Criança não vacinada morre de difteria em Itália. O que é e como se previne a doença?
Uma criança de 4 anos morreu de difteria na passada quinta-feira, em Palermo, Itália, num caso que está a ser investigado pelo Ministério Público. Segundo a ANSA, a principal agência de notícias italiana, não havia registo de uma morte por difteria no país há mais de 30 anos. Os pais da criança, que terão optado por não a vacinar, estão a ser investigados por suspeita de homicídio por negligência por omissão. Mas o que é a difteria e qual a importância da vacinação na prevenção da doença?
O que é a difteria?
A difteria é uma doença infecciosa “causada pela toxina da bactéria Corynebacterium diphtheriae”, lê-se num texto publicado no site do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).
A infeção pode ocorrer “ao nível das vias respiratórias superiores, com aparecimento de lesões localizadas nas amígdalas, laringe, nariz, e também na pele”.
Os sintomas mais comuns da doença são febre, cansaço, mal-estar, dor de garganta e gânglios inflamados no pescoço. Quando a infeção ocorre ao nível das mucosas do nariz e da garganta, ainda pode surgir: “revestimento espesso acinzentado (pseudomembrana) nas mucosas”, “inchaço dos gânglios linfáticos à volta do pescoço”, “dificuldade em engolir”, “rouquidão ou estridor” e “dificuldade respiratória”.
Com menos frequência, pode “ocorrer infeção do sistema nervoso, rins e coração (miocardite)”, acrescenta-se no texto do SNS 24.
A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, sobretudo através do contacto direto com “gotículas de saliva transmitidas pelo espirro ou tosse” e “feridas/úlceras abertas”. Pode transmitir-se também pelo “contacto indireto com objetos contaminados pela bactéria”, embora esta não seja a forma de transmissão mais comum.
O período de incubação, ou seja, o tempo decorrido entre a exposição à bactéria e o aparecimento de sintomas, é, “em média, de 2 a 5 dias, podendo ser mais longo (1 a 10 dias)”. Contudo, as pessoas com difteria não tratada podem transmitir a doença durante quatro semanas.
Como prevenir? Qual a importância da vacinação?
Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), “a vacinação em toda a comunidade, com elevada cobertura, no âmbito dos serviços de imunização de rotina integrados nos cuidados de saúde primários, é a forma mais eficaz de prevenir a difteria”.
Todas as crianças “devem ser vacinadas contra a difteria com uma série primária completa e três doses de reforço adicionais para garantir uma proteção a longo prazo”.
Os dados da OMS mostram que, em 2025, “85% das crianças receberam as três doses da série primária da vacina contra a difteria”.
Apesar disso, “existem variações substanciais nos níveis de cobertura entre países e no interior dos próprios países”. Atualmente, “42 países não dispõem de quaisquer doses de reforço” contra a difteria.
Em Portugal, o Programa Nacional de Vacinação inclui a vacina contra a difteria, “que deve ser administrada aos 2, 4, 6, 18 meses”, aos 5, 10, 25, 45 e 65 anos “e depois de 10 em 10 anos”. Também é essencial que as grávidas façam um reforço.
“Hoje em dia, felizmente, ninguém morre de difteria na Europa – ou, se sim, são casos muito raros -, mas a razão pela qual isso acontece é porque as pessoas estão vacinadas contra a difteria”, explicava o investigador na área das vacinas Miguel Prudêncio, em declarações anteriores ao Viral.
Mas a bactéria não desapareceu. “Ao contrário do que acontece, por exemplo, com o vírus da varíola (a única doença infecciosa erradicada), a bactéria que causa a difteria não está erradicada”, acrescentava.
Como as pessoas viajam cada vez mais entre países, quem transporta a bactéria pode levá-la para regiões onde a difteria “não é um problema visível”. Se houver pessoas não vacinadas nessas comunidades, a bactéria “tem o potencial de causar doença”.
Nas pessoas não vacinadas, há “um risco acrescido de desenvolver uma forma grave da doença, nomeadamente a difteria respiratória”, sublinha-se num texto dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla inglesa).
As complicações mais graves incluem: obstrução das vias aéreas; falência cardíaca e renal; inflamação dos nervos; paralisia dos músculos da deglutição (ato de engolir); pneumonia; e morte (ver aqui).
Existe tratamento para a difteria, mas a eficácia é maior nos casos detetados com maior brevidade e nas pessoas com o esquema de vacinação completo.
De modo geral, a difteria trata-se com “antibióticos para eliminar a bactéria”, “medicamentos que neutralizam os efeitos das substâncias nocivas (toxinas) produzidas pela bactéria” e “limpeza minuciosa de quaisquer feridas infetadas, caso a difteria afete a pele”, explica-se no site do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).
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