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Dia da Grávida: As dúvidas mais comuns em consulta e as respostas dos especialistas

9 Set 2025 - 08:45

Dia da Grávida: As dúvidas mais comuns em consulta e as respostas dos especialistas

Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por várias alterações. Ao longo de vários meses de gestação, ocorrem mudanças hormonais e o organismo adapta-se ao desenvolvimento do feto. Com estas alterações surgem também várias dúvidas. Que sintomas são “normais”? Pode-se fazer exercício físico durante a gravidez? Deve-se evitar certos alimentos?

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A pretexto do Dia da Grávida (também conhecido como Dia Nacional da Natalidade), que se assinala esta terça-feira, o obstetra e ginecologista Filipe Cardoso Cordeiro e a médica de família Catarina Matias respondem às dúvidas mais frequentes das grávidas em consulta.

Que sintomas são comuns durante a gravidez? 

Filipe Cardoso Cordeiro, ginecologista e obstetra no Hospital CUF Descobertas e na Clínica CUF Almada, começa por explicar que durante a gravidez “a mulher atravessa um conjunto de várias alterações hormonais e anatómicas”, por isso, é comum haver algumas queixas.

Muitas vezes, “além do atraso menstrual, as náuseas e a tensão mamária” são sintomas frequentes que até “levam a mulher a suspeitar de uma gravidez”, refere.

Regra geral, as náuseas não são motivo de preocupação e “tendem a melhorar ao longo da gravidez”.

Outros sintomas comuns e habitualmente inofensivos são “a dor abdominal e o desconforto pélvico”. Segundo o obstetra, estes sintomas, muitas vezes, “são um sinal de que o útero está a começar a adaptar-se à gravidez”.

Além disso, um sintoma muito frequente, mas pouco falado, “sobretudo no primeiro trimestre”, é “o aumento da sonolência”, sublinha Catarina Matias, especialista em Medicina Geral e Familiar e professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). É comum a grávida “ter muito mais necessidade de dormir e de fazer pequenas sestas”.

Quais os sinais de alerta?

Sintomas comuns mas que não passam com o tempo e tornam-se intensos são sempre sinais de alerta. Por exemplo, refere Catarina Matias, “vómitos incoercíveis, ou seja, que não se conseguem controlar”, “se a mulher não consegue segurar nada no estômago” ou tem “dores intensas que não passam” são sintomas que devem ser avaliados por um profissional de saúde.

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Também “perdas de sangue vaginal”, em qualquer altura da gravidez, “são sempre consideradas anormais” e “carecem de observação”, realça Filipe Cardoso Cordeiro.

Em relação aos movimentos do bebé, geralmente, “a partir das 24 semanas” de gestação, recomenda-se que a grávida comece a fazer uma “monitorização dos movimentos”, adianta.

Com o avançar da gravidez é importante que se verifiquem “pelo menos 10 movimentos por dia, ou um padrão que, mais ou menos, seja de acordo com aquilo que se verificou até então”, explica o obstetra. Caso contrário, “uma redução expressiva do movimento do bebé, na fase final, carece sempre de uma avaliação”.

Deve-se também ter atenção às contrações. “Numa fase mais precoce, contrações dolorosas e regulares podem ser precursoras de um início de trabalho de parto mais prematuro”, esclarece o médico.

Por outro lado, “na fase final, a partir das 37 semanas, a contratilidade normal poderá ser o reflexo do início de um trabalho de parto”, acrescenta.

Não se pode tomar medicação durante a gravidez?

As dúvidas relativas à medicação e aos cuidados a ter com a mesma são questões muito importantes que fazem da “consulta pré-concecional” fundamental.

Isto porque, nesta consulta – que se realiza “pré-gravidez” com o intuito de perceber, através de questionários, exames e análises, se a mulher tem “as condições ideais” para ter uma gravidez segura – é possível “identificar logo os medicamentos que se pode (e deve) continuar a tomar ou não”, explica Catarina Matias.

O problema é que, muitas vezes, não há essa consulta pré-concecional e “algumas doentes crónicas”, quando descobrem que estão grávidas, “suspendem a medicação de forma imediata sem qualquer avaliação médica”, refere Filipe Cardoso Cordeiro.

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Segundo os dois especialistas contactados pelo Viral, esta prática é completamente desaconselhada e pode mesmo pôr a grávida em mais risco.

No que diz respeito aos medicamentos não sujeitos a receita médica, utilizados para tratar problemas de saúde ligeiros, “a indicação durante a gravidez é tomar o mínimo possível”, sublinha a médica de família. 

No entanto, há medicação que pode ser tomada nesta fase. Por exemplo, aponta Filipe Cardoso Cordeiro, “o paracetamol é um fármaco relativamente seguro”, tal como “o ultra levur para algum caso de gastroenterite” e, às vezes, “o chá de gengibre”, em doses moderadas, “pode ajudar a controlar as náuseas”.

Mas, refere, os anti-inflamatórios não são aconselháveis. Além disso, aponta Catarina Matias, também é importante ter cuidado com “os suplementos, os ditos ‘produtos naturais’, porque muitos deles podem influenciar a ação de alguns medicamentos que a mulher está a tomar, ou podem até prejudicar a gravidez em si”.

Na dúvida, os dois médicos recomendam a consulta do folheto informativo do medicamento e de um profissional de saúde.

Pode-se pintar o cabelo ou fazer um alisamento durante a gravidez?

Segundo os médicos, os potenciais riscos associados a certos procedimentos cosméticos prendem-se com a composição de alguns produtos, como as tintas de cabelo e os vernizes, por exemplo.

Alguns cosméticos podem conter “amoníaco”, uma substância “que, regra geral, devemos evitar”, explica Filipe Cardoso Cordeiro. Em contexto de gravidez, ainda é mais importante evitar os produtos com este composto.

Mesmo que alguns produtos cosméticos, como tintas de cabelo, soluções de alisamento ou vernizes, não contenham amoníaco, têm “outras substâncias químicas, algumas das quais desconhecemos, porque as composições também são cada vez mais complexas”, explica.

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Assim, apesar de não haver uma proibição relativamente a esta questão, recomenda-se evitar a exposição desnecessária a produtos químicos que possam prejudicar de alguma forma a saúde da grávida e do feto.

Há alimentos que devem ser evitados pelas grávidas?

O essencial é que a alimentação durante a gravidez seja saudável e equilibrada, assegurando “todos os grupos alimentares”, sublinha Catarina Matias (ver também aqui).

No entanto, é necessário ter alguns cuidados, sobretudo na confeção de alguns alimentos. Em primeiro lugar, refere a médica de família, “os alimentos crus, como os vegetais, devem ser bem lavados, com água corrente”.

Depois, é fundamental cozinhar bem os alimentos. Por exemplo, refere, “na gravidez não se deve comer ovos mal cozidos”.

No mesmo sentido, as grávidas devem evitar carne mal passada e marisco e peixe cru (sushi). Isto porque comer alimentos mal cozinhados “aumenta o risco de toxoplasmose e outras infeções, como listeriose, salmonella e campylobacter”, aponta Filipe Cardoso Cordeiro.

Por outro lado, em alimentos que foram sujeitos a calor, é mais seguro que qualquer parasita ou outro agente contaminante tenha sido neutralizado pelo calor”, explica Catarina Matias.

Deve-se praticar exercício físico durante a gravidez?

Os dois médicos defendem que se pode e deve praticar exercício físico durante a gravidez, exceto quando há alguma condição clínica que o contraindique.

Filipe Cardoso Cordeiro explica que “o exercício físico durante a gravidez tem vários benefícios”, tais como: “melhora a flexibilidade e a resistência”; “ajuda a controlar o ganho de peso”; “melhora a qualidade do sono”; tem um efeito positivo “no humor e na ansiedade”; e “reduz o risco de algumas doenças, como hipertensão e diabetes”.

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Além disso, aponta Catarina Matias, a prática de exercício físico na gravidez “ajuda na preparação do corpo para o parto”.

Contudo, é importante ter alguns cuidados com o tipo de exercício e com a intensidade. Na perspetiva de Catarina Matias, às vezes, o mais simples é suficiente, como as caminhadas.

De modo geral, refere Filipe Cardoso Cordeiro, o essencial é “haja uma atividade física regular, ligeira a moderada”, e com pouco impacto.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) referem, na gravidez, “pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ao longo da semana”.

Além de caminhadas, sublinha Filipe Cardoso Cordeiro, as grávidas também podem fazer outro tipo de exercício, como “natação, ioga ou pilates adaptados para grávidas, ou treinos de força ligeiros”.

Por outro lado, não se recomenda exercícios com “grande impacto, em que há o risco de contacto físico ou de queda”, como “futebol, basquetebol, andebol, ciclismo e equitação”, exemplifica.

Pode-se ter relações sexuais?

Segundo os dois especialistas, regra geral, uma grávida saudável, sem queixas, nem nenhuma condição clínica de risco, pode e deve manter a sua atividade sexual.

Aliás, sublinha Catarina Matias, “espera-se que a grávida consiga manter-se sexualmente ativa até às 38 semanas de gestação, mais ou menos”.

Ainda assim, é importante realçar que é comum “a vida sexual da grávida passar por alguma transformação, porque o corpo muda, a parte hormonal também influencia a libido, portanto, a mulher acaba por redescobrir novamente a sexualidade numa nova condição”, sublinha o obstetra.

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Que exames são necessários neste contexto? 

Em primeiro lugar, Filipe Cardoso Cordeiro e Catarina Matias defendem que, sempre que possível, é importante fazer uma consulta pré-concecional, ou seja, pré-gravidez.

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Isto porque, nesta consulta, faz-se uma avaliação completa, com análises e exames, que permitem garantir que “a entrada na gravidez seja um processo mais tranquilo e mais seguro”, explica o obstetra. 

Assim que a mulher descobre que está grávida e inicia a vigilância, “preconiza-se a realização de algumas análises e de uma ecografia, pelo menos uma vez por cada trimestre”, prossegue (consulte aqui todos os exames e análises recomendados).

Por norma, “a primeira ecografia realiza-se entre as 11 e as 14 semanas” de gestação, com o principal objetivo de se “tentar perceber se o feto tem alguma malformação aparente”.

É também a fase “em que se consegue fazer o rastreio de algumas doenças dos cromossomas e do risco de parto prematuro”.

Depois, “a ecografia do segundo trimestre, feita habitualmente entre as 20 e as 22 semanas, serve sobretudo para vermos a morfologia do bebé” e, mais uma vez, para verificar se há possíveis malformações.

A ecografia do terceiro trimestre, entre as 30 e as 32 semanas, “é feita para avaliar o crescimento do bebé e avalia-se, novamente, o risco de parto prematuro”, esclarece o médico.

Além disso, em cada trimestre, faz-se um conjunto de análises “que também avaliam parâmetros importantes, como os níveis de ferro, a hemoglobina, os níveis de açúcar, a presença ou não de agentes infecciosos”.

Categorias:

Gravidez

Etiquetas:

gravidez | Obstetrícia

9 Set 2025 - 08:45

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