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Da amamentação aos ultraprocessados: O que dizem as orientações da DGS para a alimentação nas creches

2 Out 2026 - 08:15

Da amamentação aos ultraprocessados: O que dizem as orientações da DGS para a alimentação nas creches

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou, pela primeira vez, orientações nacionais para a alimentação em creches e noutras respostas sociais destinadas a crianças até aos 3 anos. Elaboradas em colaboração com o Instituto da Segurança Social, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e a Garantia para a Infância, as orientações pretendem apoiar as instituições na oferta de uma alimentação nutricionalmente adequada, segura e ajustada às necessidades das crianças nos primeiros anos de vida.

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Conheça as principais recomendações da DGS para a alimentação nas creches.

Facilitar a continuação da amamentação

A amamentação é benéfica tanto para a criança como para a mãe (ver aqui e aqui). Por isso, as orientações nacionais e internacionais recomendam “o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses”. Após a introdução de outros alimentos, a amamentação deve, sempre que possível, ser mantida em simultâneo, idealmente até aos 24 meses ou mais.

Neste sentido, “as creches devem constituir-se como ambientes promotores do aleitamento materno, adotando práticas que apoiem a sua continuidade após a entrada da criança na creche”. 

Recomenda-se, na medida do possível, que as creches criem “condições que facilitem a amamentação ou a oferta de leite materno previamente extraído, sempre que essa seja a opção da família”.

Estas condições incluem “a disponibilização de um espaço confortável e com privacidade para a amamentação, a correta identificação e conservação do leite materno e o seu reaquecimento em condições adequadas”, sublinha-se no documento.

Ter uma ementa variada

Nos primeiros anos de vida, considerando as elevadas necessidades de nutrientes e a reduzida capacidade gástrica das crianças, as refeições devem privilegiar “alimentos que forneçam quantidades elevadas de vitaminas, minerais, proteína de elevada qualidade e outros nutrientes essenciais por unidade de energia”, explica-se no documento da DGS.

A diversidade alimentar “constitui um dos pilares da alimentação saudável, com particular relevância durante a primeira infância”. 

Recomenda-se “o consumo diário de fruta, hortícolas e de alimentos dos grupos da carne, pescado, ovos e dos lacticínios, bem como o consumo frequente de leguminosas e de frutos oleaginosos, em formatos e texturas adequadas à idade e ao desenvolvimento da criança”.

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A aposta na diversidade alimentar tem vários benefícios. “Permite assegurar um aporte mais completo de nutrientes essenciais, favorecer a aceitação de diferentes sabores e texturas desde os primeiros anos de vida, e reduzir a exposição repetida aos mesmos alimentos e aos potenciais contaminantes que lhes possam estar associados”, adianta-se.

Restringir o açúcar e sal adicionados

A exposição precoce de alimentos ricos em sal e açúcares pode influenciar as preferências alimentares das crianças, aumentando a familiaridade e aceitação destes sabores e dificultando a adoção de hábitos alimentares saudáveis mais tarde.

Por isso, a DGS desaconselha, nesta idade, o consumo de alimentos com açúcares adicionados ou elevado teor de sal. “É igualmente desaconselhada a oferta de bebidas açucaradas, sumos de fruta, néctares e produtos que contenham açúcares livres ou edulcorantes”, lê-se.

Em termos de recomendações específicas, “nas preparações culinárias realizadas na creche, está contraindicada a adição de sal até aos 12 meses e a adição de açúcar até aos 24 meses”. Após estas idades, “a sua utilização deve continuar a ser reduzida ao mínimo”, acrescenta-se.

Menos ultraprocessados, mais alimentos com elevado valor nutricional

A alimentação nas creches deve basear-se sobretudo em alimentos não processados ou minimamente processados, ricos em nutrientes, evitando produtos ultraprocessados. 

Apesar disso, “determinados alimentos fortificados podem constituir uma estratégia complementar para assegurar um adequado aporte de determinados micronutrientes durante os primeiros anos de vida”, salienta-se no documento do DGS.

Esta fase específica “caracteriza-se por necessidades muito elevadas de alguns micronutrientes em relação às necessidades energéticas, destacando-se o ferro”. 

Neste contexto, “a utilização de determinados alimentos fortificados pode constituir uma estratégia útil, privilegiando produtos com um perfil nutricional global adequado”. 

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Importa sublinhar que a utilização destes alimentos “deve ser encarada como complementar, e não como substituta, de uma alimentação diversificada, equilibrada e baseada maioritariamente em alimentos não processados ou minimamente processados”.

Não manter os purés durante demasiado tempo

A alimentação das crianças até aos 3 anos deve, além de assegurar as necessidades nutricionais, incluir alimentos com texturas adequadas à idade e ao desenvolvimento motor.

“A exposição atempada a diferentes texturas favorece o desenvolvimento da mastigação, da deglutição e da alimentação autónoma, contribuindo igualmente para uma maior aceitação de novos alimentos e para a prevenção de dificuldades alimentares em idades posteriores”, explicam as orientações da DGS.

A progressão das texturas deve acompanhar o desenvolvimento e a maturidade motora de cada criança, sem prolongar desnecessariamente a oferta de alimentos triturados ou em forma de puré, mas garantindo a segurança e prevenindo o risco de engasgamento.

Por exemplo, em relação à sopa, “entre os 6 e os 7 meses, a sopa deve apresentar uma consistência cremosa e homogénea”. Mas a partir dos 7-8 meses, “a textura deve evoluir gradualmente, com os hortícolas progressivamente menos triturados”.

Assegurar as refeições das crianças com necessidades alimentares específicas

Algumas crianças podem ter necessidades alimentares específicas “decorrentes de opções alimentares (alimentação vegetariana), especificidades éticas ou religiosas, alergias, intolerâncias alimentares ou condições clínicas que exijam adaptações”, refere-se no documento da DGS.

Assim, em contexto de creche, “é essencial assegurar uma oferta alimentar adequada a estas situações, garantindo refeições seguras, inclusivas e nutricionalmente equilibradas”. 

Não obrigar a criança a acabar o prato

As quantidades de alimentos disponibilizadas nas refeições devem ser adequadas à idade e às necessidades das crianças, evitando porções insuficientes ou excessivas.

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Sabe-se que “as crianças possuem uma capacidade inata para regular a ingestão alimentar em resposta aos seus sinais de fome e saciedade”, referem as recomendações da DGS. 

Por isso, “os adultos devem responder aos sinais de fome e saciedade da criança, encorajando-a de forma positiva, mas sem pressão, coerção ou distração excessiva para promover o consumo”.

As refeições são também momentos de aprendizagem e convívio, pelo que devem decorrer num “ambiente tranquilo, seguro e acolhedor”, que incentive a descoberta de novos alimentos, a autonomia da criança e o desenvolvimento de uma relação saudável com a alimentação.

Promover uma alimentação segura

A segurança alimentar nos primeiros anos de vida deve considerar tanto as capacidades da criança como a higiene e segurança dos alimentos.

“A preparação, manipulação, confeção, conservação e distribuição dos alimentos devem cumprir rigorosamente as normas de higiene e segurança alimentar e dos alimentos legalmente estabelecidas, prevenindo o risco de doenças de origem alimentar, particularmente relevante nesta faixa etária devido à maior vulnerabilidade das crianças”, esclarece-se no mesmo documento.

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Cuidado redobrado com o risco de engasgamento

Os alimentos oferecidos às crianças devem ser adaptados “às competências de mastigação e de deglutição da criança, prevenindo o risco de engasgamento e asfixia”. 

Um dos cuidados essenciais a ter, neste contexto, é preparar e apresentar os alimentos “em formas, dimensões e texturas adequadas à idade e ao desenvolvimento, evitando alimentos que, pela sua consistência, formato ou tamanho, representem um risco acrescido de obstrução da via aérea”.

Por exemplo, alimentos redondos como uvas inteiras, tomate cherry e mirtilos, devem ser cortados de forma longitudinal ou em quartos antes de se dar às crianças mais pequenas.

Para prevenir o risco de engasgamento e asfixia também é importante garantir que, durante o período da refeição, “a criança mantém uma posição adequada, bem como a supervisão atenta pelos adultos”.

Categorias:

Alimentação

Etiquetas:

Creches | Crianças

2 Out 2026 - 08:15

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