“O que precisa de saber sobre cancro do endométrio”: Doentes e sociedades médicas lançam guia
Em cada 100 mil mulheres estima-se que 15 sejam diagnosticadas com cancro do endométrio e o número tende a aumentar ao longo dos próximos anos, segundo o Observatório Global de Cancro. A propósito do Dia Mundial dos Cancros Ginecológicos, que se assinala este sábado, 20, associações de doentes e sociedades médicas uniram-se para lançar um guia. “O que precisa de saber sobre cancro do endométrio” está disponível online.
Médicas e enfermeiras escreveram sobre as várias etapas do processo, desde o momento do diagnóstico à recuperação, e o guia termina com testemunhos de quem foi diagnosticada com a doença.
Esta é uma iniciativa da GSK, em parceria com o Movimento Oncológico Ginecológico (MOG), a EVITA – Cancro Hereditário, e com o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, da Sociedade Portuguesa de Oncologia e da Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa, segundo comunicado enviado ao Viral.
Todos os anos, cerca de 1400 mulheres são diagnosticadas com cancro do endométrio em Portugal. Cláudia Fraga, presidente do MOG, explica que o objetivo deste guia é “disponibilizar informação sobre o cancro do endométrio, os seus sintomas, meios de diagnóstico e tratamento”, não só para consciencializar mulheres que não tenham a doença, como também “ajudar mulheres já diagnosticadas” a “enfrentar o processo com a melhor qualidade de vida possível”.
“A doença afeta, sobretudo, mulheres que estão na menopausa”, escreve Mónica Nave, oncologista — mais de 90% dos casos registam-se após os 50 anos, segundo dados apresentados no guia.
“4% dos casos surgem antes dos 40 anos” e “a maioria dos carcinomas do endométrio são diagnosticados precocemente (80% no estadio I), com taxas de sobrevivência altas”, sublinha-se.
Geralmente, por ser diagnosticado numa fase inicial, é tratado com cirurgias, como histerectomia (remoção do útero), anexectomia bilateral (remoção dos ovários e trompas), entre outras.
Um dos sintomas mais comuns é a “hemorragia vaginal anormal”, que se pode manifestar de várias formas. A mais comum é hemorragia depois da menopausa, mas também é possível que o cancro do endométrio se manifeste através de menstruações abundantes ou sangramentos fora do período menstrual.
“Este tipo de hemorragia pode ter várias causas, sendo a maioria delas benigna”, sublinha-se no guia, “mas deve sempre ser avaliado por um médico”.
A obesidade é um dos principais fatores de risco para este tipo de cancro e a terapia hormonal de substituição também pode contribuir para esse risco.
Para além desses, há alguns fatores não modificáveis como “a idade acima dos 55 anos, a menarca (primeira menstruação) precoce e a menopausa tardia, uma história familiar de cancro do endométrio e nunca ter engravidado”.
Depois de um diagnóstico, “adotar um estilo de vida saudável é uma ferramenta de apoio que melhora a qualidade de vida […], envolvendo ações diárias que tornam a pessoa parte ativa no processo de recuperação”, lê-se no guia.
Ao longo desse processo, há alguns pilares que devem ser tidos em conta: “nutrição equilibrada, exercício físico, cuidado com a saúde mental e atenção à sexualidade”.
Sobre o último ponto, o guia inclui algumas dicas práticas, como explorar a intimidade com calma, “respeitando tempos e desejos”, usar lubrificantes e hidratantes vaginais à base de água para aliviar desconforto, recorrer a fisioterapia pélvica e aceitar que “a intimidade pode ser redescoberta e reiventada ao longo do tempo”.