Caracóis: Um petisco saudável? Quais os cuidados a ter na confeção?
Uma travessa de caracóis não agrada a toda a gente, mas para muitos portugueses é considerado o petisco do verão. Mas será um petisco saudável? Os caracóis são alimentos ricos do ponto de vista nutricional? Quais os cuidados a ter na confeção?
Os caracóis são ricos do ponto de vista nutricional?
Em declarações ao Viral, Elisabete Pinto, nutricionista e coordenadora da licenciatura de Ciências da Nutrição da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa (UCP), começa por adiantar que, de facto, “os caracóis têm uma composição nutricional interessante” que, “curiosamente, é semelhante à dos tremoços, outro alimento bastante típico desta altura”.
Segundo a nutricionista, são “uma boa fonte de proteína”, fornecendo “cerca de 16 g de proteína por 100 g de caracóis”. Além disso, trata-se de um alimento “pobre em gordura”, com “90 kcal por 100g” (ver também aqui e aqui).
Os caracóis são ainda “fonte de minerais e vitaminas, nomeadamente magnésio, fósforo, cobre, algum selénio e ferro e, em termos de vitaminas, são ricos em vitamina E e B12”.
Por si só, os caracóis têm uma composição nutricional interessante, podendo ser inseridos, de forma moderada, numa alimentação equilibrada e saudável.
No entanto, adianta Elisabete Pinto, enquanto “prato final”, o perfil nutricional do petisco “depende da forma como são cozinhados”.
“Habitualmente, são cozinhados com bastante sal ou até mesmo com caldos pré-preparados, o que pode torná-los menos interessantes nutricionalmente”, explica.
Os caracóis, antes de serem preparados, “são pobres em sódio”, mas a confeção pode mudar isso. Por isso, é preciso ter algum cuidado já que “o consumo excessivo de sal é um problema no nosso país”.
Num texto da Organização Mundial da Saúde (OMS), refere-se que “quase todas as populações estão a consumir demasiado sódio”.
Em Portugal, as pessoas consomem, em média, “10,7g de sal por dia, o que corresponde ao dobro do recomendado”, sublinha-se num texto da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH).
Por outro lado, o contexto também importa. Os caracóis são, por norma, “acompanhados por pão torrado com manteiga e cerveja, às vezes, um pouco acima da conta”, aponta.
Todos estes aspetos devem ser tidos em consideração, porque, muitas vezes, os caracóis não são um petisco consumido de forma isolada, nem temperados com pouco sal.
Quais os cuidados a ter na escolha e na confeção de caracóis?
Em primeiro lugar, “deve-se evitar a apanha de caracóis” e preferir os “que são cultivados e certificados”, adianta Elisabete Pinto.
Isto porque ao apanhá-los, “sobretudo quando estão perto de zonas poluídas ou contaminadas”, pode “ocorrer o risco de contaminações químicas como pesticidas”, explica-se num texto do Nutrimento, o blog do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Antes da lavagem, sublinha Elisabete Pinto, “deve-se cortar o opérculo” (uma espécie de tampa que cobre a abertura da concha) e “verificar se o animal ainda está vivo”. Caso esteja morto, deve ser descartado.
De seguida, é recomendado “lavar os caracóis com água e sal, várias vezes, para garantir que ficam bem limpos”, refere a nutricionista.
Na fase da confeção, os caracóis devem ser colocados “numa panela com água” e cozinhados “em lume brando”, aponta-se no texto do Nutrimento.
Depois de cozidos, os caracóis devem ser escorridos e colocados novamente numa panela com água.
Nessa fase, deve-se deixar os caracóis cozer durante cerca de 40 minutos e podem então ser temperados, por exemplo, “com ervas aromáticas, cebola, alho, piripiri e, claro, também um pouco de sal, minimizando sempre ao máximo”, esclarece Elisabete Pinto.
Segundo Elisabete Pinto, todos os cuidados, desde a escolha à lavagem e à confeção são bastante importantes, sobretudo para “minimizar os riscos de contaminações químicas e microbiológicas”.
Os contaminantes químicos, em específico, “não são eliminados pela cozedura”, o que torna fundamental a seleção cuidadosa dos caracóis.
Quando todos os cuidados são seguidos, por norma, “não existe uma restrição” para grupos específicos da população, “ao contrário do que acontece com alguns tipos de marisco”, salienta Elisabete Pinto.
Em causa está o facto de “o marisco sofrer processos de cozedura muito mais rápidos, não havendo a possibilidade de controlar esses riscos de forma tão eficaz como nos caracóis”, explica.
Assim, realça-se no texto do Nutrimento, “no caso de grupos de risco como grávidas e crianças, se foram cumpridas todas as questões de segurança, não existe risco para a saúde” em comer caracóis.
Os únicos casos em que é necessária alguma cautela é em pessoas com alergias a mariscos. Apesar de “não ser o mesmo, existe evidência de que pode haver reação alérgica pela semelhança” entre caracóis e alguns mariscos.
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