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É adequada para todos? 7 perguntas e respostas sobre a dieta baixa em FODMAP

16 Fev 2026 - 03:17

É adequada para todos? 7 perguntas e respostas sobre a dieta baixa em FODMAP

A dieta baixa em FODMAP (low FODMAP diet, em inglês) foi inicialmente desenvolvida por um grupo de investigadores da Universidade Monash, na Austrália, há quase duas décadas. Desde então, tem sido a abordagem número um no tratamento sintomático da Síndrome do Intestino Irritável (SII). No entanto, ainda permanecem algumas dúvidas sobre como deve ser feita esta dieta. É adequada para todos? Pode ser seguida a longo prazo? Existem riscos associados à dieta baixa em FODMAP?

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Em esclarecimentos ao Viral, a nutricionista clínica Sandra Rosmaninho Almeida, certificada pela Universidade Monash na dieta Low FODMAP, esclarece sete questões sobre o tema.

1 – O que é a dieta baixa em FODMAP? 

Sandra Rosmaninho Almeida começa por explicar ao Viral que “a dieta Low FODMAP é uma abordagem nutricional” indicada “para controlar os sintomas associados a algumas patologias gastrointestinais, como a síndrome do intestino irritável”.

Segundo a especialista, “FODMAP” é um acrónimo em inglês para “Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis Fermentáveis”. 

Os FODMAP são “hidratos de carbono altamente fermentáveis”, nos quais se incluem “a lactose, frutose, sorbitol, manitol, GOS (galacto‑oligossacarídeos) e frutanos”, adianta.

O que acontece quando se ingere os FODMAP? Num texto informativo da Universidade Monash, explica-se que estes alimentos “são rapidamente fermentados pelas bactérias que vivem nos intestinos”. 

Os FODMAP “puxam mais água para o intestino, o que pode provocar a produção de mais gases”, o que resulta “em inchaço e distensão, afetando a forma como os músculos do intestino se contraem”, aponta-se.

“As pessoas sem Síndrome do Intestino Irritável são normalmente capazes de ingerir FODMAP sem preocupações”, refere-se no mesmo texto. No entanto, as pessoas com esta síndrome “podem sentir desconforto gastrointestinal (como diarreia e obstipação)”. 

2 – É uma dieta adequada para todos?

A resposta é não. “A dieta Low FODMAP é um tratamento nutricional específico para algumas patologias gastrointestinais”, por isso, “não é adequada para todos”, reforça Sandra Rosmaninho Almeida.

Além de poder ser utilizada em pacientes com síndrome do intestino irritável, pode ser indicada “nas doenças inflamatórias intestinais”, mas “apenas quando estão em fase de remissão (nunca em fases ativas) e os sintomas gastrointestinais ainda persistem”. 

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A dieta baixa em FODMAP também pode ser útil em pessoas “com doença celíaca, associada à dieta isenta de glúten (quando ainda persistem sintomas gastrointestinais)”.

Para mais, prossegue a nutricionista, pode recorrer-se a esta dieta em casos de endometriose e de supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO, na sigla inglesa para “Small Intestinal Bacterial Overgrowth”).

Por outro lado, alerta, a dieta low FODMAP “é contraindicada em pacientes desnutridos, ou em risco de desnutrição, em pacientes com doenças do comportamento alimentar e durante a gravidez”.

3 – Quais os benefícios desta dieta?

Segundo Sandra Rosmaninho Almeida, a identificação dos FODMAP e das “doses que causam os sintomas gastrointestinais” vai permitir que o paciente tenha mais qualidade de vida

A nutricionista salienta que “os estudos têm demonstrado que cerca de 75% dos pacientes com SII, depois de iniciarem a dieta Low FODMAP, têm melhorias significativas na sua sintomatologia”. 

Por esse motivo, aponta-se num texto da Universidade Monash, “a dieta baixa em FODMAP é atualmente recomendada como a primeira escolha de tratamento para pessoas diagnosticadas com SII”.

Neste contexto, o seguimento desta dieta pode reduzir “a dor”, “o desconforto”, “o inchaço” e “a distensão” e, por outro lado, “melhorar o hábito intestinal (reduzir a diarreia ou a obstipação)” e “a qualidade de vida”, frisa a mesma fonte.

4 – Como funciona a dieta baixa em FODMAP?

Sandra Rosmaninho Almeida explica que a dieta FODMAP funciona por três fases principais: a fase de restrição ou de eliminação, de reintrodução e de personalização.

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Na fase de restrição ou de eliminação (com uma duração de 2 a 6 semanas) “retiram-se os alimentos com teor alto em FODMAP, substituindo-os por outros equivalentes e com teor mais reduzido”, esclarece a especialista.

Contudo, destaca, é importante perceber que “um alimento pode ser alto ou baixo em FODMAP, dependendo da quantidade consumida, pelo que, um plano alimentar sem quantidades não está a ser feito de forma correta”.

Na segunda fase (de reintrodução), havendo uma melhoria nos sintomas, começa-se a “reintroduzir os FODMAP, um de cada vez, para avaliar os que causam sintomas e a dose de cada um deles que é tolerável ou não”, aponta. Esta fase dura entre 8 a doze semanas.

Por fim, na fase de personalização, “de acordo com os resultados obtidos nos testes de reintrodução, elabora-se um plano alimentar personalizado, consoante as sensibilidades de cada pessoa”. 

Na perspetiva da nutricionista, “o objetivo a longo prazo da dieta é que seja o menos restritiva possível, pelo que se deve começar a consumir os alimentos tolerados, nas doses que não causam sintomas”.

5 – Que alimentos são altos e baixos em FODMAP?

Sandra Rosmaninho Almeida considera importante realçar que esta dieta “não é isenta de FODMAP, mas, sim, com um teor baixo em FODMAP”.

De facto, “nas fases iniciais restringem-se os alimentos que têm um teor alto em FODMAP”, reconhece. Alguns desses alimentos são, por exemplo: “alho, cebola, alho-francês (parte branca do talo) e couve-flor”.

Em contrapartida, algumas alternativas baixas em FODMAP são, por exemplo: alface, batata, ovos, chocolate negro, amendoins. Consulte aqui, aqui e aqui uma lista de alimentos baixos e altos em FODMAP.

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Apesar disso, para a nutricionista clínica, “o mais importante a salientar é que um alimento pode possuir um teor baixo ou alto FODMAP dependendo da dose, pelo que devemos estar atentos quer ao alimento, quer à dose consumida”. 

Por isso, a boa notícia é que,“para a grande maioria dos alimentos, haverá uma dose segura”, tranquiliza. 

6 – Esta dieta pode ser seguida a longo prazo?

Não, “a dieta low FODMAP não é uma dieta para a vida, pois é bastante restritiva nas fases iniciais”, alerta Sandra Rosmaninho Almeida.

“A fase de restrição e a fase dos testes devem durar apenas o tempo estritamente necessário, porque alguns alimentos ricos em FODMAP têm um efeito prebiótico”, isto é, “promovem o crescimento de bactérias benéficas para o intestino”, explica. 

Na visão da nutricionista, é importante que “o paciente não se foque nas restrições, mas, sim, nos alimentos permitidos” e “encare a dieta como um tratamento temporário, pois, em média, em 3/4 meses vai conseguir concluir todas as fases e ganhar qualidade de vida”. 

7 – Existem riscos associados à dieta baixa em FODMAP?

Por ser bastante restritiva nas fases iniciais, a dieta baixa em FODMAP “nunca deve ser feita sem um acompanhamento por um profissional de saúde com experiência nesta abordagem alimentar”, salienta Sandra Rosmaninho Almeida. 

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“Cada caso é um caso, e a dieta não é só seguir uma lista de alimentos permitidos e proibidos, a dieta tem de estar adequada às necessidades nutricionais de cada pessoa e ao seu estilo de vida”, sustenta a especialista.

Por outro lado, é preciso perceber que “existem muitas outras condições clínicas com sintomas semelhantes à síndrome do intestino irritável, por exemplo, que têm tratamentos diferentes”. Por isso, justifica, “não se deve iniciar a dieta sem um diagnóstico médico”. 

Além disso, “se a dieta for mantida durante muito tempo” e, sobretudo, “sem acompanhamento”, “também pode comprometer a ingestão de fibras, cálcio e de vitaminas do complexo B”, avisa.

Assim, a melhor forma de minimizar riscos de défices nutricionais “é fazer a dieta com acompanhamento de um nutricionista, especializado nesta dieta, de forma a ter um plano alimentar que garanta as necessidades nutricionais, devidamente adaptado para cada pessoa”, conclui.

16 Fev 2026 - 03:17

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