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Cancro de A a Z. Um glossário para compreender a doença oncológica

27 Dez 2025 - 08:00

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Cancro de A a Z. Um glossário para compreender a doença oncológica

Há mais de 200 tipos de cancro — esse número, por si só, indica que há muitos termos adjacentes à doença, que nem sempre são fáceis de compreender.

O que significa a palavra “carcinogénico”? E o que é uma “biópsia”? O que quer dizer o termo “oncogenes”? 

Este glossário reúne alguns dos termos mais utilizados quando se fala sobre cancro.

A

Ablação

Procedimento pouco invasivo que elimina células tumorais recorrendo a temperaturas muito baixas ou muito altas. A ablação por radiofrequência foi a primeira a ser utilizada e também é possível eliminar células cancerígenas através de microondas (um tratamento mais forte e rápido, mas que pode danificar alguns tecidos). A crioablação recorre a temperaturas muito baixas e é muito utilizada no tratamento de alguns cancros do pulmão.

Adenocarcinoma

Tipo de cancro que se forma em células glandulares (que produzem e excretam uma substância), como mama, próstata ou pulmões.

Adenoma

Tumor benigno que cresce nas células glandulares. 

Anticorpo

Proteína produzida por células do sistema imunitário que existe no sangue. Os anticorpos protegem o organismo de agentes e ameaças externas, como uma bactéria, que têm antigénios. Para cada antigénio é produzido um anticorpo específico, que o deve eliminar. Há tratamentos oncológicos que utilizam anticorpos artificiais para eliminar células cancerígenas.

Antiemético

Medicamento que serve para controlar sintomas de náuseas e vómitos, como os que podem surgir como efeito secundário de alguns tratamentos oncológicos.

Antigénios

Moléculas estranhas ao organismo, geralmente proteínas ou polissacarídeos. Podem existir livres (como em toxinas), associadas a microrganismos invasores (bactérias, vírus) ou na zona externa de outros elementos, como grãos de pólen. Quando o corpo reconhece a presença de um antigénio é desencadeada uma resposta de defesa.

B

Biópsia

Amostra de tecido retirada de um paciente vivo para análise laboratorial. Essa amostra é examinada por um médico patologista, que avalia a estrutura e o comportamento das células. No caso de se confirmar a presença de células cancerígenas, permite determinar o tipo exato de tumor, o estadio da doença e outras características.

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BRCA1 e BRCA2

Genes que ajudam a reparar ADN danificado e funcionam como supressores de tumores ao prevenirem o crescimento descontrolado de células. Quando é detetada uma mutação num desses genes aumenta a probabilidade de vir a desenvolver cancro da mama, ovários, próstata, pâncreas entre outros. 

C

Cancro

Conjunto de doenças caracterizadas por uma multiplicação descontrolada de células, formando um nódulo ou tumor. Nem todos os tumores são cancro (malignos), existem também tumores benignos. Os tumores cancerígenos podem espalhar-se e invadir outros órgãos, destruindo tecidos até então saudáveis.

Carcinogénico

Qualquer substância que provoque cancro ou alimente a proliferação da doença.

Carcinoma

Cancro que se desenvolve nas células epiteliais.

Cirrose

Doença que se caracteriza por lesões prolongadas no fígado, devido às quais há substituição de tecido normal do órgão por tecido fibroso. Pessoas com cirrose têm mais probabilidade de desenvolver cancro do fígado.

Consentimento informado

Autorização dada pelo paciente após receber informações claras sobre a doença, o estado de saúde, os procedimentos propostos pelos médicos e os benefícios, riscos e alternativas, incluindo a opção de não realizar o procedimento.

Cuidados paliativos

Assistência destinada a aliviar sintomas e dor e melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças graves ou incuráveis, independentemente da fase da doença.

D

Diagnóstico

Determinação da natureza de uma doença com base em sintomas, exames clínicos, análises laboratoriais e de imagem.

Doença

Alteração do estado de saúde, manifestando-se por alterações estruturais ou funcionais no organismo.

Doença crónica

Condição de longa duração, frequentemente persistente ou progressiva, requerendo gestão contínua. 

Doença terminal

Estadio avançado de uma doença incurável, em que o prognóstico indica expectativa de vida limitada.

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E

Edema linfático 

Acumulação de líquido linfático em tecidos, causada por obstrução ou disfunção no sistema linfático.

Efeitos secundários

Reações indesejadas desencadeadas por tratamentos médicos, como quimioterapia ou radioterapia. No caso da quimioterapia, os mais comuns são o cansaço, a perda de apetite, os enjoos, as náuseas e os vómitos.

Ensaio clínico

Estudo científico envolvendo pessoas, realizado para avaliar a segurança e eficácia de tratamentos, medicamentos ou intervenções. Muitos doentes com patologias menos estudadas ou que não estão a responder aos tratamentos optam por entrar em ensaios clínicos.

Estadio

Grau de extensão ou progresso de um tumor, tendo em conta tamanho, invasão e eventual metástase. Existem vários sistemas de estadiamento, que variam de acordo com o tumor estudado. Para avaliar o estadio de um tumor fazem-se exames imagiológicos, com TACs e PETs.

Excisão

Remoção cirúrgica de tecido ou tumor, podendo ser com margens para garantir remoção completa.

F

Fadiga

Cansaço extremo e persistente que não é aliviado com descanso, comum em pacientes oncológicos.

Fator de risco

Característica, comportamento ou condição que aumenta a probabilidade de desenvolvimento de uma doença.

G

Gene

Unidade de informação genética presente nos cromossomas que determina características biológicas e influencia a possibilidade de certas doenças.

H

Hepatite

Inflamação do fígado causada por vírus (A, B, C…), álcool ou tóxicos; algumas formas (B e C) podem tornar-se crónicas e aumentar o risco de cancro do fígado.

Hereditário

Que está relacionado com a transmissão de características ou mutações genéticas de geração em geração. Apenas 5 a 10% dos cancros são hereditários.

Hiperplasia

Aumento no número de células de um tecido, resultando em crescimento do órgão. Acontece com o tecido mamário durante a gravidez, por exemplo, mas também é possível que seja um sinal de alerta para o desenvolvimento de cancro.

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HPV

Vírus do papiloma humano, responsável por várias infeções que podem evoluir para lesões precursoras de cancro, especialmente do colo do útero. A vacina contra o HPV faz parte do Plano Nacional de Vacinação e deve ser administrada a crianças com 12 anos em duas doses.

I

Imunoterapia

Tratamentos que utilizam ou estimulam o sistema imunitário para atacar células cancerígenas. Existem cinco classes diferentes de imunoterapias: vacinas contra o cancro, imunomoduladores, terapias alvo com anticorpos, vírus oncolíticos e  imunoterapia celular.

Incidência

Número de novos casos de uma doença que surgem numa população durante um determinado período.

L

Lesão pré-maligna 

Alteração celular que não é cancro, mas que pode evoluir para malignidade se não for tratada.

Leucemia

Tipo de cancro que tem origem nos tecidos formadores de sangue, afetando geralmente os glóbulos brancos.

Linfoma

Tipo de cancro que afeta o sistema linfático, incluindo gânglios e outros tecidos do sistema imunitário.

M

Mastectomia

Remoção cirúrgica de uma ou ambas as mamas, frequentemente utilizada no tratamento do cancro da mama.

Melanoma

Cancro que se desenvolve nos melanócitos, células que produzem melanina, geralmente na pele.

Metástase

Propagação de células cancerígenas desde o tumor primário para outros órgãos, formando novos tumores. Tecnicamente, todos os tumores podem metastizar, mas alguns têm mais facilidade do que outros. De forma geral, quando um doente oncológico morre é porque o tumor metastizou.

Mutação

Alteração na sequência de ADN que pode afetar o funcionamento das células, potencialmente levando ao cancro. Algumas mutações genéticas estão identificadas como potenciais fatores de risco para o desenvolvimento de doença oncológica.

N

Neoplasia

Crescimento anormal de células ou tecido, benigno ou maligno. Sinónimo de tumor.

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Nódulo

Pequena massa de tecido, sólida ou líquida, que pode ser benigno ou maligno.

O

Oncogenes

Genes que, quando modificados ou ativados, promovem crescimento celular descontrolado e podem causar cancro.

Oncologia

Área da medicina dedicada ao estudo, diagnóstico e tratamento do cancro.

P

Palpação

Avaliação feita com toque manual, para sentir massas ou alterações nos tecidos corporais.

PET

Tomografia por emissão de positrões. É um exame imagiológico que identifica atividade metabólica de tumores. Pode ser utilizado para fazer o diagnóstico de um cancro ou monitorizar um tumor.

Pólipo

Crescimento anormal de tecido que se projeta a partir de uma mucosa, pode ser benigno ou evoluir para cancro.

Prevalência

Total de casos de uma doença existentes numa população num dado momento.

Prognóstico

Previsão da evolução provável de uma doença, incluindo possibilidades de cura, remissão ou recidiva.

Q

Quimioterapia 

Tratamento que utiliza medicamentos para destruir células cancerígenas ou impedir o seu crescimento.

R

Radioterapia

Uso de radiação ionizante para reduzir tumores antes de uma cirurgia para retirar o tumor, eliminar células cancerígenas que permaneçam depois da cirurgia, entre outros. A radiação pode vir de uma máquina externa ao corpo ou pode ser colocada em materiais radioativos no tumor. 

Recidiva

Retorno da doença depois de um período em que não foi possível detetar vestígios do tumor.

Remissão

Redução parcial ou total dos sinais e sintomas de doença, podendo ser temporária ou permanente.

S

Sarcoma

Cancro são formados a partir do osso ou dos tecidos moles (músculos, vasos sanguíneos, tecido fibroso ou adiposo).

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Sintoma

Sinal subjetivo ou adjacente à doença descrito pelo paciente, como dor, fadiga ou náuseas.

T

TAC 

Tomografia computorizada. Exame de imagem que usa raios‑X para produzir imagens detalhadas em corte transversal do corpo. Podem ser úteis para identificar tumores, mostrando o seu tamanho e o local onde se encontram.

Terapia direcionada 

Tratamento que atinge alterações moleculares específicas em células cancerígenas, causando menos danos aos tecidos saudáveis.

Tumor 

Massa anormal de tecido resultante de crescimento celular; pode ser benigno ou maligno.

Tumor primário 

Local onde o cancro inicia e cresce originalmente antes de se espalhar.

V

Vacina 

Substância que estimula o sistema imunitário para prevenir doenças, como algumas formas de cancro relacionadas com vírus (por exemplo, HPV).

Vírus

Agente infeccioso microscópico que só se reproduz dentro das células hospedeiras, podendo causar várias doenças incluindo algumas que podem ser fator de risco para o desenvolvimento de cancro.


Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

Categorias:

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27 Dez 2025 - 08:00

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