PJ apreende anabolizantes a Nininho Vaz Maia. O que são? Quais os perigos do uso indevido?
Devido a suspeitas de tráfico de droga, a casa do cantor Nininho Vaz Maia foi alvo de buscas. A Polícia Judiciária terá apreendido, entre outras coisas, esteroides anabolizantes. Mas o que são anabolizantes? Quais os perigos para a saúde associados ao uso indevido destes produtos?
O que são esteroides anabolizantes?
Tal como se adianta num texto do MedlinePlus (um site de informação sobre saúde que pertence aos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos), os esteroides anabolizantes “são versões sintéticas da testosterona”, a principal hormona sexual do homem.
A testosterona é uma hormona essencial para o desenvolvimento e manutenção das “características sexuais masculinas, como os pelos faciais, a voz grave e o crescimento muscular”, esclarece-se no mesmo texto.
Os esteroides anabolizantes funcionam ao imitarem as propriedades da testosterona. Num texto da organização australiana Alcohol and Drug Foundation (ADF) explica-se que estes produtos “são capazes de ativar os nossos recetores de testosterona”, provocando “um efeito dominó de reações metabólicas, uma vez que o medicamento dá instruções ao organismo para aumentar a produção de tecido muscular”.
Por isso, são utilizados “para tratar alguns problemas hormonais nos homens, atrasos na puberdade e perda de músculo devido a algumas doenças”, aponta-se no texto do MedlinePlus.
Segundo um documento do governo norte-americano, estes produtos podem ser tomados “por via oral, injetados por via intramuscular ou aplicados na pele”, estando disponíveis em vários formatos, como “comprimidos”, “géis”, “cremes”, “adesivos transdérmicos” e “soluções injetáveis à base de água ou de óleo”.
Apesar de o uso recreativo de esteroides anabolizantes ser ilegal e perigoso para a saúde, muitas pessoas utilizam estes produtos sem recomendação médica.
Aliás, “as doses abusivas são frequentemente 10 a 100 vezes superiores às doses terapêuticas e de tratamento médico aprovadas”, refere-se no documento do governo norte-americano (ver também aqui).
Quem faz o uso indevido de esteroides anabolizantes e porquê?
Num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa) explica-se que os esteroides anabolizantes são muito utilizados com o objetivo de melhorar o desempenho físico, aumentar a massa muscular e diminuir a gordura corporal.
Por esse motivo, são frequentemente usados por “atletas de competição” (como “profissionais de musculação”) e por “pessoas preocupadas com a sua imagem corporal”, sobretudo “homens jovens”, que “querem aumentar o seu desempenho atlético” ou “que se esforçam por atingir uma aparência física” muito “retratada nos meios de comunicação social”, lê-se no texto da ADF.
É comum pessoas com uma perturbação dismórfica corporal (ou dismorfia corporal) tomarem esteroides anabolizantes, por “não se considerarem suficientemente grandes ou fortes em termos físicos”, sublinha-se no texto do NHS.
A perturbação em questão leva a pessoa a passar muito tempo a preocupar-se com os supostos defeitos da sua aparência física. Segundo o NHS, “estas falhas são muitas vezes impercetíveis para os outros”.
Quais os perigos do uso indevido de esteroides anabolizantes?
A utilização abusiva de esteroides anabolizantes pode provocar vários efeitos secundários, com gravidades diferentes. De acordo com a informação disponibilizada pelo Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos (NIDA, na sigla inglesa), “a maioria [dos efeitos] é reversível se o utilizador deixar de tomar os medicamentos”, mas “outros podem ser permanentes ou semipermanentes”.
O uso indevido de esteroides anabolizantes está associado, sobretudo, a riscos cardiovasculares, hormonais, hepáticos, músculo-esqueléticos, infecciosos, da pele e psicológicos.
Sistema cardiovascular
Num texto do NIDA, refere-se que usar esteroides anabolizantes de forma abusiva está associado a “tensão arterial elevada” e “lesões nas artérias”.
Além disso, estes produtos contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares “através do aumento do nível de lipoproteínas de baixa densidade” (LDL ou colesterol “mau”) e “da diminuição do nível de lipoproteínas de alta densidade” (HDL ou colesterol “bom”).
Níveis elevados de LDL e baixos de HDL “aumentam o risco de aterosclerose, uma condição em que as substâncias gordas se depositam no interior das artérias e perturbam o fluxo sanguíneo”, lê-se.
Quando o sangue é impedido de chegar ao coração ou ao cérebro, “o resultado pode ser um ataque cardíaco ou um AVC, respetivamente”, alerta-se.
Os esteroides anabolizantes “também aumentam o risco de formação de coágulos nos vasos sanguíneos, o que pode perturbar o fluxo sanguíneo e danificar o músculo cardíaco, impedindo-o de bombear o sangue de forma eficaz”, acrescenta-se.
Hormonas
O uso indevido de esteroides anabolizantes também desregula as hormonas do corpo do homem e da mulher, impactando cada um de forma diferente.
No caso dos homens, verifica-se o aumento do risco de “diminuição da produção de esperma”, de “aumento do tamanho dos seios”, de “diminuição dos testículos”, de “cancro dos testículos” e de “calvície de padrão masculino”, refere-se no texto do NIDA.
Nas mulheres, a utilização indiscriminada de esteroides anabolizantes está associada a “voz mais grave”, “diminuição do tamanho dos seios”, “pele áspera”, “crescimento excessivo de pelos” e “calvície de padrão masculino”, refere-se.
Fígado
O impacto dos esteroides anabolizantes no fígado também é importante. A toma abusiva destes produtos “tem sido associada a lesões hepáticas, tumores e a uma doença rara chamada peliose hepática, em que se formam quistos de sangue no fígado”, sublinha-se no texto do NIDA.
Sistema músculo-esquelético
Segundo o NHS, “os esteroides anabolizantes aceleram o crescimento ósseo, pelo que, se forem utilizados indevidamente por adolescentes que ainda não tiveram o surto de crescimento associado à puberdade, os medicamentos podem provocar o envelhecimento prematuro dos ossos e restringir o crescimento”.
Além disso, salienta-se no texto do NIDA, os estudos sugerem que os praticantes de musculação “que utilizam esteroides anabolizantes de forma abusiva têm tendões mais rígidos, o que pode levar a um risco acrescido de lesões”.
Pele
O uso indevido de esteroides pode causar “acne”, “quistos”, “queda de cabelo”, “cabelo e pele oleosos”, bem como “dor e formação de abcessos nos locais de injeção”, realça-se no site do NIDA.
Além disso, os esteroides anabolizantes também podem provocar o “amarelecimento da pele ou dos olhos, em consequência de lesões no fígado”.
Risco de infeções
Segundo o NHS, “como os esteroides anabolizantes são frequentemente injetados, existem riscos associados à partilha de agulhas”, que são os mesmos “associados ao consumo recreativo de drogas”, como “lesões nas veias”, infeção por hepatite B e C e “transmissão do VIH” (vírus da imunodeficiência humana).
Efeitos na saúde mental
No texto da ADF refere-se que as pessoas que tomam esteroides anabolizantes são mais propensas a sentir ansiedade e “sabe-se que alguns utilizadores desenvolveram hipomania, sintomas maníacos ou psicóticos durante a exposição” a estes produtos.
Importa ainda sublinhar que “os esteroides anabolizantes causam dependência”, alerta-se no texto do NHS.
Por esse motivo, “uma pessoa que seja viciada em esteroides anabolizantes vai querer continuar a usá-los, apesar de sentir efeitos secundários físicos desagradáveis”.
Tal como acontece em contexto de dependência de qualquer droga, “deixar de tomar esteroides anabolizantes de repente pode resultar em sintomas de abstinência”, tais como: “depressão e apatia, sentimentos de ansiedade, dificuldade de concentração, insónia, anorexia, diminuição do desejo sexual, cansaço extremo (fadiga), dores de cabeça, dores musculares e articulares”, refere-se (ver também aqui).