A tentar emagrecer? Como gerir os excessos alimentares nas férias
Para quem está a seguir um plano alimentar desenhado por um nutricionista para tentar emagrecer e já começou a ver resultados, pode haver alguma tendência para deixar que as férias sejam contaminadas pelo receio de engordar durante esse período, uma altura em que, por norma, comemos mais e nos mexemos menos.
No entanto, na visão do nutricionista Rafael Loureiro, é possível aproveitar esta altura do ano, sem uma ansiedade acrescida e sem prejudicar significativamente o processo de emagrecimento.
Em declarações ao Viral, o profissional de saúde deixa algumas recomendações sobre como gerir os excessos alimentares durante as férias.
Gerir as expectativas
A primeira recomendação de Rafael Loureiro passa por “gerir as expectativas”, percebendo que o “relaxamento alimentar” também faz parte das férias e que um processo de emagrecimento “não é linear”.
O nutricionista considera, por isso, que as pessoas não devem ir de férias “com o objetivo de continuar a progredir no sentido de perder peso”, e que conseguir manter o peso ou evitar uma subida drástica, durante esses dias, “já é um progresso”.
Na perspetiva de Rafael Loureiro, uma preocupação excessiva com a perda de peso durante as férias até poderia “comprometer um pouco o relaxamento, porque a pessoa estaria demasiado focada na questão da alimentação”.
Manter uma boa ingestão de hortofrutícolas, proteína e água
Além da gestão das expectativas, uma estratégia que pode ajudar a “controlar o apetite”, num cenário de maior relaxamento e de “maior oferta alimentar”, é “manter as regras básicas da alimentação” saudável.
“Manter uma boa ingestão de água, frutas, hortícolas e uma boa ingestão proteica é muito importante, porque são fatores, nutrientes ou alimentos que vão promover uma maior saciedade”, explica.
Controlar o controlável
Um controlo alimentar excessivo durante as férias pode ser problemático, mas adotar uma mentalidade de “tudo ou nada” ou de “perdido por cem, perdido por mil” também não é o mais adequado.
Para Rafael Loureiro é, por isso, fundamental “controlar o controlável”. Mas como? Aceitando que há alguns excessos alimentares que são normais nesta altura – e que é natural jantar fora ou comer uma bola de Berlim na Praia -, mas percebendo que não é preciso que todas as refeições do dia sejam desequilibradas.
Por exemplo, pode-se apostar em “manter sempre um pequeno-almoço equilibrado”, em vez de se consumir todos os doces do bufê do hotel, incluindo nessa refeição “um bom prato de fruta para, quando for para os doces, não comer tanto”.
Já na praia, ao almoço, existem opções como “saladas e sandes” que podem garantir que essa refeição é equilibrada. A chave, diz Rafael Loureiro, é o “bom senso”.
“Provar um docinho é diferente de fazer um prato cheio deles, assim como provar três pratos diferentes num jantar, comendo uma quantidade simbólica cada um, é diferente de comer três pratos cheios”, sustenta.
Evitar as compensações
No final das férias, quer tenha ou não havido um aumento de peso, a recomendação de Rafael Loureiro é “voltar ao normal, sem compensações e sem radicalismo” que podem prejudicar a relação com a comida.
“É importante tentar não entrar nesses extremismos de: ora estou de férias e como tudo o que me aparece à frente, ora volto de férias e vou cortar absolutamente tudo”, explana.
O ideal, reforça, passa por aprender a gerir os excessos alimentares nas diferentes ocasiões em que há maior disponibilidade de alimentos – como, por exemplo, férias, aniversários e casamentos – e não por “deixar de ir aos eventos ou, no dia seguinte, fazer um jejum de 24 horas para compensar o ‘estrago’”.
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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.
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