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Parar de fumar cura a DPOC? Perguntas e respostas sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

20 Nov 2024 - 10:00

Parar de fumar cura a DPOC? Perguntas e respostas sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

Falta de ar (dispneia), cansaço e tosse com expectoração são os principais sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), uma patologia que se desenvolve nos pulmões e resulta da dificuldade da passagem de ar pelas vias aéreas.

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Numa fase inicial, a falta de ar acontece no seguimento de exercícios físicos ou de atividades diárias mais intensas, como caminhadas. Com o passar do tempo, a dificuldade em executar tarefas simples – como subir escadas, tomar banho, pentear-se ou barbear-se – aumenta.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a DPOC é uma das principais causas de morte da população adulta em todo o mundo e estima-se que os níveis de mortalidade continuem altos nos próximos anos. 

Tal como se pode ler neste artigo informativo publicado em 2023, estima-se que morrem três milhões de pessoas todos os anos de DPOC e que 392 milhões de pessoas tenham a doença.

A propósito do Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, que se assinala esta quarta-feira, dia 20 de Novembro, a pneumologista e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), Ana Sofia Oliveira, responde a dúvidas comuns sobre a doença.

E começa pela pergunta mais comum: deixar de fumar cura a DPOC?

A DPOC desaparece se deixar de fumar?

Em declarações ao Viral, a pneumologista revela que não existe cura para a DPOC. Ou seja, uma vez diagnosticada, é uma doença que vai acompanhar a pessoa para o resto da vida, contudo, existe tratamento que vai minimizar os sintomas. 

Deixar de fumar, apesar de não ser a solução para combater o problema, ajuda a melhorar a qualidade de vida do doente e a prevenir o aparecimento da doença noutras pessoas.

“Foram até criadas consultas de apoio ao fumador em todo o país para ajudar o doente a deixar de fumar. São consultas em que equipas de médicos, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos dão apoio à pessoa. Também existem tratamentos com medicamentos para ajudar a deixar de fumar”, explica Ana Sofia Oliveira.

Como o Viral explicou neste artigo, o consumo do tabaco está associado, muitas vezes, a hábitos automatizados. Perceber que motivos são estes, por exemplo, se a necessidade de pegar num cigarro surge após as refeições ou num momento de stress, e anotá-los é um passo importante para a pessoa deixar de fumar.

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O tabaco é um dos principais fatores de risco?

De acordo com a médica, o tabaco é o principal fator de risco não só do surgimento, mas também do agravamento da DPOC. Também é verdade que a doença surge maioritariamente em homens com mais de 40 anos. No entanto, o tabagismo e a idade não são os únicos fatores de risco da DPOC.

“Cerca de 90% de todos os casos de DPOC acontecem devido ao tabaco. Os fumadores ativos, ex-fumadores e até mesmo os fumadores passivos, ou seja, os que estão expostos ao fumo de outros, têm um risco acrescido de ter esta doença”, adianta Ana Sofia Oliveira.

Ainda sobre as causas e fatores de risco, este artigo da Organização Mundial de Saúde (OMS) acrescenta que o contacto frequente com produtos químicos, como pós, fumos ou carvão, por exemplo, no trabalho, pode contribuir para o aparecimento da doença. O mesmo se aplica à exposição aos níveis de poluição atmosférica e ambiental. 

A OMS aponta também como fatores de risco o nascimento prematuro, o diagnóstico de asma na infância, as infeções respiratórias recorrentes e a deficiência de alfa-1 antitripsina, um problema genético que leva à destruição do tecido pulmonar em adultos.

Como é feito o diagnóstico?

A doença é detetada através de uma espirometria, um teste respiratório que, segundo a pneumologista, “é simples”, demora entre 15 a 30 minutos e “mede a quantidade de ar que entra e sai do pulmão e a rapidez com que o ar circula”.

“É um teste não invasivo, que não implica jejum ou qualquer tipo de picada. Permite não só diagnosticar a doença, como também avaliar a gravidade e a progressão da mesma”, esclarece.

Radiografia ao tórax e TAC (Tomografia Computorizada) são outros dos exames complementares que podem ser feitos para determinar o diagnóstico.

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Em que consiste o tratamento?

A DPOC pode ser tratada com tratamentos farmacológicos, ou seja, medicação ou dispositivos inaladores que vão relaxar as vias aéreas e mantê-las abertas para facilitar a passagem de ar para os pulmões.

Existem ainda os procedimentos não farmacológicos, em que se incluem a ginástica respiratória, a oxigenoterapia (administração de oxigénio através de máscara ou cateter) ou o uso de ventiladores que minimizam a progressão da doença e melhoram a capacidade respiratória da pessoa. Em casos mais graves, pode ser feito o transplante pulmonar.

Segundo a Ana Sofia Oliveira, a DPOC é, muitas vezes, associada a doenças cardiovasculares, pelo que pode ser necessário um acompanhamento multidisciplinar de médicos de diferentes áreas, incluindo pneumologia e cardiologia. Por tudo isto, acrescenta, é fundamental “detetar e tratar a doença precocemente”.

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A Organização Mundial de Saúde avisa ainda que pessoas com DPOC são mais suscetíveis de desenvolverem outros problemas de saúde, como gripe, pneumonia, depressão, ansiedade, enfraquecimento dos músculos e dos ossos e cancro do pulmão.

Como prevenir?

Parar de fumar, como explicou a médica no início deste artigo, é a primeira coisa a fazer. A OMS destaca ainda a prática de exercício físico e vacinação anual contra a gripe, pneumonia e reforço contra a covid-19 como medidas preventivas importantes.

Categorias:

Pneumologia

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DPOC

20 Nov 2024 - 10:00

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