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Doença de Newcastle afeta aves nos Açores: há risco para os humanos?

3 Set 2026 - 08:15

Doença de Newcastle afeta aves nos Açores: há risco para os humanos?

A doença de Newcastle está a afetar aves selvagens em quatro ilhas dos Açores: São Miguel, Terceira, Graciosa e Pico. A informação foi avançada por Luís Estrela, diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, numa conferência de imprensa. Até ao momento, as aves afetadas são pombos-da-rocha e rolas turcas, não havendo registos da doença em aves de capoeira.

Tal como se explica no site da Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), a doença de Newcastle, “também conhecida por pseudopeste aviária ou pneumoencefalite aviária, é uma doença epizoótica [de rápida propagação entre animais], de etiologia viral, que afeta todas as espécies avícolas com especial incidência para a galinha e o peru, podendo também afetar patos, faisões e pavões”. 

A doença manifesta-se por “sinais respiratórios e/ou nervosos, cessação parcial ou total da produção de ovos ou ovos deformados, diarreia aquosa esverdeada e edema dos tecidos à volta dos olhos e do pescoço”, explica-se num texto publicado no site da Comissão Europeia.

Segundo a DGAV, esta doença “é de declaração obrigatória em Portugal, de acordo com o Decreto-Lei n.º 39209, de 14 de maio de 1953” e “notificável à Comissão Europeia e à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA)”. Em causa está o potencial de propagação muito grave e rápida da doença, independentemente das fronteiras nacionais, com graves consequências socioeconómicas.

A vacinação contra a doença de Newcastle “de galináceos, perus e pombos, incluindo aqueles usados como negaças, é obrigatória em todo o território nacional”.

Os humanos podem ser infetados pelo vírus da doença de Newcastle?

Não é comum, mas o vírus da doença de Newcastle pode infetar seres humanos, causando uma conjuntivite ligeira e autolimitada, que não deixa sequelas permanentes, adianta a Organização Mundial de Saúde Animal (ver aqui e aqui).

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Até à data, não foram registados quaisquer casos de transmissão entre humanos. Regra geral, a infeção ocorre em casos ocasionais de “trabalhadores de laboratórios ou explorações agrícolas que  não utilizam óculos de proteção”, sublinha-se no site do governo do Canadá.

A transmissão pode acontecer pelo contacto direto da vacina administrada às aves com os olhos, ou através do manuseamento de aves contaminadas.

Apesar disso, refere-se no mesmo site, “o risco de a população contrair esta forma da doença é mínimo, especialmente se forem utilizadas luvas para manusear aves doentes”. Também é importante lavar bem as mãos após o contacto com estes animais.

Quando são registados casos de aves infetadas com a doença de Newcastle, “devem ser implementadas, o mais rapidamente possível, medidas de abate sanitário nos estabelecimentos de aves de capoeira ou de aves em cativeiro infetados”, explica-se no site da Comissão Europeia.

Além disso, “os alimentos para animais, o equipamento contaminado e o estrume devem ser destruídos ou tratados de forma a inativar o vírus”.

Para impedir uma maior propagação da doença, “as autoridades competentes devem impor imediatamente restrições de circulação ao estabelecimento afetado e aos estabelecimentos localizados na zona de restrição, que consiste numa zona de proteção e numa zona de vigilância com um raio de, pelo menos, 3 e 10 quilómetros, respetivamente”.

Caso seja necessário, as medidas de abate sanitário “podem ser alargadas a explorações avícolas nas proximidades ou a explorações que tenham tido contactos relevantes com a exploração infetada”, sublinha a mesma fonte.

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Também é fundamental adotar “medidas de biossegurança adequadas para impedir o contacto direto ou indireto das aves de capoeira com aves selvagens, juntamente com medidas preventivas de higiene, tais como a limpeza e a desinfeção”.

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saúde

3 Set 2026 - 08:15

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