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Correr ao ar livre ou na passadeira: qual a melhor opção?

21 Mai 2024 - 09:00

Correr ao ar livre ou na passadeira: qual a melhor opção?

Calça as sapatilhas, pega numa garrafa de água e prepara uma playlist para acompanhar o exercício. Está pronto para começar a sua corrida quando lhe surge uma questão: será melhor correr ao ar livre ou na passadeira?

Se optar por fazer uma corrida no exterior, sabe que irá encontrar mais estímulos – desde o vento a bater na cara à paisagem que encontra. Por outro lado, ao optar pela passadeira, poderá ter um maior controlo sobre a velocidade, a inclinação e os fatores externos.

Cada uma das opções apresenta um conjunto de vantagens e é importante perceber as diferenças entre elas para que possa fazer uma escolha informada e adequada aos objetivos físicos que pretende atingir.

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Por isso, dois professores da área de desporto explicam ao Viral quais as principais diferenças entre a corrida ao ar livre e na passadeira e qual a opção mais adequada para cada objetivo.

Quais as vantagens de correr ao ar livre?

e melhor correr ao ar livre ou na passadeira vantagens e desvantagens

Fazer uma corrida ao ar livre permite uma maior liberdade na escolha da rota, mas também pode representar maiores esforços e dificuldades para o atleta.

José Alberto Parraça, professor no departamento de Desporto e Saúde da Universidade de Évora e investigador no Comprehensive Health Research Center (CHRC), explica que, ao correr na rua, o indivíduo irá enfrentar “uma variedade de superfícies (como relva, reia, asfalto, entre outros), bem como condições climáticas variadas (vento, chuva, sol e diferentes temperaturas)” que interferem com o exercício.

“Isso confere diversidade ao treino, mas também pode ser mais desgastante para as estruturas articulares, especialmente em superfícies mais duras ou irregulares”, acrescenta.

Os diferentes tipos de terrenos contribuem para “o desenvolvimento de uma maior resistência e força muscular”, enquanto as alterações meteorológicas podem “exigir maior esforço físico, melhorando o volume de oxigénio máximo e, consequentemente, a resistência cardiovascular”.

No mesmo sentido, Nuno Couto, professor na Escola Superior de Desporto de Rio Maior e investigador no Centro de investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD), destaca que os “diferentes tipos de solo, inclinação, paisagem e condições climatérias” podem proporcionar uma experiência de exercício “mais rica, quer a nível físico, quer a nível psicológico”.

Contudo, esses mesmos estímulos também podem aumentar o risco de acidente ou de lesão, referem ambos os professores. A variabilidade do solo e os terrenos irregulares potenciam o risco de entorses ou outras lesões, devido à colocação incorreta dos pés durante a corrida.

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José Parraça destaca ainda benefícios a nível neuromuscular: “Correr ao ar livre exige maior coordenação e atenção ao ambiente, o que pode resultar numa maior ativação neuromuscular” e contribuir para um “maior bem-estar mental”.

Uma revisão, publicada em 2013, concluiu que os “ambientes naturais ao ar livre podem proporcionar alguns dos melhores benefícios gerais para a saúde, aumentando os níveis de atividade física com níveis mais baixos de esforço percebido”.

Segundo este artigo, exercitar-se ao ar livre pode ainda alterar “o funcionamento fisiológico, incluindo a redução de stress, restauração da fadiga mental e melhoria do humor, auto-estima e saúde percebida”.

No sentido contrário, uma revisão sistemática e meta-análise mais recente, publicada em 2019, concluiu que não existem evidências que suportem essa alegação.

Os investigadores reconhecem que “os participantes relataram maior valência afetiva e prazer quando se exercitam expostos à natureza versus em [ambiente] interior”, mas não encontraram “efeitos diferenciais sobre afeto, emoções, intenções de exercício, atenção, taxa de esforço percebido, intensidade do exercício e desempenho, ou biomarcadores”.

O que esperar de uma corrida na passadeira?

e melhor correr ao ar livre ou na passadeira vantagens e desvantagens

Correr no exterior não é uma possibilidade para todos os atletas – seja por falta de rotas seguras ou devido às condições meteorológicas – e, na verdade, pode também não ser a opção mais indicada para todos os objetivos.

As passadeiras podem oferecer vantagens para quem procura treinos mais controlados

A superfície macia e uniforme destas máquinas de exercício podem reduzir o “impacto nas articulações”, permitindo ainda criar um ambiente “previsível para treinos de recuperação ou reablitação”, explica José Alberto Parraça. 

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As funcionalidades da passadeira possibilitam também “manter um ritmo constante” durante a corrida, o que facilita os “treinos de caráter específico com variações controladas dos intervalos e ritmos”. Esta opção está ainda associada a uma diminuição do risco de acidentes e lesões.

Por esta razão, prossegue o professor, a passadeira poderá ser útil para atletas que procurem “aprimorar a técnica de corrida”, aperfeiçoar o “treino para competições com metas de tempo específicas” ou em treinos como “menos exigência dos músculos estabilizadores”.

Nuno Couto sublinha que a corrida na passadeira poderá ser “mais conveniente”, visto que permite “ter maior controlo sobre as variáveis do treino”, permitindo simular alguns percursos outdoor sem a interferência das características meteorológicas ou diferentes tipos de solo.

“Independentemente de correr ao ar livre ou numa passadeira estática, o importante é correr e potenciar os níveis de atividade física, qualquer que seja”, conclui o professor. 

Tenho um objetivo definido, qual a melhor opção?

e melhor correr ao ar livre ou na passadeira vantagens e desvantagens

Se o objetivo do atleta é queimar gordura, “tanto a corrida ao ar livre quanto na passadeira podem ser eficazes”, garante José Alberto Parraça. A escolha, neste caso, “depende do ambiente que for mais motivador” para cada pessoa.

Se, por um lado, o exercício no exterior pode ajudar a “manter a motivação” para treinos de alta intensidade, o uso da passadeira, por outro, poderá ser útil para “treinos intervalados” e com “um ritmo constante”.

No caso de pessoas com obesidade, “a passadeira é uma opção segura”, adianta o professor. 

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Além de proporcionar uma “superfície mais macia” – o que “reduz o impacto nas articulações” –, o aparelho permite controlar de forma precisa o “ritmo e a intensidade” do exercício e “adaptar o treino ao nível da condição física da pessoa”.

José Parraça lembra que, nestas situações, “é fundamental começar devagar e aumentar a intensidade progressivamente para evitar lesões”.

A corrida ao ar livre poderá ser mais adequada para os atletas que procurem “construir resistência física”, uma vez que a “diversidade do terreno”, a “exposição a diferentes condições climáticas” e a “capacidade de variar rotas e distâncias” podem ajudar a “aprimorar a resistência cardiovascular e muscular”, explica José Alberto Parraça. 

No entanto, prossegue o professor, também a passadeira poderá ser uma boa opção para realizar “treinos longos e consistentes”, principalmente, “quando as condições externas são desfavoráveis”.

“Alternar entre passadeira e corrida ao ar livre pode ser uma estratégia eficaz para manter a resistência sem sobrecarregar as articulações”, sublinha.

Para quem procura treinar para provas de atletismo – como maratonas, por exemplo – a corrida ao ar livre é também “preferível”, uma vez que “simula as condições das competições”, podendo o treino ser complementado com corrida na passadeira.

“Correr ao ar livre permite treinar em distâncias mais longas e terrenos variados, proporcionando uma experiência mais próxima da realidade de uma maratona”, esclarece José Alberto Parraça.

O professor assinala, contudo, que a passadeira pode também “ser uma boa alternativa para dias em que as condições externas são desfavoráveis ou para treinos intervalados e específicos”.

Seja qual for o objetivo, o importante é encontrar uma “atividade de que goste” e que se “divirta ao fazê-la”, afirma Nuno Couto. 

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“Se se diverte mais a correr na rua pela envolvência da atividade e tem oportunidade física para isso, ótimo; se não existirem condições estruturais para poder correr em contexto outdoor no sítio onde mora, a passadeira é uma alternativa viável”, conclui o professor, lembrando que, em ambos os casos, haverá “benefícios”.

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21 Mai 2024 - 09:00

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