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“Dry brushing”: Escovação a seco ajuda com o lipedema? Tem riscos?

3 Jun 2025 - 08:30

“Dry brushing”: Escovação a seco ajuda com o lipedema? Tem riscos?

A escovação a seco (dry brushing, em inglês) tem sido promovida nas redes sociais como uma prática benéfica no alívio dos sintomas do lipedema, uma doença crónica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea, principalmente nas pernas e braços, e que causa dor, inchaço, e sensibilidade ao toque, entre outros sintomas.

Esta técnica consiste em passar uma escova de cerdas naturais, em movimentos circulares, em todo o corpo (exceto no rosto), com o objetivo de remover células mortas, esfoliar a pele e estimular a circulação sanguínea. Mas será a escovação a seco eficaz no alívio dos sintomas do lipedema? O que diz a ciência? Esta prática tem riscos? As respostas estão neste artigo.

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A escovação a seco ajuda a aliviar os sintomas do lipedema?

Em declarações ao Viral, a cirurgiã vascular Joana de Carvalho começa por explicar que a evidência científica sobre os benefícios da escovação a seco nos doentes com lipedema (uma condição que afeta, sobretudo, mulheres) é “mesmo muito escassa”. Ou seja, “não há estudos robustos que validem o dry brushing como um tratamento eficaz para o lipedema”.

Segundo a especialista, “existem alguns dados mais indiretos, anedóticos, relacionados com relatos de casos clínicos e estudos muitíssimo pequenos sobre os possíveis benefícios deste tipo de procedimento na circulação e no sistema linfático”.

A maioria dos defensores desta técnica “defende que a escovagem a seco estimula a circulação sanguínea, estimula a circulação linfática, ajuda na renovação celular da pele e que também pode, de facto, promover uma sensação de alívio nas pernas”, esclarece a médica.

No entanto, assinala, “se nós fizermos uma pesquisa na base de dados PubMed, usando as as palavras-chave ‘dry brushing ou dry brush and lipedema’, não nos vai aparecer qualquer estudo nesse sentido. Não vamos obter qualquer resultado”, aponta.

Ainda assim, Joana de Carvalho considera que, tendo em conta a sua experiência prática e os relatos dos doentes, a escovação a seco “pode ser visto como algo complementar” ao tratamento do lipedema, porque “ajuda muito na consciência corporal, no autocuidado, na responsabilização do paciente no seu tratamento e isso, naturalmente, também vai ter um impacto psicológico positivo”.

Além disso, “a maioria das pacientes relata, de facto, um alívio subjetivo da sensação de peso e da tensão nas pernas” quando faz a escovação a seco.

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A especialista salienta, contudo, que a escovação a seco “não substitui as terapias que comprovadamente estão validadas e que têm indicação no tratamento do lipedema”.

Joana de Carvalho explica que “os pilares do lipedema (como o exercício físico, a fisioterapia – com  a drenagem manual linfática, a pressoterapia e os dispositivos de compressão elástica – e os cuidados alimentares) são tudo coisas que dependem muito do investimento de energia, de esforço e de tempo da paciente”. É neste contexto que a escovação a seco pode ser incluída, como “mais um complemento”.

“É um momento que a paciente se oferece a ela própria e, de facto, a maioria refere que há um grande benefício”, sustenta.

A escovação a seco tem riscos?

A médico consultada pelo Viral adianta que a escovação a seco, quando bem feita, geralmente, “não tem contraindicações”, embora possa ser desconfortável em casos de lipedema “em que a inflamação não esteja bem controlada” ou “em estadios mais avançados” da doença (estadios 3 ou 4).

No mesmo sentido, se a escovação a seco for feita “de forma excessivamente vigorosa” pode aumentar “o risco de microlesões, principalmente em peles que são mais sensíveis”.

Além disso, a escovação a seco “não deve ser realizada em peles sensibilizadas, que estejam, por exemplo, com dermatite, com eczema ou com feridas abertas”.

Como fazer a escovação a seco?

Joana de Carvalho recomenda fazer a escovação a seco antes do banho, utilizando “uma escova de cerdas naturais”.

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A escovação deve ser feita “em movimentos circulares e suaves, sempre da periferia para o centro”. Ou seja, se for nas pernas, deve-se começar nos pés, em movimentos circulares lentos, até à raiz da coxa”. No que diz respeito aos braços, deve-se começar “na mão e ir em direção à axila”, também com movimentos circulares e suaves.

“Os movimentos não devem ser feitos de forma demasiado vigorosa. Não é algo para magoar, nem para lesar a pele, é mais no sentido da estimulação da circulação superficial”, conclui.

3 Jun 2025 - 08:30

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