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Como ajudar alguém a procurar ajuda psicológica?

4 Jun 2024 - 09:36

Como ajudar alguém a procurar ajuda psicológica?

Notou que um amigo ou familiar está profundamente triste, deixou de comer e de dormir, está com dificuldades sérias no trabalho, e acredita que essa pessoa talvez possa precisar de consultar um psicólogo, mas não sabe como abordar o assunto?

Em declarações ao Viral, a psicóloga e membro da direção da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), Ana Lage Ferreira, explica como ajudar alguém a procurar ajuda psicológica e quais os cuidados a ter para não prejudicar o processo.

Quer ajudar um amigo a procurar ajuda psicológica? Como fazê-lo

O sofrimento faz parte da vida e consultar um psicólogo pode não ser “a melhor solução para todas as dificuldades e necessidades que as pessoas possam estar a sentir ou que as levam a não se sentirem bem”, começa por explicar Ana Lage Ferreira.

No entanto, quando se percebe que um amigo ou um familiar próximo tem uma alteração de comportamento com “impacto no seu funcionamento e na sua vida”, pode ser altura de o ajudar a procurar apoio psicológico.

Nesse caso, há, contudo, alguns cuidados a ter para abordar o assunto de forma consciente, respeitadora e sem interferir negativamente no processo.

O primeiro, diz Ana Lage Ferreira, é avaliar a proximidade que temos com a pessoa para perceber como podemos aconselhá-la a procurar ajuda psicológica tendo em conta o contexto e o tipo de relação.

Ao mesmo tempo, quando “sugerirmos essa possibilidade”, devemos encará-la, precisamente, como “uma sugestão” e não como uma ordem, sob pena de prejudicarmos o processo de procura de ajuda.

Segundo a psicóloga, para o apoio psicológico ser útil e trazer bons resultados “tem de ser mesmo uma coisa que a própria pessoa sente que precisa e que sente que será útil”. Isto é fundamental para que a pessoa consiga “beneficiar do processo, realmente, como o seu”.

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“A pessoa tem de pensar: Eu vim aqui porque quero, porque sei o que me está a acontecer, eu sei que estou num processo de sofrimento e quero que isto pare”, sustenta.

Noutro plano, ao abordar o assunto, devemos ter sempre o cuidado de mostrar preocupação com a pessoa e não com o impacto que a situação dela está a ter em nós.

Ou seja, devemos dizer algo como “estou mesmo preocupada contigo porque vejo que não estás bem, que estás a sofrer ou que estás a passar um mau bocado”, e evitar frases como “eu já não te aguento mais e tu tens de mudar aí algumas coisas”.

Caso a nossa sugestão não seja bem recebido, é fundamental “ter abertura para ouvir um não”, caso a pessoa não se sinta pronta para procurar ajuda psicológica naquele momento.

Perante essa situação, não devemos insistir, mas é recomendável “continuar a mostrar preocupação” e não desistir da pessoa, estando disponível para o que ela precisar.

Por fim, podemos, por exemplo, perguntar à pessoa se quer ajuda a encontrar ou a marcar consulta no psicólogo, mas nunca “decidir por ela” ou levá-la a uma consulta “sem o seu consentimento”, conclui Ana Lage Ferreira.

Recorde-se que existe um serviço de aconselhamento psicológico integrado na linha telefónica do SNS 24 (808 24 24 24) que “pretende dar apoio às preocupações e desafios psicológicos dos utentes e profissionais de saúde (que se encontrem a prestar cuidados de saúde)”.

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Categorias:

Saúde mental

4 Jun 2024 - 09:36

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