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Muito mais do que massagens: 7 estratégias para praticar o autocuidado

24 Jul 2025 - 09:50

Muito mais do que massagens: 7 estratégias para praticar o autocuidado

O Dia Internacional do Autocuidado, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), assinala-se todos os anos a 24 de julho. Este dia foi escolhido para transmitir a ideia de que o autocuidado pode (e deve) ser praticado todos os dias.

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A propósito desta data, Alexandra Antunes, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), e Paulo Santos, especialista em Medicina Geral e Familiar e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), sublinham a importância do autocuidado

Tal como o nome indica, o autocuidado implica, no fundo, “provocar de forma voluntária uma sensação de bem-estar físico e mental dirigida a nós próprios, através de uma série de estratégias e de atividades”, começa por explicar Alexandra Antunes.

Na perspetiva de Paulo Santos, o autocuidado tem não só “um impacto enorme naquilo que é o bem-estar das pessoas”, mas também “na saúde” em si, “no sentido da prevenção e da gestão de doenças”.

Por isso, defende a psicóloga, “independentemente de termos de trabalhar ou de termos pessoas que dependem de nós”, é fundamental priorizarmo-nos. Aliás, salienta, “antes de cuidarmos dos outros é essencial que cuidemos de nós próprios”, porque se não o fizermos “os outros também não vão estar bem ao nosso lado”.

Que estratégias de autocuidado promovem a saúde?

1- Ter uma alimentação equilibrada e saudável

Na perspetiva de Paulo Santos e de Alexandra Antunes, cuidar da alimentação e manter a hidratação diária adequada é essencial enquanto estratégia de autocuidado (ver também aqui).

Tal como se explica num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), entende-se por alimentação saudável uma dieta “completa, variada e equilibrada” que proporcione a energia adequada e o bem-estar ao longo da vida.

“Alimentos ricos em fibra como produtos hortícolas, frutos, cereais e leguminosas, vitaminas, sais minerais e com baixo teor de gordura devem ser os ‘alimentos base’ do quotidiano para uma alimentação saudável”, acrescenta-se no mesmo texto.

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2 – Praticar exercício físico regular

Para os profissionais de saúde contactados pelo Viral, fazer exercício físico de forma regular é um dos pilares do autocuidado. Segundo a OMS, “a atividade física tem enormes benefícios para a saúde do nosso coração, mente e corpo”.

As recomendações sugerem 150 a 300 minutos por semana de exercício físico para adultos e idosos e “60 minutos por dia para adolescentes e crianças”.

Na perspetiva de Alexandra Antunes, além de ser importante praticar exercício físico regular, é fundamental “escolher um tipo de atividade de acordo com os gostos de cada um, de modo que a pessoa se sinta bem”.

O exercício físico “pode ser andar, dançar, andar de bicicleta, jogar padel, no fundo, pode ser o que der prazer à pessoa”, defende a psicóloga.

3 – Ter uma boa higiene do sono

Paulo Santos e Alexandra Antunes defendem que dormir bem e praticar uma boa higiene do sono é fundamental para o bem-estar geral e para a saúde. 

Deve-se, sobretudo, ter um horário regular para deitar e acordar, dormir entre 7 a 9 horas e tentar proporcionar um ambiente adequado para dormir bem (sem luz, sons e confortável).

Além de promover a qualidade de vida, dormir bem ajuda: no “fortalecimento da memória”, na “imunidade adequada, ajudando a combater infeções”; na “melhor capacidade intelectual e laboral”; e na “prevenção do aparecimento de doenças crónicas”, sublinha-se noutro texto do SNS 24.

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4- Priorizar o autocuidado em contexto de doença

Na perspetiva de Paulo Santos, as medidas de autocuidado são muito importantes, quer na prevenção, quer na gestão de doenças agudas ou crónicas.

Em primeiro lugar, o autocuidado tem impacto na prevenção de doenças. Depois, a prática de estratégias de autocuidado (ou a falta dela) terá influência na forma como o organismo e a própria pessoa lida com a doença, quando aparece.

Uma doença aguda leve, como uma gripe ou uma situação de febre, por vezes, “pode ser perfeitamente gerida com medidas de autocuidado durante alguns dias”, através do controlo dos sintomas.

Mesmo em situações de doença mais grave e/ou crónica, em que há um acompanhamento médico frequente e em que se receitam medicamentos e tratamentos, “o autocuidado é essencial”, defende o médico.

“É fundamental que as pessoas estejam capacitadas para gerir os processos de doença crónica”, que tenham os cuidados recomendados pelos médicos, como “tomar os medicamentos à hora certa, no contexto certo, para que eles façam o efeito pretendido”, ou que não prejudiquem os tratamentos com estilos de vida não saudáveis.

5- Fazer atividades que dão prazer

Existem medidas de autocuidado que são universais, mas o tempo que cada pessoa dedica a si mesma pode incluir atividades que diferem consoante as preferências de cada um.

Alexandra Antunes considera importante que cada pessoa tenha “a autoconsciência do que a faz sentir bem”, porque aquele tempo que dedica a si mesma é só seu e deve ser passado “de acordo com aquilo que gosta e que a faz sentir bem”.

Para uma pessoa, “uma estratégia de autocuidado pode ser estar sentada a ouvir música” e para outra “pode ser ir sair com um amigo”, exemplifica.

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Por isso, a psicóloga recomenda que “cada um faça uma lista daquilo que são atividades que o fazem sentir bem, que lhe dão prazer e, por isso, que o relaxam e dão uma sensação de bem-estar”.

Além disso, é importante que estas atividades possam ser introduzidas na rotina diária, que dependam pouco de espaços físicos e que “se mantenham ao longo do tempo”, prossegue.

Na perspetiva de Alexandra Antunes, muitas pessoas têm a ideia de que não têm tempo para si mesmas, porque “têm de trabalhar, de cuidar da casa e dos filhos” e acham que “têm de dispensar muito tempo” para praticar o autocuidado.

Mas não é bem assim. “É importante transmitir às pessoas que nem sempre é preciso uma hora por dia” para o autocuidado. Às vezes, “vinte ou quinze minutos por dia” faz toda a diferença quando se faz algo de que se gosta.

6- Investir nas relações interpessoais

Na perspetiva de Alexandra Antunes, “investir nas relações com os outros, seja com a família, seja com amigos”, é uma medida essencial de autocuidado.

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Isto porque, salienta-se num documento da OPP, as relações positivas permitem que “se sinta valorizado, aceite e apoiado” (ver também aqui).

7- Falar sobre o que sente

Segundo a psicóloga, “o autocuidado também passa por partilhar sentimentos”. Tal como se refere no documento da OPP, “falar sobre como se sente pode diminuir o stress e contribuir para que se sinta melhor”. 

Muitas vezes, há uma validação por parte da pessoa com quem se partilha esses sentimentos e isso “ajuda na mudança e na reorganização”, explica Alexandra Antunes.

A partilha das vivências e dos sentimentos pode até levar as pessoas que estão à nossa volta a perceber que precisamos de ajuda.

24 Jul 2025 - 09:50

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