Dar banhos frequentes aos cães faz mal? Quais os cuidados a ter
Tal como acontece com os seres humanos, ter uma higiene adequada é fundamental para a saúde e para o bem-estar dos cães. Nesse sentido, há quem dê banhos frequentes a estes animais, sobretudo quando se sujam com facilidade. É suposto os cães tomarem banho com frequência? O que está recomendado? Quais os cuidados a ter?
Em declarações ao Viral, Diana Ferreira, membro da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) e especialista europeia em dermatologia veterinária, explica com que frequência se deve dar banho aos cães e expõe os cuidados a ter durante a lavagem e a secagem do animal de estimação.
Dar banhos frequentes aos cães faz mal?
Depende do que se entende por “banhos frequentes”. Além disso, a frequência com que um cão precisa de tomar banho também depende de características individuais, sobretudo do tamanho do pelo (ver também aqui).
Diana Ferreira explica que a camada superficial da pele dos cães “é composta por secreções das glândulas cutâneas, células mortas, bactérias, leveduras, pó, pólen e outros contaminantes ambientais”.
A acumulação excessiva destas substâncias “pode agravar doenças de pele ou provocar inflamação”. Por esse motivo, “a limpeza regular e adequada da pele e do pelo é benéfica, mesmo em cães saudáveis”, esclarece.
Em cães saudáveis, “a frequência do banho pode ser ajustada pelo tutor, tendo em conta o tipo de pelagem, a tendência para acumular sujidade e o odor do animal”, adianta a veterinária.
Por norma, “cães de pelo longo ou denso tendem a beneficiar de banhos mais regulares, enquanto cães de pelo curto podem necessitar de banhos menos frequentes, desde que a pele se mantenha saudável e o pelo seja escovado regularmente para remover os pelos mortos”, prossegue.
Tal como se refere num texto do Manual Veterinário MSD, “em média, a maioria dos cães não precisa de tomar banho mais do que uma vez por mês, dependendo da época do ano e das condições climatéricas”.
Mas existem exceções. “Os banhos terapêuticos, quando prescritos por um médico veterinário, são uma ferramenta fundamental no tratamento de várias condições dermatológicas, como a dermatite atópica ou as suas complicações, com o pioderma ou a dermatite por Malassezia”, explica Diana Ferreira.
Nestes casos, “a frequência pode ser semanal ou até mais elevada, sem causar prejuízo, desde que se utilizem formulações apropriadas” (ver também aqui e aqui).
Mais importante do que ter em conta a frequência dos banhos é utilizar produtos indicados para o animal.
“O uso repetido de produtos inadequados, como champôs com detergentes agressivos ou formulados para humanos, pode levar à remoção excessiva dos lípidos naturais da pele, provocando secura, irritação e comprometimento da função de barreira cutânea, especialmente se não houver hidratação adequada após o banho”, esclarece a veterinária.
Segundo Diana Ferreira, há, atualmente, muitos produtos dermatológicos “formulados com base num conhecimento aprofundado da fisiologia cutânea canina, permitindo limpar eficazmente sem comprometer a função de barreira da pele”.
Quais os cuidados a ter?
Na perspetiva de Diana Ferreira, “para garantir um banho seguro e eficaz, é importante respeitar alguns princípios básicos que protegem a pele e o pelo do cão, bem como o seu bem-estar durante o procedimento”.
Em primeiro lugar, é importante proporcionar um “ambiente seguro” para o cão, ou seja, deve-se “escolher um local onde o cão se sinta confortável e não escorregue”. Nesse sentido, “o uso de um tapete de borracha pode ajudar a evitar quedas”, por exemplo.
Durante o banho, a temperatura da água “deve ser tépida, evitando o calor ou o frio extremos, para não causar desconforto nem alterações na termorregulação”, defende a veterinária.
Antes da aplicação do champô, “o pelo deve ser bem humedecido para permitir uma distribuição uniforme do produto”.
Além disso, recomenda-se “diluir o champô em 5 a 10 partes de água imediatamente antes da aplicação”, porque “isto evita o uso excessivo de produto, facilita o enxaguamento e reduz o risco de irritação cutânea”, explica Diana Ferreira.
De seguida, deve-se aplicar o champô e massajar suavemente. “Em raças de pelo curto, como doberman e dálmata, deve-se evitar fricção vigorosa ou lavar contra o sentido do pelo, pois isso pode provocar foliculite [infeção dos folículos pilosos] pós-banho”, alerta a veterinária.
Se o champô for terapêutico, é importante “respeitar o tempo de contacto recomendado (geralmente entre 5 e 10 minutos), conforme indicação veterinária”.
O enxaguamento “deve ser abundante e cuidadoso, até que a água escorra completamente limpa”.
Segundo Diana Ferreira, “zonas como axilas, virilhas, entre os dedos, cauda e região perianal devem receber atenção especial, pois são mais propensas à retenção de resíduos”.
No momento da secagem, os cuidados podem ser diferentes consoante o tamanho do pelo do animal. Os cães de pelo curto “podem ser secos quase totalmente com toalhas absorventes”.
Por outro lado, “os cães de pelo médio ou longo devem ser enxugados até ficarem apenas húmidos e, se necessário, pode-se usar secador com ar morno, mantendo uma distância segura para evitar queimaduras ou desconforto”, sugere a veterinária.
Existem alternativas aos banhos?
Na perspetiva de Diana Ferreira, é importante salientar que os banhos convencionais são “essenciais para uma higiene profunda da pele e do pelo, especialmente em cães com doenças dermatológicas”.
Contudo, existem, de facto, alternativas que “podem ser úteis em situações específicas, como, por exemplo, entre banhos regulares, em animais que não toleram bem a água, quando o tutor tem dificuldade em realizar o banho convencional, ou quando há limitações logísticas”.
Uma dessas alternativas são os “banhos a seco”, através da utilização de “produtos em pó ou spray, aplicados diretamente sobre a pelagem e removidos posteriormente com escovagem”, avança a veterinária.
Apesar de serem úteis como “limpezas rápidas e superficiais”, estas alternativas são “pouco eficazes como método de limpeza profunda e o uso frequente pode levar ao ressecamento da pelagem”.
Por outro lado, também é possível limpar o animal de estimação com “espumas ou mousses de limpeza sem enxaguamento”. Estes produtos “são aplicados diretamente no pelo e espalhados com uma toalha ou escova”, explica.
É “um sinal de alerta”, se forem tidos todos os cuidados de higiene e, mesmo assim, o cão apresentar um “cheiro desagradável ou incomum”, sublinha.
Nestes casos, “o odor pode estar associado a alguns problemas de saúde como infeções cutâneas bacterianas ou fúngicas, ou até mesmo otites”, acrescenta.
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