo em si, nomeadamente “alongamentos dos músculos”.

O especialista em Medicina Desportiva adianta que o tempo de jogo tem também um impacto significativo no risco de lesão, lembrando que “muitas ruturas musculares se dão nos 15 minutos finais do jogo”.

O estado nutricional do jogador também pode influenciar este risco, pelo que, segundo Paulo Amado, as equipas de futebol estão atualmente “altamente profissionalizadas” e contam com profissionais que apoiam os jogadores em termos de alimentação e suplementação, que deve ser sempre adaptada às características e necessidades e ao “perfil metabólico do atleta”, conclui.

 

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Exercício Físico

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5 Jul 2024 - 03:49

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