Diarreia aguda: O que comer e o que evitar
Uma intoxicação alimentar, uma gastroenterite ou o uso de antibióticos são algumas das causas frequentes da diarreia aguda, uma situação desagradável e desconfortável, mas que, na maior parte dos casos, se resolve em poucos dias e sem complicações graves.
Ainda assim, para evitar que o quadro piore e dê origem a uma desidratação grave (particularmente perigosa em recém-nascidos e crianças), é necessário ter alguns cuidados, nomeadamente no que diz respeito à alimentação. Neste contexto, saber o que comer e o que evitar pode ajudar a gerir os sintomas e a acelerar a recuperação.
O que comer e o que evitar em caso de diarreia aguda?
A dieta recomendada em casos de diarreia aguda “depende do diagnóstico e da situação clínica do doente”, esclarece-se num artigo de perguntas e respostas publicado no balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24) que tem como fonte a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.
No entanto, explica-se no mesmo texto, devem ser evitados: “alimentos ricos em fibra (como os vegetais, sementes, frutos secos, leguminosas e cereais processados); gorduras; leite e derivados (iogurtes, queijos, etc.) alimentos ricos em açúcares simples (como produtos de pastelaria) e bebidas açucaradas”.
Por outro lado, aconselha-se “evitar a desidratação” e, se necessário, “recorrer a soluções com eletrólitos para corrigir défices iónicos eventuais”. No entanto, sublinha-se, “esta avaliação e prescrição deve ser sempre orientada por um médico”.
Recomendações semelhantes são partilhadas no site do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos EUA (NIDDK, na sigla inglesa), em que se aconselha evitar alimentos que possam piorar a diarreia.
Nesta lista de alimentos a evitar constam, por exemplo, as “bebidas alcoólicas”, as “bebidas e alimentos com cafeína”, os “produtos lácteos”, os “alimentos gordurosos”, os “alimentos picantes” e as “bebidas dietéticas, pastilhas elásticas sem açúcar e rebuçados que contenham edulcorantes como o sorbitol, o manitol e o xilitol”.
Quanto aos alimentos a privilegiar, num artigo educativo publicado na página da Harvard Medical School, recomenda-se o aumento da ingestão de líquidos, recorrendo a “bebidas desportivas”, se necessário, e a inclusão de alimentos “macios e ricos em amido”, tais como “arroz cozido, torradas sem manteiga e puré de maçã” antes de voltar à dieta normal.
Consumir alimentos com sódio e potássio é uma estratégia apontada pelo Instituto Nacional do Cancro dos EUA (NCI, na sigla inglesa) para ajudar a lidar com a diarreia.
“Perde-se estes minerais quando se tem diarreia, por isso é uma boa ideia comer alimentos que ajudem a substituí-los. Batatas descascadas e cozidas, sopa, bananas, puré de maçã e bolachas de água e sal são boas opções”, lê-se no artigo publicado no site do NCI.
Também no site do SNS 24 se aconselha “comer bananas, de forma a compensar as perdas de potássio”.
Em que circunstâncias devo procurar ajuda médica?
Apesar de, na maior parte dos casos, a diarreia aguda não precisar de intervenção médica, em determinadas situações é aconselhado ligar para o SNS 24 (808 24 24 24).
Essa recomendação deve ser seguida caso a pessoa apresente: “diarreia prolongada (com duração superior a duas semanas); dor intensa no abdómen; febre superior a 39ºC; sangue nas fezes; sinais de desidratação (sede, boca seca, pouca ou nenhuma urina, fraqueza, dores de cabeça ou urina escura); emagrecimento”.
No caso das crianças, aconselha-se que sejam “observadas urgentemente pelo médico”, caso se verifique: “sangue ou pus misturado nas fezes; dor abdominal intensa; febre elevada ou sinais de desidratação como boca e língua secas; ausência de lágrimas ao chorar; olhos encovados ou fontanela deprimida; irritabilidade”.

Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.
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