Dentro ou fora da embalagem? Como descongelar o peixe em vácuo
Nas redes sociais sugere-se que o peixe embalado em vácuo não deve ser descongelado dentro da embalagem em que foi comprado, ou seja, deve ser removido do plástico, colocado noutro recipiente e descongelado no frigorífico. Segundo a publicação partilhada, descongelar o peixe na embalagem original aumenta o risco de desenvolvimento de uma bactéria chamada Clostridium botulinum. É verdade? Como se deve descongelar o peixe em vácuo: dentro ou fora da embalagem?
Deve ser retirado da embalagem? Como deve ser descongelado o peixe embalado em vácuo
Em declarações ao Viral, Paula Teixeira, professora e investigadora na área de segurança alimentar na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto (UCP), explica que se o peixe em vácuo for descongelado da forma correta não há necessidade de o retirar da embalagem original.
Tal como qualquer outro alimento, “o peixe em vácuo deve ser descongelado rapidamente, sempre no frigorífico”, e consumido o mais depressa possível, porque “um alimento, depois de ser descongelado, fica mais suscetível ao desenvolvimento microbiano”, justifica.
Se deve ou não ser removido da embalagem original, na perspetiva da investigadora, não parece ser uma questão muito relevante em termos de segurança alimentar.
Aliás, numa infografia da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), recomenda-se manter “os alimentos descongelados na embalagem original ou num recipiente adequado para evitar contaminação”.
No que diz respeito à “carne, peixe e marisco”, estes devem ser descongelados “num tabuleiro no frigorífico para evitar a contaminação de outros alimentos”, lê-se.
De facto, tal como se refere nas redes sociais, os alimentos em vácuo “proporcionam as condições necessárias para o crescimento da bactéria Clostridium botulinum”, refere.
Esta “é uma bactéria anaeróbica, o que significa que só pode crescer na ausência de oxigénio”, esclarece-se num texto da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Quando contamina os alimentos, a Clostridium botulinum causa intoxicações graves (botulismo) e, se não for “prontamente diagnosticada e tratada, envolve um risco elevado de morte”, aponta-se num texto da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
Ainda assim, salienta Paula Teixeira, “uma coisa é ter um alimento refrigerado em vácuo durante um tempo de armazenamento significativo, como alguns dias, outra coisa é descongelar um alimento em vácuo rapidamente”.
As recomendações apontam que se deve descongelar os alimentos o mais rápido possível e em temperaturas baixas. Nessas condições, “não haverá um risco significativo da produção da toxina”, defende Paula Teixeira.
A mesma ideia é transmitida num texto da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos. Para evitar a produção de toxinas, recomenda-se “manter os alimentos, como o peixe embalado em vácuo, à temperatura adequada e/ou a descongelar o produto corretamente”, sendo que a Clostridium botulinum “forma a toxina mais rapidamente a temperaturas mais elevadas do que a temperaturas mais baixas”.
Daí a importância de “nunca descongelar alimentos à temperatura ambiente”, sublinha Paula Teixeira. Nesse caso, “há o risco de crescimento não só de Clostridium botulinum, mas de outros microrganismos, como a Listeria monocytogenes”, explica.
A Listeria monocytogenes é uma bactéria que causa uma infeção chamada listeriose, cujos sintomas duram, por norma, “entre 5 e 10 dias” e traduzem-se em “febre, calafrios, náuseas, vómitos, diarreia” e “dores musculares”, refere-se no site do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).