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Esponja da loiça: É preciso trocar todas as semanas? Como guardar e quando descartar

13 Nov 2024 - 08:00

Esponja da loiça: É preciso trocar todas as semanas? Como guardar e quando descartar

Num vídeo partilhado no TikTok, alega-se que a esponja da loiça “é a coisa mais contaminada da cozinha”, por isso, deve ser trocada “todas as semanas”. Mas será mesmo assim? Quais os cuidados a ter na conservação das esponjas e quando descartá-las?

Com que frequência devem ser trocadas as esponjas da loiça?

Não há uma recomendação específica sobre com que frequência se deve trocar a esponja da loiça. Em esclarecimentos ao Viral, Ana Luísa Fernando, especialista em segurança alimentar e professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT), adianta que “a substituição da esponja” não descartável “está dependente da frequência da sua utilização” e da forma como é conservada (ver também aqui).

O importante é que “o utilizador” troque as esponjas “antes que estas apresentem sinais de estragos e maus odores”, defende a investigadora do Centro de Engenharia Mecânica e de Sustentabilidade de Recursos da NOVA FCT.

A partir do momento em que se utiliza uma nova esponja, é importante ter alguns cuidados na sua conservação e no armazenamento.

Isto porque, explica Ana Luísa Fernando, “as esponjas podem acumular restos de alimentos, sujidade, e, se permanecerem húmidas, pode haver o desenvolvimento de microrganismos”.

Neste contexto, pode ocorrer “contaminação cruzada”, ou seja, as esponjas “podem contaminar utensílios, superfícies e loiça” (ver também aqui).

Esta contaminação “pode ter efeitos adversos e dar origem a toxinfeções”, avisa a investigadora.

Tal como se esclarece num documento sobre boas práticas de segurança alimentar da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), “existem inúmeras bactérias que podem deteriorar os alimentos, originando as referidas toxinfeções”, como a “Salmonella”, a “Clostridium perfringens” e a “Escherichia coli”.

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Importa ainda referir que as bactérias são microrganismos que se replicam muito rapidamente quando encontram “nutrientes, temperatura, pH, humidade e concentração de oxigénio favoráveis”, assinala a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), num texto.

“Para reduzir o risco associado à utilização de panos e esponjas não descartáveis, estes devem ser, após a sua utilização, devidamente higienizados, desinfetados (por exemplo, com água com lixívia), espremidos e mantidos secos”, realça Ana Luísa Fernando. 

A desinfeção “vai reduzir a carga microbiana existente nas esponjas” e “a redução da quantidade de água nestas esponjas irá limitar o crescimento dos microrganismos presentes”, explica.

Desta forma, “a ocorrência de contaminações cruzadas será mais limitada”. 

Além do método de desinfeção referido pela especialista, existem outros dois muito usados, validados por evidência científica.

Num estudo da ARS, a principal agência de investigação interna do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, refere-se que colocar esponjas da loiça no “micro-ondas durante 1 minuto na potência máxima” ou colocá-las “numa máquina de lavar loiça” durante um ciclo completo de lavagem e secagem também são métodos que podem ajudar a  eliminar “agentes patogénicos de origem alimentar”.

Noutra investigação mais recente também se confirmou a eficácia destes métodos. Segundo os autores, o micro-ondas e a máquina de lavar a loiça, “que atingem temperaturas elevadas, representam os tratamentos mais eficazes para reduzir, significativamente, as cargas microbianas”.

Existem alternativas às esponjas?

Na perspetiva de Ana Luísa Fernando, “o ideal”, em termos de segurança alimentar, é utilizar-se “panos e esponjas descartáveis”.

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Isto permite “garantir o acesso a alimentos seguros, pois evitamos a maioria das situações decorrentes de contaminação cruzada”.

Se o objetivo não é estar sempre a comprar esponjas novas, pode-se optar pelas escovas.  Um estudo, publicado no International Journal of Food Microbiology, sugere que “as escovas são mais higiénicas do que as esponjas”.

Os investigadores apontam quatro razões pelas quais se deve “utilizar escovas em vez de esponjas para lavar a loiça”.

Em primeiro lugar, adiantam, “as escovas secam mais rapidamente e existe um menor risco de crescimento/sobrevivência” de bactérias, como a Salmonella, nas escovas dos que nas esponjas.

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Além disso, prosseguem, como as escovas têm pegas, “as mãos desprotegidas não estarão em contacto com a água, o que permite temperaturas mais elevadas e, por conseguinte, um melhor efeito de limpeza”.

Nesse sentido, as mãos também “não serão contaminadas quando se utiliza uma escova, uma vez que os agentes patogénicos não serão transferidos da escova para as mãos desprotegidas”. Esse é um risco evidente “quando se utilizam esponjas”.

Por fim, “é fácil manter as escovas limpas utilizando uma máquina de lavar loiça”, concluem.

13 Nov 2024 - 08:00

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